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Com Rouanet, Instituto promove artes visuais da Amazônia

16.11.2018 – 18:20

Fundado em 2001 pelo maestro Dirson Costa, o Instituto homônimo tem o objetivo de formar, por meio do estudo das artes e da cultura da paz, o homem habilitado para o pleno exercício da cidadania. Para tanto, a instituição oferece em Manaus (AM), por meio da Escola de Artes Dirson Costa, cursos profissionalizantes em pintura e marchetaria e vivências e orientações poéticas em pintura, ciência e arte dos anjos e história e estética da arte. Tudo isso com o apoio da Lei Rouanet de incentivo à cultura.

Obra Cocar Rei, da artista indígena Duhigó (Foto: Reprodução)

“A Lei Rouanet foi fundamental para realizarmos a implantação e desenvolvimento da Escola de Artes Dirson Costa. Por esta lei de incentivo à cultura obtivemos o patrocínio exclusivo do Banco da Amazônia, o que permitiu ao Instituto formar uma geração de artistas visuais indígenas para o mercado brasileiro de arte. Não utilizamos nenhum outro incentivo, apenas o da Lei Rouanet e recursos próprios”, diz Aidalina do Nascimento Costa, diretora-presidente do Instituto.

Antes de iniciar as atividades de formação, o Instituto Dirson Costa (IDC) fez uma pesquisa na cidade de Manaus para saber se havia parcelas da população que não estavam sendo atendidas pelas políticas culturais do Governo do Amazonas e das demais instituições privadas da cidade. O resultado evidenciou que a população indígena residente na capital não era atendida por nenhum projeto cultural, tanto de iniciativa pública quanto privada, e nem mesmo pelas instituições de apoio aos indígenas.

Foi então que a diretoria do IDC decidiu organizar, em 2002, com recursos próprios, uma oficina de arte com duração de 3 meses para compreender o potencial cultural e artístico da população indígena “desaldeada” e residente na capital. “O nosso objetivo era oferecer a possibilidade de mudança na esfera social e econômica dessa população garantindo a preservação cultural de sua etnia”, ressalta Aidalina.

A oficina contou com 43 indígenas de 10 etnias diferentes da Amazônia e os resultados foram tão surpreendentes que a direção do IDC optou pela criação da Escola de Arte IDC. “Fizemos a seleção dos 10 melhores alunos da oficina para ingressarem na Escola de Arte profissionalizante nas técnicas de pintura sobre tela, marchetaria, xilogravura e escultura, com o intuito de formar uma geração de artistas expressando a poética amazônica”.

Apoio integral ao aluno

Durante o curso, os alunos recebem 100% de apoio para estudar em paz, já que o Instituto busca oferecer ensino de excelência em todos os sentidos. Para tanto, oferecem refeições, vale-transporte, apoio médico e psicológico, material técnico, professores artistas, ambiente adequado ao progresso e muita atenção e respeito.

De acordo com Carlysson Sena, ex-aluno do instituto, o maior bem que o Instituto Dirson Costa nos oferece é a possibilidade de exercitar valores humanos fundamentais para uma vida de paz e de realização interior. “Parte importante da minha formação ética, artística e focada no desenvolvimento da Amazônia é fruto do que aprendi no IDC. No instituto fui aluno de cursos de teatro e textos dramatúrgicos, colaboro com os projetos culturais da casa e principalmente fui testemunha ocular e ativa na criação da escola de artes, da galeria de artes e do Museu de Arte e Imaginário da Amazônia que está em implantação. Para os artistas, acredito que o IDC é um exemplo de sustentabilidade social, econômica e cultural”, destaca.

Seguindo o objetivo de um ecossistema de negócios conscientes das artes visuais, cuidando não só da formação do aluno, mas também incentivando sua carreira, o IDC oferece apoio após a formação. Por meio de exposições individuais e coletivas, e da publicação de catálogos, as obras dos artistas são apresentadas ao público em geral. O IDC também cuida para que possam participar da seleção para salões de arte e prêmios. Caso seja de interesse do artista, ele pode integrar o portfólio da Manaus Amazônia Galeria de Arte, criada por Carlysson.

A ideia da galeria de arte já existia no escopo da implantação do IDC, prevista para fazer o link entre artistas e mercado. O que Carlysson não imaginava é que ele seria o empreendedor que ficaria responsável por esse item do planejamento do Instituto. “Em 2009 fiz parte do projeto experimental Galeria de Arte e Imaginário da Amazônia (GAIA) que teve tempo curto de um ano de experimentação, durante o qual, conseguiu levar 150 obras de arte para expor em Nova Iorque abrindo minha visão sobre o potencial desse mercado.

Em 2014, quis retomar essa experiência e formatei, com apoio incondicional do IDC, as bases de uma galeria de arte diferente, focada no público local e na acessibilidade à arte. Anos depois, em 2016 o projeto experimental foi tão bem-sucedido que financiou a criação da Manaus Amazônia Galeria de Arte. Hoje sou um empreendedor parceiro do IDC e posso, com minha caminhada nos negócios, retribuir tudo que recebi de bom desta Instituição”, afirma o empreendedor. Atualmente, Carlysson e o IDC trabalham em um projeto para a internacionalização da galeria e de suas obras, já que cerca de 80% das vendas é para o público de Manaus.

Além dos cursos e da própria galeria, o Instituto também dispõe de biblioteca, ateliê-escola, centro de memória e pesquisa e do Museu de Arte e Imaginário da Amazônia – ainda em fase de implementação.

Cultura e ancestralidade

Atualmente, a Amazônia brasileira tem 185 etnias, sendo que 80 delas estão no estado do Amazonas. Cada etnia tem sua mitolologia, lendas, histórias e visão de mundo próprias. Todo esse universo compõe uma rica matriz cultural amazônica para inspiração de obras de arte. “Nossa população vive dentro da maior floresta do mundo, de frente para o maior rio do mundo e ambos são influenciadores do nosso imaginário. Nossa arte apresenta, em sua essência, a poética amazônica, fundamentada na matriz ancestral das etnias que habitaram e ainda habitam os estados da região Norte do Brasil”, ressalta Aidalina.

De acordo com a diretora do IDC, a arte contemporânea amazônica é desconhecida no Brasil e no resto do mundo, o que destaca ainda mais a necessidade de divulgá-la. “Fazer com que nossa arte seja apreciada pelo público universal é fundamental para soberania, valoração cultural e posicionamento do Brasil no mundo. E para o Brasil é de extrema urgência torná-la conhecida e apreciada, pois não zelamos por aquilo que não conhecemos e amamos. Divulgar a arte amazônica traz mais dignidade ao país”, conclui.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Últimos dias para a inscrição no edital de Apoio à Produção

16.11.2018 – 12:05

O Centro Técnico Audiovisual (CTAv), vinculado à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, encerra no próximo domingo (18) as inscrições para o edital de Apoio à Produção 2019. Neste edital, além dos apoios conhecidos de mixagem, utilização de estúdio e empréstimo de equipamentos para filmes, o CTAv passou a oferecer também empréstimo de equipamentos para obras seriadas.

A modalidade de empréstimo de equipamentos para obras seriadas contempla tanto as séries de ficção quanto as documentais, podendo ser utilizada para a gravação de projetos pilotos, episódios isolados ou temporadas inteiras, respeitado o prazo de utilização, que não poderá ultrapassar 30 dias corridos.

Os interessados podem realizar sua inscrição nos links dos regulamentos de cada um das categorias presentes no edital. Fechado o prazo de submissão, uma Comissão de Seleção interna irá avaliar todos os projetos e informar os selecionados do período. Ao todo, estão previstos quatro períodos de apoio ao longo do ano. O resultado será divulgado até o dia 23 deste mês. A execução dos serviços será entre os dias 21 de janeiro e 12 de abril de 2019.

 

Serviço

Leia os regulamentos e faça sua inscrição nos links abaixo:

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Biblioteca Nacional divulga os vencedores do Prêmio Literário 2018

14.11.2018 – 10:45

A Biblioteca Nacional, entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), divulgou a lista com os nomes dos vencedores nas nove categorias do Prêmio Literário Biblioteca Nacional. Também foram revelados os nomes dos selecionados em segundo e terceiro lugares, bem como os três jurados em cada categoria. A publicação do resultado final no Diário Oficial da União está prevista para 26 de novembro e a cerimônia de entrega dos prêmios será realizada em 4 de dezembro. Confira os vencedores:

Prêmio Literário Biblioteca Nacional

 

I – Categoria Conto – Prêmio Clarice Lispector

Comissão julgadora: Carlos Henrique Schroeder; Francisco Foot Hardman e Ítalo Moriconi.

Vencedor: Gustavo Pacheco, com a obra “Alguns humanos”, Tinta-da-China.

2º lugar: Pedro de Souza, com a obra “Zoografia: zooalgia”, Nankin Editorial.

3º lugar: Noemi Jaffe, com a obra “Não está mais aqui quem falou”, Companhia das Letras.

 

II – Categoria Ensaio Literário – Prêmio Mário de Andrade

Comissão julgadora: Eneida Maria de Souza; Hélio de Seixas Guimarães e Marcello Moreira.

Vencedora: Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro, com a obra “A erótica japonesa na pintura & na escritura dos séculos XVII a XIX”, Edusp.

2º lugar: Silvia de Ambrosis Pinheiro Machado, com a obra “Canção de ninar brasileira: aproximações”, Edusp.

3º lugar: Audrey Ludmilla do Nascimento Miasso, com a obra “Epígrafes e diálogos na poesia de Machado de Assis”, EdUFSCar.

 

III – Categoria Ensaio Social – Prêmio Sérgio Buarque de Holanda

Comissão julgadora: Angela Alonso; Giovana Xavier e Lucia Lippi.

Vencedora: Lilia Moritz Schwarcz, com a obra “Lima Barreto: triste visionário”, Companhia das Letras.

2º lugar: Elvira Lobato, com a obra “Antenas da floresta: a saga das TVs da Amazônia”, Objetiva.

3º lugar: Andrea Dip, “Em nome de quem? A bancada evangélica e seu projeto de poder”, Civilização Brasileira.

 

IV – Categoria Literatura Infantil – Prêmio Sylvia Orthof

Comissão julgadora: Cecilia Bassarani; Márcia Cavalcante e Nilma Lacerda.

Vencedora: Lúcia Hiratsuka, com a obra “Chão de peixes”, Pequena Zahar.

2º lugar: Mirna Brasil Portella, com a obra “Porco de casa cachorro é”, Escrita Fina.

3º lugar: Helena Lima, com a obra “Olga”, Lago de Histórias.

 

V – Categoria Literatura Juvenil – Prêmio Glória Pondé

Comissão julgadora: Anna Rennhack; Beto Silva e Tânia Piacentini.

Vencedor: Lourenço Cazarré, com a obra “Os filhos do deserto combatem na solidão”, Cepe Editora.

2º lugar: Breno Fernandes, com a obra “Mendax, o ladrão de histórias”, FB Publicações.

3º lugar: Alexandre de Castro Gomes com a obra “Os 12 trabalhos de Severino”, SESI-SP.

 

VI – Categoria Poesia – Prêmio Alphonsus de Guimaraens

Comissão julgadora: José Thomaz Brum; Paulo Franchetti e Vagner Camilo.

Vencedora: Francesca Angiolillo, com a obra “Etiópia”, 7 Letras.

2º lugar José Mário Rodrigues, com a obra “O voo da eterna brevidade”, Cepe Editora.

3º lugar: Marcelo Montenegro, com a obra “Forte apache”, Companhia das Letras.

 

VII – Categoria Projeto Gráfico – Prêmio Aloísio Magalhães

Comissão julgadora: Ana Dias; Haron Cohen e Suzane Queiroz.

Vencedores: Gabriela Marques de Castro, Paulo André Chagas e Gustavo Marchetti com a obra “O nome do medo”, com organização de Lisette Lagnado, Museu de Arte do Rio / Instituto Odeon.

2º lugar: Gustavo Piqueira, com a obra “De novo”, Lote 42.

3º lugar: Elaine Ramos Coimbra com a obra “Corpo a corpo – a disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo”, IMS, e Raquel Matsushita, com a obra “Catálogo de perdas”, SESI/SP.

 

VIII – Categoria Romance – Prêmio Machado de Assis

Comissão julgadora: Adauri Silva Bastos; Alcir Pécora e Eliane Robert Moraes.

Vencedor:  Evandro Affonso Ferreira, com a obra “Nunca houve tanto fim como agora”, Record.

2º lugar: Manoel Herzog, com a obra “A jaca do cemitério é mais doce”, Alfaguara.

3º lugar: Luis S. Krausz, com a obra “Outro lugar”, Cepe Editora.

 

IX – Categoria Tradução – Prêmio Paulo Rónai

Comissão julgadora: Ivone Benedetti; José Roberto O’Shea e Maurício Santana Dias.

Vencedor:  Maurício Mendonça Cardozo, com a obra “De minha vida: poesia e verdade” (Johann Wolfgang von Goethe), Editora Unesp.

2º lugar: Luciano Dutra, com a obra “Pela boca da baleia (Sjón)”, Tusquets Editores.

3º lugar: Heloisa Jahn, com a obra “As alegrias da maternidade” (Buchi Emecheta), Dublinense.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Festival de cinema reúne filmes internacionais em Brasília

12.11.2018 – 11:45

Um encontro com o melhor do novo cinema mundial. Filmes lançados recentemente, assinados por jovens diretores e com prêmios em alguns dos mais importantes festivais internacionais são a essência da sexta edição do Brasília International Film Festival (Biff), em cartaz até 18 de novembro no Distrito Federal. Ao todo, serão exibidos 40 filmes de 27 nacionalidades.

Ines Maria Barrionuevo, diretora de ‘Julia e a Raposa’. Foto: Divulgação

O Biff traz duas mostras competitivas com um total de 16 filmes – oito de ficção e oito documentários -; três mostras paralelas (Mundo Animado, Mostra Spike Lee e Memória BIFF);além de três pré-estreias; a exibição de dois longas-metragens premiados em edições anteriores do festival e uma oficina de roteiro, ministrada pelo cineasta argentino Miguel Rocca.

Um dos mais prestigiados palcos do cinema no País, o Cine Brasília receberá os filmes das mostras competitivas e também os debates com diretores ou curadores, após as sessões. O local ainda exibirá os filmes da mostra Mundo Animado, em sessões gratuitas, os dois títulos da mostra Memória BIFF e acolherá as cerimônias de abertura – no dia 9 de novembro – e de encerramento – no dia 17.

Para o encerramento do 6º BIFF está programada a sessão “Clássicos do Cinema”, uma homenagem ao grande diretor Sam Peckinpah, com exibição do clássico “Os Implacáveis” (1972), no Cine Brasília. A sessão contará com a participação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, interpretando músicas imortalizadas pelo cinema de Peckinpah.

No Cine Cultura Liberty Mall serão exibidos os filmes das mostras competitivas e os títulos da Mostra Spike Lee. E no SESC Ceilândia poderão ser vistos os filmes infantis de Mundo Animado, a Mostra Spike Lee e dois filmes vencedores de edições anteriores do BIFF: o cubano “Numa escola em Havana” e o paraguaio “7 caixas”. As sessões no SESC Ceilândia ocorrerão diariamente e terão sempre entrada franca – de manhã e à tarde, sessões infantis, e à noite, filmes com classificação indicativa para maiores de 16 anos.

O Festival

Ao longo de dez dias, o 6º BIFF vai exibir 40 filmes de diferentes nacionalidades, muitos deles detentores de alguns dos mais prestigiados prêmios do cinema mundial. Só dentre as pré-estreias estão títulos como “Guerra Fria”, do polonês Pawel Pawlikowski, premiado como melhor diretor do Festival de Cannes 2018, e “Utoya – 22 de julho”, do norueguês Erik Poppe, indicado ao Urso de Ouro de Berlim e com lançamento mundial previsto para 29 de novembro de 2018.

Os filmes que irão integrar as duas mostras competitivas também não ficam atrás. Produzidos na Alemanha/México, Brasil, Eslovênia, França, China, Coreia do Sul, Dinamarca, Suécia, Itália, Nigéria, Peru, Argentina, Espanha, Vietnã, Polônia e Colômbia, são títulos finalizados entre 2017 e 2018 e, de acordo com o perfil do festival, compõem até o terceiro filme de cada diretor. Alguns deles já conquistaram o júri de festivais como Sundance, Berlim e Locarno.

A comissão de seleção foi composta pelo cineasta, professor e curador Sérgio Moriconi, pela professora e curadora Erika Bauer, pela jornalista e curadora Anna Karina de Carvalho, pela produtora e curadora Rafaella Rezende e pelo crítico Rodrigo Fonseca. O júri oficial é composto pela pesquisadora Berê Bahia, pelo professor João Lanari, pelo diretor e roteirista Miguel Rocca, pela diretora e produtora Paloma Rocha e pelo jornalista, tradutor e crítico de cinema José Geraldo Couto.

Os longas-metragens que concorrem na Mostra de Ficção disputam os prêmios de Melhor Filme do Júri Oficial (R$ 20 mil) e do Júri Popular (R$ 5 mil). Os filmes de documentário também concorrem aos prêmios de Melhor Filme do Júri Oficial (R$ 10 mil) e do Júri Popular (R$ 5mil). E as duas categorias competem pelo Troféu da Crítica José Carlos Avellar, que terá júri composto pelos jornalistas e críticos Cecília Barroso, Celso Araújo e Ricardo Daehn.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Ritmos e expressões culturais do Norte do País marcam festa de entrega do prêmio

10.11.2018 – 15:15

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu nesta sexta-feira (09), no Theatro da Paz, em Belém, a cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que chega este ano à 31ª edição. Foram premiados oito projetos que se destacaram por sua contribuição para a promoção, valorização, proteção e gestão do Patrimônio Cultural Brasileiro. A festa marcou também o encerramento de uma série de atividades desenvolvidas pelo Iphan, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, voltadas para o Patrimônio Cultura da Região Norte.

Cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade. Fotos (capa e interna): Déborah Gouthier

 

Patrimônio Material

Entre as oito ações premiadas na noite de ontem está o Projeto OCA – Origens, Cultura e Ambiente (PA), desenvolvida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), que uniu pesquisadores e comunidades no município de Gurupá, localizado na área de confluência entre os rios Amazonas e Xingu, no Pará. A interação entre a população e os pesquisadores teve início em 2014, durante o processo de escavação arqueológica no Forte de Gurupá e no sítio arqueológico Carrazedo, localizado dentro de território quilombola. Desde então o Projeto OCA realiza ações envolvendo patrimônio arqueológico. Juntos, comunidade, pesquisadores, estudantes e instituições parceiras, passaram a vivenciar o Patrimônio Cultural.

Vem do Centro Histórico de Belém a proposta do projeto Circular Campina Cidade Velha, um dos premiados do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Com cinco edições anuais já realizadas, o projeto oferece ações que unem arte, gastronomia, meio-ambiente e educação patrimonial. O objetivo é estimular o processo de revalorização do local, com a participação de parceiros institucionais e produtores independentes ali instalados que, de forma programada, abrem suas portas oferecendo atividades culturais.

O projeto Vila Maria Zélia – 100 anos, da Associação Cultural Vila Maria Zélia, de São Paulo, foi desenvolvido para celebrar, em 2017, os 100 anos da fundação dessa vila operária. Maria Zélia é um conjunto de edificações tombado em 1992 pelos conselhos de preservação do patrimônio histórico do município e do estado de São Paulo. No ano passado, durante as comemorações do centenário da vila, foram realizadas atividades como debates, exposições para apresentar a história e atual situação da vila enquanto patrimônio histórico da capital. As 210 famílias da pequena Vila transformaram suas memórias em um Centro Cultural, em livro, filme e exposição.

A recuperação de um antigo engenho e o esforços para mantê-lo preservado foram motivaram o projeto Restauração e Revitalização da Fazenda Engenho D’Água. Localizado no município de São Francisco do Conde (BA), a fazenda Engenho D’água, cuja história remete ao início do século 17, é referência para a área do Recôncavo da Bahia de Todos os Santos por ser um dos poucos engenhos preservados região. Além de hospedar turistas, a fazenda, que utiliza o patrimônio para viabilizar sua conservação, promove eventos, mantém atividades como pecuária e cultivo do cacau.

 

Patrimônio Imaterial  

Ação ganhadora do Prêmio, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, desenvolvida a partir da necessidade de elaboração do Plano Estadual de Cultura, abre espaços para debates interdisciplinares entre diversas instituições com o objetivo de compreender, difundir, valorizar, reconhecer, preservar e salvaguardar o patrimônio cultural de Pernambuco. Os debates, seminários reúnem gestores, estudantes, pesquisadores, população e profissionais que atuam na área em uma programação divida nos eixos brincar, experimentar, interpretar e pensar o patrimônio.

Letras que Flutuam é o nome do projeto que destaca a tradição familiar dos chamados abridores de letra, artistas que escrevem nomes nos barcos que navegam pelos rios do Pará. O projeto se desenvolveu nas regiões de Santarém, Marajó, Foz do Tocantins e Belém, Pará. A partir desses locais, se estendeu para municípios próximos, realizando o inventario e catalogação da arte e dos artistas. A ação abordou as prováveis origens, a história dessa arte, as influências que recebeu, a relação com o modo de vida ribeirinho e os desdobramentos e transformações a partir do desenvolvimento de novas técnicas e ferramentas de trabalho. Com um processo de construção conjunto com as comunidades, em 2017, o documentário Marajó das Letras: os abridores de letras da Amazônia Marajoara foi apresentado como segunda etapa da pesquisa.

Outro premiado, II Caravana do Museu Indígena Tremembé leva às diversas aldeias de 14 etnias do Ceará, atividades que contribuem para a preservação da memória, do patrimônio imaterial e para a difusão da cultura dos povos indígenas do estado. A primeira caravana foi realizada em 2016 e a segunda edição da caravana em 2017, com o apoio da Secretaria da Cultura do Ceará, e percorrendo 21 municípios. As atividades incluíram palestras, apresentações culturais e narrativas de memória, religiosidade e saberes medicinais, divididas em oficinas com as temáticas Políticas Culturais, Histórias dos Saberes dos Povos Indígenas e Histórias dos Troncos Velhos (tradições indígenas).

O Sonário do Sertão também foi uma das ações ganhadoras do prêmio. A proposta do projeto é fazer um registro sonoro da cultura sertaneja, no qual o acervo dos sons das comunidades acaba retratando seu Patrimônio Cultural. O inventário preserva o patrimônio imaterial do sertão de Pernambuco e Bahia. Iniciado em 2015, o Sonário do Sertão desenvoleu oficinas de capacitação técnica para os registros de áudio, levantamento do que seria registrado, debates e formação sobre a cultura do ouvir e a prática da escuta. O Sonário conta com registro de sons do cotidiano do semiárido brasileiro, como canto dos pássaros, som de carroças em movimento, do entardecer, de galinheiro, assim como grupos musicais, cantigas, orações, os cantos de trabalho e melodias assoviadas durante a plantação da mandioca e festas religiosas. As histórias narradas pelas anciãs e anciãos foram também registradas e, nessas conversas, os cantos e diversos sons participam no meio das narrativas, onde o contar e o cantar tornam-se uma coisa só.

 

Menção honrosa

Receberam o prêmio na categoria Menção Honrosa os projetos Conjunto da obra do Prodetur Nacional (PE), Conservação, Restauro e Zeladoria do Château d’Eau (RS), Preservação da Imagem e Memória da Amazônia por John Adrian Cowell (GO), Assis Horta: Retratos (MG), “Saber Fazer”: Erva-mate do Planalto Norte Catarinense (SC), Projeto Gema (RS), O Museu no Balanço das Águas (AL) e Saberes e Conhecimentos do povo Apinajé (TO).

 

Sobre o prêmio

Criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. Foi assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente da instituição. A escolha de Belém, capital paraense, para sediar a 31ª edição, se deve ao fato de o Iphan, em 2018, dedicar parte de suas atividades à promoção do Patrimônio Cultural do Norte brasileiro. A festa contou com apresentações culturais como o carimbó, bem registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, além de outras expressões tradicionais do Norte, como o Boi-Bumbá de Parintins.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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MinC anuncia aporte no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

8.11.2018 – 16:59

Nesta quarta-feira (7), o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, participou da cerimônia que celebrou o 180º aniversário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro (RJ). Entre outras ações, foi anunciado convênio com o IHGB voltado para as celebrações dos 200 anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022. Essa será a primeira exposição do instituto realizada em parceria com o Ministério da Cultura (MinC).

Do aporte do MinC de R$ 224 mil, R$ 140 mil serão para a realização do seminário e exposição ‘Aclamação de D. João VI no Rio de Janeiro’. Foto: Clara Angeleas (Ascom/MinC)

Na solenidade, o ministro fez o anúncio do aporte de R$ 224 mil do Ministério da Cultura (MinC) à entidade. Deste montante, R$ 140 mil são para a realização do seminário e exposição ‘Aclamação de D. João VI no Rio de Janeiro’. Os R$ 84 mil restante serão aplicados, exclusivamente, em atividades de preservação da memória histórica e geográfica brasileira. Até 2022, deverão ser realizados dois eventos por ano, entre seminários, exposições ou outras atividades.

Para o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o anúncio de recursos para o IHGB é parte de um processo de valorização de uma instituição quase bicentenária, que presta relevantes serviços ao País. “É digno de celebração chegar aos 180 anos como instituição atuante, pulsante que cumpre os seus objetivos estatutários com louvor, possibilitando às novas gerações o contato com a história. A história do IHGB se confunde com a história do Brasil”, ressaltou.

Estiveram presentes na celebração dos 180 anos do IHGB associados e representantes de institutos, estaduais e nacionais, acadêmicos e de patrimônio, além do o cônsul geral adjunto de Portugal, João de Deus.

 

Obra de arte

No evento foi informada a aquisição, por parte do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), entidade vinculada do MinC, do óleo sobre tela “Barão e Baronesa de Nova Friburgo”, do pintor alemão Emil Bauch. O quadro, de 1867, retrata a família do barão do café Antônio Clemente Pinto, primeiro morador do Palácio do Catete, hoje Museu da República.

O obra de Bauch foi adquirida pelo Instituto Histórico Geográfico Brasileiro (IHGB) em 1920. Em 1974, foi cedida ao Museu da República, onde está em exposição permanente até hoje. A aquisição do quadro é parte de um processo de regularização de posses de obras do Instituto Brasileiro de Museus. Ela foi avaliada em R$ 500 mil e será comprada pelo valor de R$ 450 mil.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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