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Centro de Documentação e Informação – Cedoc disponibiliza, em versão online, séries de música e cartazes da Sala Funarte Sidney Miller, no Rio

O público vai ter a oportunidade de conhecer um pouco da história musical do espaço através do Portal das Artes – site da Funarte

A Sala Funarte Sidney Miller, localizada no Centro do Rio, tem, em seu interior, um cantinho especial dedicado à história musical do espaço. Com o objetivo de fazer com que o público conheça esse acervo, mesmo que à distância, a Fundação Nacional de Artes – Funarte, por meio do seu Centro de Documentação e Informação – Cedoc, disponibiliza textos, áudios, vídeos e imagens no Portal das Artes – site da instituição. O programa especial engloba registros de encontros e apresentações de artistas que passaram pelo palco do espaço e marcaram a história da música brasileira. No momento, a Sala Funarte Sidney Miller está passando por reformas e fechada para visitação.

Neste acervo especial, em versão online, os interessados vão ter a oportunidade de conhecer as séries (e seus cartazes) nomeadas dessa forma: a Noturno, dedicada a artistas que não tinham espaço no circuito comercial; a Vitrine, em que um músico consagrado convidava um iniciante; a Instrumental, dedicada a este gênero musical; a Carnavalesca, celebrando os compositores de música da folia; a Cinema, com exibições de curtas e Super 8; a Independentes, que contemplava artistas sem esquema comercial de gravadoras; a Especiais, para homenagear artistas ou datas específicas; a Pixingão, que reunia artistas consagrados e regionais que se apresentavam no Projeto Pixinguinha;  a Seis e Meia, que apresentou grandes nomes da música, entre 1978 e 1982, e também a Pauta Funarte, que contou com intérpretes de vários estados, entre 2006 e 2009.

Saiba mais sobre o acervo da Sala Funarte Sidney Miller, aqui

Fonte: FUNARTE

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Museu Imperial bate 1ª meta em financiamento coletivo para digitalizar acervo

A campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) “Museu Imperial: acervo sem fronteiras”, que visa agilizar o processo de digitalização de todos os mais de 300 mil itens do acervo do Museu Imperial/Ibram, em Petrópolis, bateu sua primeira meta no dia de Natal, 25 de dezembro. O museu tem até o dia 16 de janeiro para alcançar as outras duas metas. Acesse aqui a campanha.

Três metas foram estipuladas para a realização do projeto. A primeira meta, que já foi alcançada, envolve atualização de todo o sistema de banco de dados; implementação de novo sistema de busca e layout da página; e implementação de recursos de zoom e leitor de formato pdf. A segunda meta inclui a atualização e aquisição de novos computadores, e a terceira meta soma ainda a aquisição de novos equipamentos e mobiliário para os editores, além de uma softbox (conjunto para iluminação em fotografia), um fundo infinito, cartões de memória e bateria de flash portáteis.

No ar desde meados de novembro de 2019, a campanha faz parte do programa Matchfunding BNDES+, direcionado a projetos culturais. Diferente do formato tradicional do financiamento coletivo, o BNDES trouxe para o setor, em parceria com a plataforma da Benfeitoria, o financiamento combinado, oferecendo um aporte de mais R$2 para cada R$1 doado.

“Estamos muito felizes por termos atingido a primeira meta e agora estamos na próxima etapa, tentando alcançar as próximas duas metas que permitirão a realização do projeto de forma ainda mais eficiente. Ainda precisamos arrecadar 16 mil reais, por isso é muito importante que as pessoas continuem abraçando a campanha, divulgando e colaborando”, ressaltou a museóloga e coordenadora da Digitalização do Acervo do Museu Imperial, Muna Durans.

Arte sem fronteiras: bibliotecas em rede

Trata-se de um portal que vai contemplar um catálogo integrado online de acervos de bibliotecas do Museu Histórico Nacional, do Museu Nacional de Belas Artes, dos Museus Castro Maya, ambos estão sob gestão do Instituto Brasileiro de Museus e do Museu Casa de Rui Barbosa.

O valor total do projeto é de R$ 41 mil, sendo que 1/3 será arrecadado na campanha e 2/3 será financiado pelo BNDES. A campanha de arrecadação de recursos teve início no dia 21/11 e se encerrará no dia 16/01. Confira aqui o link da campanha

Saiba mais: Projeto ‘Artes sem fronteiras: bibliotecas em rede’ contempla museus do Ibram

Fonte: IBRAM

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Edital Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúñiga

A Funarte disponibilizou a portaria que dispõe sobre designar membros da Comissão Técnica Interna de Habilitação do Edital Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúniga.

Acesse aqui a Portaria Funarte nº. 209, de 31/07/2019

ERRATA- 19/07/2019

A Funarte publicou no dia 19 de julho de 2019, no Diário Oficial da União, ato de retificação do edital Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zuñiga, publicado dia 15/07/2019. As alterações citam: o nome do programa, do qual foi retirada a palavra “prêmio”; e a troca de subitens.

Acesse aqui a retificação

Acesse aqui o edital retificado

INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ O DIA 29/08/2019

A Fundação Nacional de Artes – Funarte publicou, no dia 15 de julho de 2019, a primeira edição do Edital Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúñiga. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União. As inscrições estão abertas de 16 de julho a 29 de agosto de 2019.

O programa vai contemplar projetos de pesquisa, com textos inéditos no campo da preservação e da conservação da fotografia. A iniciativa é realizada por meio do Centro de Conservação e Preservação Fotográfica (CCPF), integrante do Centro de Artes Visuais da Funarte.

Através do edital, serão concedidas cinco bolsas de R$ 40 mil cada uma. Podem candidatar-se pessoas físicas, residentes em qualquer lugar do Brasil, que atuem nas áreas técnicas relacionadas ao concurso.

Essa ação da Funarte possui como objetivo estimular a produção de conhecimento no campo da conservação e da preservação fotográficas. O processo seletivo inclui três módulos de concorrência. São eles:

1 – Ações e estudos sobre conservação e restauração fotográfica no Brasil – duas bolsas serão concedidas no módulo;
2 – Ações e estudos sobre digitalização e preservação digital de acervos fotográficos no Brasil – duas bolsas; e
3 – Ações e estudos realizados sobre processos fotográficos históricos dos séculos XIX e XX – nesse módulo será concedida uma bolsa

O produto final a ser desenvolvido pelos contemplados deve ser um texto, tendo como padrão os Cadernos Técnicos de Conservação Fotográfica – números 6, 7 e 8, editados pela Funarte, conforme as especificações do edital. Essa coleção, coordenada e desenvolvida pelo CCPF, pode ser baixada neste link:

Legado para a bibliografia e para a formação na área

Por meio desse edital, a Funarte intenciona promover a produção de textos originais, que contribuam para a formação de novos profissionais em conservação e preservação da fotografia; além de estimular a capacitação técnica nos vários setores relacionados à área, por meio do desenvolvimento da bibliografia direcionada a profissionais e estudantes, bem como da divulgação do conhecimento e de experiências ligados a esse campo.

Inscrições

As inscrições estão abertas de 16 de julho a 29 de agosto de 2019 e deverão ser realizadas exclusivamente pelo correio, por meio de formulário de inscrição disponível neste link.

O envelope de envio deve ser preenchido com os seguintes dados:

a) Destinatário:
Edital Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúñiga
Centro de Conservação e Preservação Fotográfica da Funarte/CEAV
Centro Empresarial Cidade Nova – Teleporto
Av. Presidente Vargas nº 3.131 – 18º andar, sala 1804 – Cidade Nova
Rio de Janeiro (RJ)
CEP: 20.210-911

b) Remetente
Nome completo do proponente
Endereço completo do proponente

c) ) Título do Projeto (Indicar também: Módulo 1 ou 2 ou 3)

Acesse aqui o edital

Acesse aqui o formulário de inscrição

O CCPF

O Centro de Conservação e Preservação Fotográfica (CCPF) – Funarte é um núcleo de excelência que, há mais de 30 anos, pesquisa, desenvolve e difunde sistemas e métodos que são amplamente utilizados pelas instituições brasileiras detentoras de coleções, além do reconhecimento como centro de referência internacional no campo da preservação e conservação fotográfica.

A homenagem

O Centro de Conservação e Preservação Fotográfica/CEAV – Funarte considera de grande relevância a homenagem a Solange Zuñiga no edital. “Trata-se da profissional responsável pela concepção, desenvolvimento e coordenação geral do Programa Nacional de Preservação e Pesquisa da Fotografia realizado na Funarte, que culminou na criação do CCPF. Além disso, Solange Zuñiga foi uma incentivadora da pesquisa no campo da conservação fotográfica, no qual alcançou grande prestígio, tanto no Brasil como em outros países da América do Sul”, comenta Sandra Baruki, coordenadora do CCPF.

Sobre Solange Zuñiga

Solange Zuñiga era doutora em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) – em convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – com tese sobre políticas de preservação de acervos documentais, e mestre em Biblioteconomia pela Universidade de Columbia – Nova York (EUA), onde cursou mestrado em Administração da Preservação. Foi diretora do antigos departamentos de Artes e de Pesquisa e Documentação da Funarte, onde foi responsável pela concepção, desenvolvimento e coordenação do Programa Nacional de Preservação e Pesquisa da Fotografia a instituição que originou o CCPF. Participou da equipe de historiadores responsável pela concepção, implementação e coordenação do projeto do Centro de Pesquisas Históricas da Fundação Casa de Rui Barbosa. Foi uma das idealizadoras do projeto Publicação e Disseminação de Literatura Técnica em Preservação, do programa Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos (CPBA), com apoio de instituições norte-americanas, como a Comission on Preservation and Access (Comissão de Preservação e Acesso) e a Fundação Andrew W. Mellon e, no Brasil, da Fundação Vitae – Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social.

Mais informações
edital.ccpf@funarte.gov.br

Acesse o edital e os documentos relacionados a ele nesta página, na coluna da direita, Arquivos Relacionados

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Acervo da Casa de Rui Barbosa é cedido para publicações editoriais

A FCRB conta com 130 arquivos privados de escritores. O material, que inclui documentos, fotos e cartas, pode ser utilizado em publicações

(publicado: 14/01/2019 19h41, última modificação: 15/01/2019 10h43)

Escritores, pesquisadores e estudantes contam com um rico e gratuito acervo para fins de reprodução e pesquisa. Tratam-se de documentos raros da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), entidade ligada ao Ministério da Cidadania. O material vem sendo utilizado, por exemplo, em publicações literárias. Na obra Todas as crônicas – Clarice Lispector, organizada por Pedro Karp Vasquez, foram incluídas crônicas cedidas pela fundação. Imagens da autora também ilustram o livro de Teresa Montero, O Rio de Clarice, Passeio afetivo pela cidade. As contribuições da FCRB também estão presentes em “O poeta e outras crônicas de literatura e vida”, com crônicas de Rubem Braga; e em “A invenção de Orfeu”, com poema e fotos do escritor Jorge de Lima.

A Fundação possui 130 arquivos privados de escritores brasileiros, além de uma coleção de documentos avulsos, coletados esparsamente ao longo dos anos. Nesta parte do acervo, encontram-se materiais de escritores como Augusto Meyer, Gonzaga Duque, Lúcio Cardoso, Manuel Bandeira, Machado de Assis, entre outros.

A busca e a escolha dos documentos para consulta podem ser feitas por meio da base de dados da entidade. Quando o pesquisador opta por reproduzir o documento, técnicos da fundação encaminham o contato do detentor dos direitos autorais para a liberação do material.

“Nós temos muito nítida (a ideia) de que é a nossa obrigação disponibilizar, mas como estes autores não estão em domínio público, as famílias são contatadas e nós damos o acesso aos eventuais interessados para que entrem em contato com a família para ver se eles autorizam ou não”, detalha a presidente da fundação, Marta de Senna.

Para o livro O Rio de Clarice, Passeio afetivo pela cidade, por exemplo, a fundação cedeu 12 fotos, digitalizadas após a autorização do detentor dos direitos autorais sobre elas – no caso, o filho da escritora, Paulo Gurgel Valente.

Assim que o detentor do direito autoral libera a reprodução, o pesquisador comunica a Fundação Casa de Rui Barbosa e, então, é autorizado a reproduzir o documento. Um exemplar da obra em que o documento é reproduzido deve ser enviado à FCRB, a partir da assinatura de um termo.

Edições da Casa de Rui

A Fundação Casa de Rui Barbosa também edita livros desde 1942. São mais de 700 títulos, publicados em coedição ou isoladamente. O selo Edições Casa de Rui Barbosa foi criado em 1995. Por não ser uma editora comercial, a fundação prioriza obras relacionadas a um largo espectro de interesses intelectuais.

As obras editadas pela fundação são preferencialmente doadas a interessados ou, eventualmente, vendidas por meio do pagamento de uma Guia de Recolhimento da União (GRU). A maior parte das publicações é composta por pesquisas de servidores da instituição.

A Casa de Rui ainda é depositária de uma série de autores da literatura brasileira e de políticos brasileiros, além do acervo de Rui Barbosa, com mais de 80 mil documentos e o selo da Unesco de Memória do Mundo.

Consultas

Para mais informações e verificações sobre a disponibilidade de obras editadas pela FCRB deve ser feita ao Serviço de Editoração pelo e-mail editora@rb.gov.br.

Já as consultas ao acervo da FCRB podem ser agendadas pelo e-mail consulta.acervo@rb.gov.br, pelo telefone (21) 3289-8665, ou diretamente na sala de consultas da fundação.

O pedido de livros para consulta no mesmo dia deve ser feito até as 16h30. Já outros documentos devem ser solicitados com antecedência mínima de 24 horas, incluindo documentos sonoros, de imagens em movimento, microfilmados e de outros suportes.

Serviço

Fundação Casa de Rui Barbosa
Endereço: Rua São Clemente 134, Botafogo, Rio de Janeiro (RJ)

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Obras de Monteiro Lobato entram para domínio público

Saiba o que muda e quais repercussões isso poderá ter na relação dos leitores com as obras do escritor

(publicado: 21/01/2019 17h12, última modificação: 24/01/2019 11h57)

Ele dá nome a ruas, escolas e bibliotecas por todo o Brasil. O Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado em 18 de abril, homenageia a data de nascimento desse escritor, autor de mais de 50 livros que mexeram, como ninguém, com o imaginário de crianças e jovens de todo o Brasil. A personalidade em destaque é Monteiro Lobato, cujas obras ingressaram em domínio público em 1º de janeiro deste ano.

“Quando a obra ingressa no domínio público, qualquer pessoa pode utilizá-la, fazer adaptações, traduzir, veicular, imprimir, ou seja, fazer qualquer tipo de uso econômico sem ter de pedir autorização prévia para o autor ou titular de direitos”, explica a diretora da Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Carolina Panzolini. “Isso, na prática, significa que as obras de Monteiro Lobato agora podem ser livremente exploradas comercialmente”, completa. A legislação brasileira estipula o prazo de 70 anos a partir de 1º de janeiro ao ano subsequente à morte do autor para que as obras dele entrem em domínio público.

Especialista na obra de Monteiro Lobato, a professora de Literatura Brasileira Milena Ribeiro Martins, da Universidade Federal do Paraná, acredita que o ingresso da obra do escritor paulista em domínio público vai aumentar a atenção do público e reaquecer o interesse pela obra de Lobato. “Não só as editoras podem investir comercialmente em livros sem gastar com direitos autorais, mas autores podem investir na recriação de suas obras sem pedir licença para a família a respeito disso”, afirma. “O número de leitores de Lobato tende a aumentar porque, comercialmente, vai haver novas edições, e o número de criações com base na obra de Lobato deve aumentar”, avalia.

Milena defende que, apesar de alguns terem quase 100 anos, os livros de Lobato, em especial os voltados ao público infantil, podem ser muito atraentes para os jovens leitores que vivem cercados de experiências multimídias. “Há um misto de fantasia, de ciência, de imaginação e de criatividade na obra do Lobato, que ainda é atraente para as crianças”, argumenta.

Um dos principais exemplos dessa irreverência é a personagem Emília. A boneca de pano falante está sempre cheia de ideias e, com seu gênio forte, causa uma série de confusões para sua dona, a menina Lúcia, mais conhecida como Narizinho, prima de Pedrinho e neta de Dona Benta, que é dona do Sítio do Picapau Amarelo. Esses personagens, além de renderem dezenas de livros, séries de TV, animações, bonecos e um conjunto de produtos para o público infantil, povoaram o imaginário de várias gerações de crianças brasileiras desde a década de 1930.

Uma das ousadias de Lobato foi, em uma época em que o conservadorismo era grande, dar voz às crianças, que não costumavam ter espaço na maioria das famílias para expor seus pensamentos. “Ele não vai pensar numa criança simplesmente obediente, mas ele vai pensar numa criança reflexiva, criativa, produzindo novos significados para o seu momento histórico. E, nesse sentido, ele muda muito a literatura nacional e discute produção literária estrangeira dentro da sua obra”, destaca a especialista.

Múltiplas facetas

Na vida profissional, Lobato atuou em várias frentes. Formou-se em Direito. Foi promotor público no interior paulista. Escreveu artigos, críticas de arte, fez ilustrações e caricaturas para jornais e revistas. Traduziu e fez adaptações para o português de importantes obras literárias, como Minha vida e minha obra, de Henry Ford, Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway, Robson Crusoé, de Daniel Defoe, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, entre outros. Também cuidou de uma propriedade rural, que herdou do avô.

Fundou uma editora, a Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato. Foi adido comercial em Nova York, nos Estados Unidos, e fez prospecção de petróleo por meio da Companhia Petróleos do Brasil. Suas obras foram traduzidas para mais de 10 idiomas e publicadas no exterior.

Conquistou, em 1936, a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras, mas não conseguiu uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Casou-se com Maria da Pureza de Castro Natividade, com quem teve quatro filhos: Martha, Edgard, Guilherme e Ruth. Suas principais paixões eram escrever, desenhar e fotografar.

Polêmico

Antonio Gomes da Costa Neto, do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília, é especialista na obra de Monteiro Lobato (Foto: Clara Angeleas/Ascom)

Aos olhares dos dias de hoje, muitas das falas de seus personagens podem ser consideradas racistas. No entanto, o racismo, ou melhor, a discriminação por raça e cor só foi tida como crime no Brasil há 30 anos, em 1989, quando entrou em vigor a Lei 7.716.

“Aquela obra foi produzida em tempos pretéritos, quando a filosofia era a admissibilidade do racismo como política pública. Hoje, isso não mais existe. Então, a melhor forma de se lembrar de Lobato é você pegar e contextualizá-lo no período em que ele escreveu”, resume o pesquisador Antonio Gomes da Costa Neto, do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília (UnB).

O pesquisador sustenta que esta polêmica deveria servir de debate entre os professores e os alunos em sala de aula. Neste caso, os professores deveriam ter um preparo para falar sobre o assunto. Em paralelo, ele defende que os novos livros de Lobato deveriam conter notas explicativas que contextualizem o período em que vivia Lobato e aproveitem para desconstruir qualquer estímulo ao racismo.

“A minha defesa é que você trabalhe a educação das relações étnico-raciais dentro do livro. Quando você trabalha na desconstrução do racismo, você agrega porque tem que trabalhar a questão de gênero, a questão de diversidade, de reconhecimento de cultura. A política étnico-racial valoriza o quilombola, valoriza a origem africana e é isso que eu quero, que a gente valorize uma cultura de povos formadores da nossa nação”, afirma Costa Neto.

Acervo

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), localizada no Rio de Janeiro, conta em seu arquivo digitalizado com 28 arquivos sobre Lobato, entre eles 26 cartas trocadas com o também escritor Lima Barreto e com o historiador Nelson Werneck Sodré (Foto: Divulgação)

As obras de Lobato estão acessíveis em boa parte das bibliotecas de todo o País. Há, no entanto, alguns itens curiosos relacionados a ele que estão disponíveis em entidades vinculadas ao Ministério da Cidadania.

No Banco de Conteúdos da Cinemateca Brasileira é possível encontrar fotos de filmes feitos com base em seus trabalhos, como O Saci, de Rodolfo Nanni (a primeira adaptação cinematográfica de Monteiro Lobato para o cinema); O Comprador de Fazendas, de Alberto Pieralis (baseada no conto homônimo); e Jeca Tatu, de Milton Amaral, entre outros.

Ainda na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, no Centro de Documentação e Pesquisa, é possível consultar bibliografia sobre o tema e agendar um horário para assistir filmes como Monteiro Lobato, da cineasta Ana Carolina (documentário de 1971); Jeca Tatu, de 1959, de Milton Amaral; e O Comprador de Fazendas, de 1951, de Alberto Pieralisi.

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), localizada no Rio de Janeiro, conta em seu arquivo digitalizadocom 28 arquivos sobre Lobato, entre eles 26 cartas trocadas com o também escritor Lima Barreto e com o historiador Nelson Werneck Sodré.

Já a Fundação Nacional de Artes (Funarte) produziu, em 2012, um programa especial com canções que falam dos personagens de Lobato, com roteiro assinado por Cláudio Felício e apresentação de Paulo César Soares. O Estúdio F é resultado de uma parceria entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com a Funarte, lançado em novembro de 2006.

Familiares de Monteiro Lobato também criaram um portal em que é possível ver detalhes sobre a vida e obra do autor, além de fotos e imagens no endereço: http://www.monteirolobato.com.

No site, inclusive, há uma observação importante com relação às mudanças que o domínio público acarreta para o uso da obra dele. “Somente a obra original – o texto da maneira exata como foi escrito – por Monteiro Lobato pode ser reproduzida e utilizada sem que haja penalizações. As ilustrações não fazem parte da obra, foram criadas por outros artistas como J.U. Campos (Jurandir Ubirajara Campos), Nino, Andre Le Blanc, Belmonte, Jean Gabriel Villin, Voltolino, Kurt Wiese, entre outros e não caíram em domínio público ainda”, resume.

 

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Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Digitalização de 8 mil folhetos de cordel amplia visibilidade do poema popular brasileiro

Fundação Casa de Rui Barbosa, vinculada ao Ministério da Cidadania, disponibiliza uma das maiores coleções sobre a literatura típica do interior nordestino

(publicado: 29/01/2019 17h39, última modificação: 01/02/2019 10h10)

Aqueles pequenos “folhetos” com capas de xilogravura que ficam pendurados em barbantes em feiras no interior do Nordeste estão ganhando o Brasil e o mundo por meio da internet. Os poemas populares da literatura de cordel estão em processo de digitalização pela Fundação Casa de Rui Barbosa, vinculada ao Ministério da Cidadania. Já foram digitalizados e disponibilizados no portal da Casa de Rui 2.100 títulos e esta semana a entidade começou o processo de digitalização de outros seis mil títulos. Dentro de cerca de dez meses, a depender da liberação de direitos autorais, o mundo inteiro terá acesso a cerca de 8.379 títulos da cultural regional brasileira, disponíveis gratuitamente ao público por meio do site da Casa de Rui.

Além dos folhetos, no portal da Casa de Rui há uma série de indicações e referências de artigos, livros, teses e dissertações envolvendo o tema do cordel, que constitui uma coleção ímpar em importância e originalidade de produção cultural brasileira.

“Ter a minha obra no site da Casa de Rui Barbosa é levar a minha arte ao mundo. Tem um significado histórico, é uma consagração”, disse o fundador da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, o cordelista, poeta, contista e ensaísta Gonçalo Ferreira da Silva, de 81 anos. O cearense é autor de cerca de 300 títulos e se iniciou no Cordel em 1978. Há um conjunto de 216 folhetos em versão on-line do seu trabalho no Portal da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Preocupado com a manutenção e valorização do cordel, Gonçalo atuou junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia também vinculada ao Ministério da Cidadania, para que o cordel fosse reconhecido como patrimônio brasileiro, o que se concretizou em setembro de 2018, quando o estilo literário recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro.

Relatos do cotidiano, mortes de pessoas famosas, lendas e acontecimentos históricos são alguns dos temas desses cordéis. Apesar da liberdade temática, os cordelistas seguem as tradições de métricas em suas criações. Os mais frequentes são a parcela (estrofe de versos de quatro sílabas, mas há ainda uma versão mais recente com cinco sílabas); estrofes de quatro versos de sete sílabas; as sextilhas (constituída de seis linhas ou seis versos de sete sílabas, sendo que as linhas pares rimam entre si); setilhas (estrofes de sete versos de sete sílabas); oitavas (estrofes de oito versos de sete sílabas); décimas (dez versos de sete sílabas), mais usadas por repentistas e martelo agalopado (estrofe dez versos de dez sílabas).

Gonçalo Ferreira da Silva é autor de cerca de 300 títulos de cordel. Foto: TV Brasil

Coleção ímpar

O acervo de cordel da Casa de Rui começou a ser constituído a partir de 1960. Entre as obras, é possível encontrar folhetos raros, incluindo os pioneiros do estilo como Leandro Gomes de Barros e Francisco de Chagas Batista.

“A sistematização desses documentos começou em 1979, quando foram mapeados os folhetos de Cordel da fundação”, conta a bibliotecária da fundação Carolina Sena, cuja dissertação de mestrado foi intitulada “A literatura de cordel na Fundação Casa de Rui Barbosa: organizando uma memória dispersa”. Com a pesquisa, foi possível traçar a trajetória do cordel na instituição.

Entre 2001 e 2004, foi desenvolvido um projeto com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) de pesquisa e digitalização da coleção. O trabalho de digitalização começou com a coleção do pesquisador Sebastião Nunes Batista de folhetos de Leandro Gomes de Barros. O conteúdo depois foi ampliado para outros 20 cordelistas, com o patrocínio da Petrobras.

Serviço

A forma mais fácil de conhecer o conteúdo é clicar na aba “poetas e cantadores”, onde se encontra a lista de 21 poetas divididos em duas gerações. A primeira geração é formada por sete autores que atuaram entre os anos de 1900 a 1930. São eles: Antônio Ferreira da CruzFrancisco das Chagas BatistaJoão Melquíades Ferreira da SilvaSeverino Milanês da SilvaSilvino Pirauá de LimaJosé Camelo de Melo Resende e Leandro Gomes de Barros.

Já a segunda geração é de autores que escrevem a partir de 1930 até os dias atuais, num total de 14, que inclui João Martins de AtaídeManuel Camilo dos SantosJosé PachecoManuel Pereira SobrinhoJoão Ferreira de LimaMinelvino Francisco Silva, José SoaresJosé Costa LeiteJosé João dos Santos (Azulão)Raimundo Santa HelenaRodolfo Coelho CavalcantiManuel d’Almeida FilhoFrancisco Sales Arêda e Gonçalo Ferreira da Silva.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Com informações da Fundação Casa de Rui Barbosa

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