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Mestra da cultura popular e pesquisadora, a jongueira Alessandra Ribeiro participa de live


A jongueira Alessandra participa da ação Patrimônio Cultural #EmCasa nesta sexta-feira, dia 22 de maio

A pesquisa acadêmica foi uma forma de visibilizar a ancestralidade do Jongo na vida da mestra Alessandra Ribeiro, 44, convidada da ação Patrimônio Cultural #EmCasa desta sexta-feira, 22 de maio. Em Campinas (SP), Alessandra faz parte do movimento que garantiu direitos à periferia por meio do Patrimônio Cultural. A mobilização comunitária dos últimos anos e os projetos realizados serão alguns dos temas abordados pela mestra Alessandra durante o bate-musical promovido a partir da parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e mestres e mestras da cultura popular.

“Efetivamente, o Jongo mudou minha vida. Nasci numa família negra, matriarcal e periférica de Campinas. Até os 20 anos, não sabia que meu avô era jongueiro. Conheci, me emocionei, me envolvi”, descreve mestra Alessandra Ribeiro. “Comecei a sonhar com um homem negro. Resolvi fazer uma festa em casa, com meus familiares, meus tios mais velhos. E aí fui recuperar a história do meu avô Benedito Ribeiro. Descobri que meu avô fazia Jongo”, reconta ela, liderança na comunidade Jongo Dito Ribeiro, homenagem ao avô de Alessandra, cuja família se estabeleceu em Campinas na década de 1930.

Com a morte de Dito Ribeiro, a família deixou de praticar o Jongo, mas o sonho foi um chamado à prática e, na sequência, estímulo à vida acadêmica da jongueira. “Entrei na faculdade em 2005. E meu TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] foi um balanço historiográfico sobre tudo o que foi produzido na academia sobre o Jongo até 2008”, conta ela.

Da graduação ao mestrado, a história da manifestação atravessa a pesquisa: à época, a fazenda Roseira, periferia de Campinas, criada no início do século XIX, estava em processo de desapropriação para se tornar bem público da prefeitura. Diretamente implicada nas memórias da comunidade ao redor e marca da trajetória do Jongo, a fazenda se tornou espaço gerido pela comunidade. E o processo foi abordado pela pesquisa de mestrado de Alessandra. Hoje, a fazenda abriga o Centro de Referência do Jongo de São Paulo, onde visitantes são convidados a conhecer a manifestação, podendo participar de vivências sobre a prática e conhecer as comunidades jongueiras.

“Sou a primeira detentora do Jongo que alcançou uma pós-graduação”, conta Alessandra, cuja pesquisa de doutorado ampliou a abordagem. “Fiz um levantamento para catalogar o que eram bens de matriz africana em Campinas”, explica a pesquisadora, que também é mãe de santo na umbanda. “Foi o Jongo que me formou como ser humano social, cultural, político”, diz. Para ela, o Patrimônio Cultural imaterial possibilitou a garantia de direitos à comunidade. “Mesmo com uma sociedade racista, o Jongo me fortalece para que eu possa entender que eu posso estar em todos os lugares.”

A ancestralidade jongueira no interior do São Paulo e a mobilização da comunidade Dito Ribeiro vão estar entre canções do Jongo na edição desta sexta-feira, dia 22 de maio, da ação Patrimônio Cultural #Emcasa. A ação visa a visibilizar saberes e práticas de bens registrados, além de ressaltar a necessidade do isolamento social como principal medida de contenção da pandemia de Covid-19.

Jongo no Sudeste

Dança coletiva, percussão de tambores e cultos de matriz africana e do catolicismo popular compõem o universo do Jongo no Sudeste, expressão afro-brasileira registrada como Patrimônio Cultural do Brasil em 2005. Praticado nas periferias das cidades e em comunidades rurais do Sudeste brasileiro, o Jongo também é uma forma de louvação aos antepassados, consolidação de tradições a afirmação da identidade negra, permeado por saberes, ritos e crenças africanas, sobretudo as de origem na língua bantu. O Jongo emerge entre a população escravizada que trabalhava nas lavouras de café e cana, principalmente no vale do Rio Paraíba, sendo, também, uma forma de comunicação como estratégia de sobrevivência e transmissão de conhecimentos.

Serviço
Patrimônio Cultural #Emcasa
Data: 22 de maio de 2020, às 18h
Local: na sua casa
Para assistir, basta acessar as redes sociais do Iphan:
www.facebook.com/IphanGovBr
www.twitter.com/IphanGovBr
www.instagram.com/iphan.gov.br

Mais informações para imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan
comunicacao@iphan.gov.br
Moisés Sarraf – moises.sarraf@iphan.gov.br
(61) 2024-5526 / (91) 98165-4577

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Prêmio Culturas Populares: confira o resultado preliminar de classificação

No total, foram avaliadas 909 iniciativas de mestres e 185 de pessoas jurídicas sem fins lucrativos. Candidatos desclassificados têm cinco dias para pedir reconsideração

O Ministério da Cidadania divulgou nesta quinta-feira (17) o resultado preliminar da fase de classificação do Prêmio Culturas Populares – Edição Teixeirinha. Este ano, serão destinados R$ 5 milhões a 250 iniciativas que contribuam para fortalecer e dar visibilidade a atividades da cultura popular e tradicional de todo o Brasil. Cada um dos premiados vai receber R$ 20 mil.

No total, foram avaliadas 909 iniciativas de mestres e mestras, com 672 classificados e 237 desclassificados. No caso de pessoas jurídicas sem fins lucrativos com finalidade ou natureza cultural, foram apreciados 185 projetos, dos quais 178 foram classificados e 07, desclassificados.

Os candidatos desclassificados podem enviar pedido de reconsideração da fase de classificação, no prazo de cinco dias corridos a partir desta quinta-feira (17), de acordo com os seguintes passos:

  1. Acesse a endereço http://cidadania.gov.br e escolha a opção “Fale Conosco”
  2. Acesse a Central de Relacionamento e clique no campo Formulário Eletrônico e registe aqui sua manifestação.
  3. Acesse o campo: Solicitação e selecione o assunto: Recurso-Edital PCP 2019 – Teixeirinha.
  4. E no campo “Informe o assunto” escreva: Recurso-Edital PCP 2019 – Teixeirinha.
  5. Informe o seu perfil: Não beneficiário em seguida preencha o formulário.
  6. Anexe o formulário próprio do pedido de reconsideração que deverá estar devidamente assinado de próprio punho.
  7. Clique em ENVIAR.
  8. Anote o seu número de protocolo e aguarde o e-mail de confirmação.

Sobre o Prêmio Culturas Populares

Na edição de 2019, os prêmios estão divididos em 150 iniciativas de mestres e mestras (pessoas físicas); 90 iniciativas de pessoas jurídicas sem fins lucrativos com finalidade ou natureza cultural expressa em seu estatuto, já reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva; e 10 iniciativas de pessoas jurídicas sem fins lucrativos com finalidade ou natureza cultural expressa em seu estatuto, já reconhecidas como Pontos de Cultura ou cadastradas na Plataforma Rede Cultura Viva e que comprovem ações em acessibilidade cultural.

A cada ano, o Prêmio Culturas Populares homenageia um expoente da cultura popular brasileira. Este ano, o homenageado é o cantor, compositor e ator gaúcho Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, falecido em 1985, aos 58 anos. Natural de Rolante (RS), Teixeirinha nasceu em 1927, ficou órgão aos nove anos e foi morar com parentes que não tinham condições de sustentá-lo. Para sobreviver, fez um pouco de tudo antes de se revelar grande artista. Ainda menino, carregou malas em portas de pensões, entregou marmitas e vendeu jornais e doces como ambulante.

A carreira de cantor teve início nas rádios das cidades do interior do Rio Grande do Sul, como Lajeado, Estrela e Rio Pardo. Apesar de nunca ter cursado aulas de música ou canto, contava com seus dons naturais – a bela voz e a improvisação – que fizeram com que se tornasse um exímio repentista. Carismático, escrevia canções simples que tocavam o público. Seu acervo, que reúne mais de 1.200 canções lançadas em cerca de 70 discos, atualmente é preservado pela Fundação Vitor Mateus Teixeira.

Fonte: Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania

Informações para a imprensa:
(61) 2024-2266 / 2412

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Museu da Abolição promove bloco Grito dos Abolidos

Ação levará às ruas do Recife temáticas como empoderamento negro, fortalecimento da memória afro e valorização da diversidade

(publicado: 27/02/2019 15h52, última modificação: 27/02/2019 15h52)

O bloco “O Grito dos Abolidos” vai desfilar nesta sexta-feira (1/3), a partir das 15h, com concentração na Praça João Alfredo (Foto: Ibram)

Muitas vezes definido como “candomblé de rua”, o afoxé é uma manifestação de música e dança que leva para fora dos limites dos terreiros brasileiros uma amostra da riqueza sensorial, simbólica e estética que caracteriza a espiritualidade de matriz africana.

Às vésperas do carnaval deste ano, uma iniciativa do Museu da Abolição, situado em Recife (PE) e vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), utilizará o afoxé como plataforma para levar às ruas da capital pernambucana temáticas como empoderamento negro, afirmação política desta população, fortalecimento da memória afro e valorização da diversidade.

A ação ocorre nesta sexta-feira (1º), a partir das 15h, com o desfile do bloco “O Grito dos Abolidos”. O bloco terá concentração na praça João Alfredo, no bairro de Madalena, saindo em cortejo até o jardim interno do MAB, na mesma região. O desfile será animado pela apresentação do Afoxé Omim Sabá, do bairro do Cordeiro.

O desfile, que ocorre em meio à abertura de um dos carnavais mais tradicionais do Brasil, também pretende contribuir para que problemas como assédio, violência, racismo e intolerância não manchem a celebração da maior festa popular brasileira em Pernambuco. A atividade é gratuita e aberta à participação de qualquer pessoa, de todas as faixas etárias. O Museu da Abolição fica na Rua Benfica, 1150 – Madalena, em Recife (PE).

 

Assessoria de Comunicação
Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)
Ministério da Cidadania

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Prêmio Rodrigo: abertas inscrições para ações que valorizam o Patrimônio

Serão selecionados oito ações no campo do Patrimônio Cultural do Brasil. Cada premiado receberá o valor de R$ 30 mil

Os projetos que atuam na preservação e promoção do Patrimônio Cultural Brasileiro já podem participar do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade deste ano. Reconhecido mundialmente pela sua diversidade cultural, o Brasil é um país que condensa em sua identidade a influência de vários grupos que colaboraram para a formação da sociedade brasileira. Há 32 anos, o Prêmio Rodrigo, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania, estimula e valoriza aqueles que atuam em favor da preservação dos bens culturais do país.

No edital deste ano, serão selecionados oito ações no campo do Patrimônio Cultural do Brasil. Cada premiado receberá o valor de R$ 30 mil. Os projetos inscritos deverão ser entregues nas superintendências do Iphan nos estados até o dia 17 de maio. As ações serão pré-selecionadas pelas comissões estaduais, compostas por representantes das diferentes áreas culturais de cada estado, presidida pelo superintendente. Os projetos vencedores na etapa estadual serão analisados pela Comissão Nacional de Avaliação, formada pela presidente do Iphan e por 19 jurados que atuam nas áreas de preservação ou salvaguarda do Patrimônio Cultural. O resultado final do concurso deverá ser divulgado até o dia 20 de agosto de 2019 no site do Iphan.

Patrimônio Cultural do Sul

Em 2019, o Iphan está promovendo o Patrimônio Cultural do Sul do país. Desde sua criação, o Prêmio Rodrigo vem se aperfeiçoando e estabelecendo novas propostas que refletem a evolução das políticas de valorização e proteção dos bens culturais. Desde 2016, a cerimônia de premiação tem sido realizada em diferentes estados, visando estimular a participação comunitária na celebração das conquistas de parceiros que se dedicam à proteção, promoção e valorização do Patrimônio Cultural Brasileiro. Por isso, em consonância com a proposta do Iphan, a celebração da 32ª edição do Prêmio Rodrigo será em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

Nesta edição, o Prêmio Rodrigo traz duas grandes categorias, subdivididas em quatro seguimentos:

Categoria 1 – Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Material: referem-se às ações nas áreas de preservação de bens de natureza material, como paisagens culturais, cidades históricas, sítios arqueológicos, edificações e monumentos; e ainda as coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos, assim como ações relacionadas de comunicação, difusão e educação, e devem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas que sejam responsáveis por sua concepção, autoria ou responsabilidade técnica.

Categoria 2 – Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Imaterial: referem-se às ações nas áreas de salvaguarda de práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; ritos e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade e do entretenimento; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares que abrigam práticas culturais coletivas. Ainda, coleções e acervos associados a estas manifestações culturais, assim como ações de comunicação, difusão e educação relacionadas, e devem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas que sejam responsáveis por sua concepção, autoria ou responsabilidade técnica.

Segmento I – Entidades governamentais da administração direta e indireta (autarquias; empresas públicas; sociedades de economia mista; e fundações públicas) dos níveis federal, estadual ou municipal;

Segmento II – Empresas e fundações privadas, não contempladas no segmento III;

Segmento III – Instituições sem fins lucrativos da sociedade civil organizada;

Segmento IV – Pessoas físicas individuais e representantes de grupos ou coletivos não constituído em pessoa jurídica.

Serão selecionadas, ao todo, oito ações, sendo uma de cada segmento, por categoria.

A Comissão Nacional de Avaliação

Presidida pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa, a Comissão Nacional de Avaliação desempenha um papel de extrema relevância para a promoção dos bens culturais do Brasil. É formada por profissionais do campo do patrimônio material, do patrimônio imaterial, por representantes de instituições públicas e da sociedade civil, experientes, qualificados e envolvidos em caráter permanente com a produção e proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro.

Assessoria de Comunicação
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cidadania

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Ritmos e expressões culturais do Norte do País marcam festa de entrega do prêmio

10.11.2018 – 15:15

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu nesta sexta-feira (09), no Theatro da Paz, em Belém, a cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que chega este ano à 31ª edição. Foram premiados oito projetos que se destacaram por sua contribuição para a promoção, valorização, proteção e gestão do Patrimônio Cultural Brasileiro. A festa marcou também o encerramento de uma série de atividades desenvolvidas pelo Iphan, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, voltadas para o Patrimônio Cultura da Região Norte.

Cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade. Fotos (capa e interna): Déborah Gouthier

 

Patrimônio Material

Entre as oito ações premiadas na noite de ontem está o Projeto OCA – Origens, Cultura e Ambiente (PA), desenvolvida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), que uniu pesquisadores e comunidades no município de Gurupá, localizado na área de confluência entre os rios Amazonas e Xingu, no Pará. A interação entre a população e os pesquisadores teve início em 2014, durante o processo de escavação arqueológica no Forte de Gurupá e no sítio arqueológico Carrazedo, localizado dentro de território quilombola. Desde então o Projeto OCA realiza ações envolvendo patrimônio arqueológico. Juntos, comunidade, pesquisadores, estudantes e instituições parceiras, passaram a vivenciar o Patrimônio Cultural.

Vem do Centro Histórico de Belém a proposta do projeto Circular Campina Cidade Velha, um dos premiados do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Com cinco edições anuais já realizadas, o projeto oferece ações que unem arte, gastronomia, meio-ambiente e educação patrimonial. O objetivo é estimular o processo de revalorização do local, com a participação de parceiros institucionais e produtores independentes ali instalados que, de forma programada, abrem suas portas oferecendo atividades culturais.

O projeto Vila Maria Zélia – 100 anos, da Associação Cultural Vila Maria Zélia, de São Paulo, foi desenvolvido para celebrar, em 2017, os 100 anos da fundação dessa vila operária. Maria Zélia é um conjunto de edificações tombado em 1992 pelos conselhos de preservação do patrimônio histórico do município e do estado de São Paulo. No ano passado, durante as comemorações do centenário da vila, foram realizadas atividades como debates, exposições para apresentar a história e atual situação da vila enquanto patrimônio histórico da capital. As 210 famílias da pequena Vila transformaram suas memórias em um Centro Cultural, em livro, filme e exposição.

A recuperação de um antigo engenho e o esforços para mantê-lo preservado foram motivaram o projeto Restauração e Revitalização da Fazenda Engenho D’Água. Localizado no município de São Francisco do Conde (BA), a fazenda Engenho D’água, cuja história remete ao início do século 17, é referência para a área do Recôncavo da Bahia de Todos os Santos por ser um dos poucos engenhos preservados região. Além de hospedar turistas, a fazenda, que utiliza o patrimônio para viabilizar sua conservação, promove eventos, mantém atividades como pecuária e cultivo do cacau.

 

Patrimônio Imaterial  

Ação ganhadora do Prêmio, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, desenvolvida a partir da necessidade de elaboração do Plano Estadual de Cultura, abre espaços para debates interdisciplinares entre diversas instituições com o objetivo de compreender, difundir, valorizar, reconhecer, preservar e salvaguardar o patrimônio cultural de Pernambuco. Os debates, seminários reúnem gestores, estudantes, pesquisadores, população e profissionais que atuam na área em uma programação divida nos eixos brincar, experimentar, interpretar e pensar o patrimônio.

Letras que Flutuam é o nome do projeto que destaca a tradição familiar dos chamados abridores de letra, artistas que escrevem nomes nos barcos que navegam pelos rios do Pará. O projeto se desenvolveu nas regiões de Santarém, Marajó, Foz do Tocantins e Belém, Pará. A partir desses locais, se estendeu para municípios próximos, realizando o inventario e catalogação da arte e dos artistas. A ação abordou as prováveis origens, a história dessa arte, as influências que recebeu, a relação com o modo de vida ribeirinho e os desdobramentos e transformações a partir do desenvolvimento de novas técnicas e ferramentas de trabalho. Com um processo de construção conjunto com as comunidades, em 2017, o documentário Marajó das Letras: os abridores de letras da Amazônia Marajoara foi apresentado como segunda etapa da pesquisa.

Outro premiado, II Caravana do Museu Indígena Tremembé leva às diversas aldeias de 14 etnias do Ceará, atividades que contribuem para a preservação da memória, do patrimônio imaterial e para a difusão da cultura dos povos indígenas do estado. A primeira caravana foi realizada em 2016 e a segunda edição da caravana em 2017, com o apoio da Secretaria da Cultura do Ceará, e percorrendo 21 municípios. As atividades incluíram palestras, apresentações culturais e narrativas de memória, religiosidade e saberes medicinais, divididas em oficinas com as temáticas Políticas Culturais, Histórias dos Saberes dos Povos Indígenas e Histórias dos Troncos Velhos (tradições indígenas).

O Sonário do Sertão também foi uma das ações ganhadoras do prêmio. A proposta do projeto é fazer um registro sonoro da cultura sertaneja, no qual o acervo dos sons das comunidades acaba retratando seu Patrimônio Cultural. O inventário preserva o patrimônio imaterial do sertão de Pernambuco e Bahia. Iniciado em 2015, o Sonário do Sertão desenvoleu oficinas de capacitação técnica para os registros de áudio, levantamento do que seria registrado, debates e formação sobre a cultura do ouvir e a prática da escuta. O Sonário conta com registro de sons do cotidiano do semiárido brasileiro, como canto dos pássaros, som de carroças em movimento, do entardecer, de galinheiro, assim como grupos musicais, cantigas, orações, os cantos de trabalho e melodias assoviadas durante a plantação da mandioca e festas religiosas. As histórias narradas pelas anciãs e anciãos foram também registradas e, nessas conversas, os cantos e diversos sons participam no meio das narrativas, onde o contar e o cantar tornam-se uma coisa só.

 

Menção honrosa

Receberam o prêmio na categoria Menção Honrosa os projetos Conjunto da obra do Prodetur Nacional (PE), Conservação, Restauro e Zeladoria do Château d’Eau (RS), Preservação da Imagem e Memória da Amazônia por John Adrian Cowell (GO), Assis Horta: Retratos (MG), “Saber Fazer”: Erva-mate do Planalto Norte Catarinense (SC), Projeto Gema (RS), O Museu no Balanço das Águas (AL) e Saberes e Conhecimentos do povo Apinajé (TO).

 

Sobre o prêmio

Criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. Foi assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente da instituição. A escolha de Belém, capital paraense, para sediar a 31ª edição, se deve ao fato de o Iphan, em 2018, dedicar parte de suas atividades à promoção do Patrimônio Cultural do Norte brasileiro. A festa contou com apresentações culturais como o carimbó, bem registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, além de outras expressões tradicionais do Norte, como o Boi-Bumbá de Parintins.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Saiu resultado final da premiação: MinC investirá R$ 10 milhões em 500 iniciativas culturais populares

22.10.2018 – 12:12

O Ministério da Cultura (MinC) divulgou nesta segunda-feira (22), no Diário Oficial da União, o resultado final do Prêmio Culturas Populares 2018 – edição Selma do Coco. Foram 500 iniciativas culturais populares vencedoras, em todos os estados brasileiros, além do Distrito Federal. Nesta edição, o valor da premiação passou de R$ 10 mil para R$ 20 mil. O valor global – R$ 10 milhões – é o maior volume de recursos já concedido em seis edições da premiação. A edição atual ainda incluiu a inscrição de novos arranjos da cultura popular, como a aparelhagem e a guitarrada. Também foram permitidas a participação de indígenas, ciganos, capoeiristas e ações de hip hop.

Serão agraciados 200 prêmios para iniciativas de mestres e mestras (pessoa física); 192 para iniciativas de grupos sem Cnpj; 77 para pessoas jurídicas sem fins lucrativos; 11 para pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural; e 20 para herdeiros de mestres e mestras já falecidos (in memoriam), totalizando 500 prêmios.

“O formato deste edital permitiu uma isonomia regional, onde todas as regiões foram representadas e reconhecidas. Além disso, não só as culturas populares tradicionais foram reconhecidas, como também as manifestações dos novos arranjos, das inovações culturais”, avalia a secretária de Diversidade Cultural do MinC, Magali Moura.

Nas categorias de mestre, grupos sem Cnpj e entidades e mestres in memoriam, os prêmios ficaram distribuídos da seguinte forma: Nordeste (124), Sudeste (121), Norte (98), sul (96) e Centro-Oeste (50). Quanto aos 11 premiados com ações comprovadas em acessibilidade cultural, cinco são do Nordeste, três do Sul, dois do Sudeste e um do Centro-Oeste.

Ao todo, foram 2.227 inscrições para a edição Selma do Coco, sendo 1.482 habilitadas: 784 de mestres, 367 de grupos e comunidades, 296 de instituições privadas sem fins lucrativos e 35 de herdeiros de mestres já falecidos (in memoriam). Os estados com mais inscritos foram Paraíba (254), Minas Gerais (238), Bahia (228), Pernambuco (221) e São Paulo (194).

Os selecionados têm 15 dias para atualizar os dados bancários informados ao MinC no momento de inscrição, caso tenham mudado. Em caso de dúvidas, basta enviar um e-mail para editais.sdc@cultura.gov.br.

 

Premiação

O objetivo da iniciativa é fortalecer as expressões culturais populares brasileiras, retomando práticas populares em processo de esquecimento e que difundam as expressões populares para além dos limites de suas comunidades de origem. Exemplos dessas iniciativas são o cordel, a quadrilha, o maracatu, o jongo, o cortejo de afoxé, o bumba-meu-boi e o boi de mamão, entre outros.

As iniciativas foram analisadas por uma Comissão de Seleção que avaliou critérios como contribuição sociocultural que o projeto proporciona às comunidades; melhoria da qualidade de vida das comunidades a partir de suas práticas culturais; e impacto social e contribuição da atuação para a preservação da memória e para a manutenção das atividades dos grupos, entre outros.

Neste ano, a premiação homenageia a cantora pernambucana Selma do Coco (1929-2015). Nascida na cidade de Vitória de Santo Antão, Selma deixou como principal legado a sua contribuição para a consolidação do coco, ritmo típico do Nordeste brasileiro, como referência nacional. A artista gravou três álbuns e participou de festivais internacionais nos Estados Unidos e na Europa, além de ter ganhado o antigo Prêmio Sharp, hoje Prêmio da Música Brasileira.

 

Acesso Rápido

 Confira o resultado final da premiação

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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