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Aberta consulta pública sobre o Modo Artesanal de Fazer Queijo Minas e o Modo de Fazer a Viola de Cocho

População pode se manifestar sobre pareceres de reavaliação dos bens via postal, e-mail ou formulário digital

Viola de cocho

Modos de Fazer Viola de Cocho e Queijo de Minas passam por revalidação (Fotos: Francisco da Costa/Acervo Iphan-MG)

O Modo Artesanal de Fazer Queijo Minas e o Modo de Fazer a Viola de Cocho (MS e MT) vão passar por um processo de revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil. Com a publicação dos extratos de pareceres técnicos no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 2 de junho, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu prazo de 30 dias para que a população possa se manifestar sobre a revalidação dos dois bens. Até o dia 2 de julho, por meio de formulário digital, via postal ou e-mail, qualquer pessoa pode opinar sobre o tema.

Para a Revalidação do Título de Patrimônio Cultural, o Iphan elaborou, em parceria com comunidades detentoras, organizações diretamente envolvidas e pesquisadores, os pareceres de reavaliação, que trazem informações atualizadas dos bens. O documento faz uma comparação entre o momento em que foram registrados e os anos posteriores, identificando transformações e continuidades em aspectos culturalmente relevantes ou obstáculos à sua reprodução.

Feitura da viola de cocho(Foto: Francisco da Costa)A revalidação de um bem cultural registrado pelo Iphan acontece pelo menos a cada dez anos, de acordo com o Decreto nº 3.551/2000, que institui esse instrumento de proteção. Os processos de revalidação, portanto, são obrigatórios, já que previstos no ordenamento jurídico brasileiro.

De acordo com Tassos Lycurgo, diretor do Departamento de Patrimônio Material do Iphan, “vários bens que já tem mais de dez anos de registro e que já deveriam ter sido revalidados estão passando agora pelo processo, mas a sociedade pode ficar tranquila pois todos esses bens vencidos até aqui têm altíssima probabilidade de terem seus títulos revalidados”. Uma eventual perda do título só aconteceria em hipótese remota, em que o bem a ser salvaguardado não mais existisse ou no caso em que os detentores não demonstrassem interesse em seguir adiante com a relação que o registro estabelece entre eles e o Estado, o que não é o caso do Modo de Fazer Queijo e do Modo de Fazer Viola de Cocho, como os Pareces destacam.

Foram produzidos três pareceres: um para o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas e dois para o Modo de Fazer Viola de Cocho, um no estado de Mato Grosso e outro no estado de Mato Grosso do Sul. Os documentos também reúnem recomendações e encaminhamentos para o processo de salvaguarda dos bens.

As manifestações também podem ser realizadas via formulário digital disponível ao final da matéria. Detentores, organizações e cidadãos de qualquer idade podem se manifestar por meio do correio eletrônico dpi@iphan.gov.br ou via correspondência, enviando propostas para o Departamento de Patrimônio Imaterial – Diretor – SEPS Quadra 713/913, Bloco D, 4º andar – Asa Sul -Brasília – Distrito Federal – CEP: 70.390-135.

Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas(Foto: Rodolfo Cruz)Ao término dos 30 dias, as eventuais manifestações sobre o parecer de revalidação serão enviadas à Câmara Setorial do Patrimônio Imaterial a fim de subsidiar a avaliação do bem registrado. A Câmara, por sua vez, manifestará sua decisão sobre a reavaliação do bem e, por fim, o processo é encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que decide sobre a Revalidação do Título de Patrimônio Cultural do Brasil dos bens.

Sobre os bens

Registrado como Patrimônio Cultural em 2005, o Modo de Fazer Viola de Cocho nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se refere à produção artesanal desse instrumento musical, cuja singularidade reside em sua forma e na sonoridade. Esculpida em uma tora de madeira inteiriça, a viola de cocho é resultado dos saberes que orientam o manejo das matérias-primas típicas da região Centro-Oeste como o sarã-de-leite e o cedro. As comunidades detentoras desses conhecimentos são compostas pelos mestres cururueiros, que produzem a viola – um elemento fundamental nas rodas de cururu e siriri da região pantaneira.

Nas regiões do Serro, da Serra da Canastra e do Salitre (MG), foi registrado, em 2008, o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas. Reunindo um conjunto de conhecimentos para a produção de queijo de leite cru. A manipulação do leite, dos coalhos e das massas, a prensagem e a cura são partes dos saberes que conferem especificidade aos queijos produzidos. Mais que um conjunto de saberes e técnicas, o modo de fazer queijo e o seu produto se integram à vida cotidiana, à sociabilidade alimentar e constitui um marcador da identidade cultural dessas regiões.

Serviço:
Revalidação do Modo de Fazer a Viola de Cocho em Mato Grosso (MT)
Data: 2 de junho a 2 de julho de 2021
Formulário: https://forms.gle/teWoJ2xcBqSWrzVR8

Revalidação do Modo de Fazer a Viola de Cocho em Mato Grosso do Sul (MS)
Data: 2 de junho a 2 de julho de 2021
Formulário: https://forms.gle/XMQKwg1vHMjUnREq6

Revalidação do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas
Data: 2 de junho a 2 de julho de 2021
Formulário: https://forms.gle/yT3FPVFGXooGxcXJ9

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Cultura, Artes, História e Esportes
Fonte – Iphan

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Prêmio reconhece iniciativas exemplares de preservação de Sistemas Agrícolas Tradicionais

Ações de salvaguarda de sistemas produtivos tradicionais foram selecionadas em várias regiões brasileiras

Prêmio BNDES Sat

Colheita de bananas pacová agroecológicas em roça tradicional que serão enviadas para teste de desidratação na cozinha experimental de São Gabriel da Cachoeira/Créditos: Carlos Demeterco

No município de Santa Isabel do Rio Negro, no noroeste do Amazonas, a Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro (ACIMRN) implantou a Casa das Frutas, que dá suporte de infraestrutura e de gestão a diversas cadeias de valores para produtos desenvolvidos com frutas secas e atende povos indígenas que habitam aquela região. Essa iniciativa é a primeira colocada da 2ª edição do Prêmio BNDES de boas práticas de salvaguarda e conservação dinâmica de sistemas para agrícolas tradicionais. A cerimônia de entrega da premiação ocorrerá nesta sexta-feira (21/05), a partir das 10h, e será transmitida pelo canal oficial da Embrapa no YouTube.

A Casa das Frutas de Santa Isabel do Rio Negro será utilizada por agricultores de comunidades indígenas que abrigam mais de 60 comunidades localizadas em terras indígenas reconhecidas e em processo de reconhecimento pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O Sistema Agrícola Tradicional (SAT) do Rio Negro (AM), ancorado no cultivo da mandioca brava, foi registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil.

O Prêmio é uma iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Nazária Mandú Lopes colhe pimentas em sua roça, próxima à comunidade Canadá, no rio Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro (AM) -- Créditos: Carol Quintanilha/ISAA parceria entre essas entidades pretende dar visibilidade, fortalecer e apoiar as condições de sustentabilidade dos SATs existentes no Brasil, tendo como pressuposto o desenvolvimento de processos participativos de salvaguarda e o fortalecimento da autonomia das comunidades envolvidas. A premiação contribuiu para a identificação de diversos sistemas agrícolas em todos os biomas brasileiros e tem apoiado o esforço de designações internacionais como Sistema Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (Globally Important Agricultural Heritage Systems, GIAHS), da FAO.

“Para o Iphan, o reconhecimento e a promoção dados à diversidade cultural envolvida nas práticas premiadas reitera sua missão institucional e, também, os compromissos internacionais de preservação do Patrimônio Cultural brasileiro”, ressaltou a presidente do Iphan, Larissa Peixoto. “Uma maior sustentabilidade ambiental das práticas agrícolas no país nos estimula a continuar, sobretudo pela satisfação de poder premiar iniciativas de qualidade como as agraciadas nas duas edições do Prêmio BNDES SAT. Dar-lhes visibilidade é a nossa parcela do prêmio”, completou ela.

Na cerimônia de entrega da premiação, a presidente do Iphan vai lançar a segunda edição da publicação Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais que já está disponível no site do Iphan na versão digital. Clique aqui para acessar.

Num total de R$ 610 mil, o prêmio reconhece iniciativas exemplares de salvaguarda e conservação de sistemas agroalimentares tradicionais, desenvolvidas em associação com projetos agrícolas, pecuários, extrativistas, pesqueiros e afins que têm sua centralidade nos conhecimentos e técnicas da cultura de comunidades tradicionais e povos indígenas. Nesta segunda edição foram recebidas 41 propostas de todo o país, sendo 23 habilitadas e dez selecionadas e premiadas. As três primeiras colocadas receberam o valor bruto de R$ 70 mil e, as demais, de R$ 50 mil.

Imagens cedidas pela equipe do projeto Os ciclos do Yaokwa entre os Enawene Nawe qualificação e documentação de registros do Salomã, IphanSociedade de Amigos do Museu do Índio-SAMI (2016-2018). Acervo Iphan, 2017Em quarto lugar dentre as premiadas, no município de Comodoro (MT), está a iniciativa da Associação Etnocultural Indígena Enawene Nawe. Esta população indígena protagonizou esforços para assegurar a realização de sua roça tradicional, denominada Ikioakakwa, em um contexto desafiador de acesso a áreas produtivas que se encontram cada vez mais distanciadas da aldeia. Os principais produtos da roça Ikioakakwa são mandioca, batata-doce, cará, urucum, araruta e feijão. O SAT, que envolve ainda a pesca por barragens, alimenta toda a comunidade e está ligado de forma direta à cosmologia, à memória coletiva e à história desse povo indígena. O ancestral Ritual Yaokwa dos Enawene Nawe é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan desde 2010.

Diversidade brasileira

Os demais contemplados também desenvolveram propostas inovadoras em todas as regiões do país, como por exemplo, o segundo colocado, “Bancos Comunitários de Sementes da Paixão”, do Polo Sindical e das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema, no Agreste da Paraíba. O projeto vem crescendo desde 1993, presente em 13 municípios do Território da Borborema, que atualmente contam com 60 bancos e que juntos armazenam 27 toneladas de sementes crioulas distribuídas em 13 espécies e 145 variedades.

Da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, vem outra iniciativa, a terceira premiada: das comunidades de Apanhadoras e Apanhadores de Flores Sempre Vivas. É uma experiência de reconhecimento e valorização fomentada pelo Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas. O grupo se articula por meio da Comissão de Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (CODECEX) e já são reconhecidas pelo programa Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM) da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Os demais premiados foram: o Centro Cultural Kàjire, pela feira de sementes tradicionais da nação indígena Krahô, em Goiatins (TO); as comunidades tradicionais de fecho de pastos do Oeste da Bahia, pela iniciativa dos guardiões e guardiãs do cerrado em defesa da biodiversidade; a Associação dos Pescadores Artesanais de Porto Moz (Aspar), no Pará, pela conservação dos estoques pesqueiros e fortalecimento da entidade e da categoria; a Associação Indígena Ulupuwene, do Alto Xingu, pela festa do Kukuho (“espirito da mandioca”); o coletivo de agroflorestas e frutas nativas da região dos Campos de Cima da Serra Gaúcha, pela conservação e manutenção dos potreiros tradicionais, por meio do aproveitamento e uso das espécies vegetais nativas; e o Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica, do Vale do Jequitinhonha, em Minas, pelo Catálogo de Sementes Crioulas do Alto Jequitinhonha.

Sistemas Agrícolas Tradicionais

Acervo IphanOs sistemas agrícolas de povos indígenas e de comunidades tradicionais são parte importante da dinâmica econômica de diversas regiões e possuem formas únicas de praticar a agricultura. Expressando saberes particulares, os chamados Sistemas Agrícolas Tradicionais envolvem desde o cultivo da terra até diversos outros processos simbólicos e produtivos, de maneira integrada. Sua manutenção está vinculada aos saberes ancestrais dessas comunidades, patrimônios culturais que guardam modos únicos de preservação da agrobiodiversidade.

São registrados como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, no Amazonas (2010), e o Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, em São Paulo (2018). A partir do Registro são desenvolvidas ações de salvaguarda, com foco no apoio à sustentabilidade cultural dos saberes e práticas associados a esses bens culturais.

Conheça a publicação: Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais

Serviço

Cerimônia de premiação: 2ª edição do Prêmio BNDES
Datas: sexta-feira (21/05)
Horário: a partir das 10h
Transmissão ao vivo: canal da Embrapa no YouTube

 Legenda das fotos na ordem em que aparecem:

– 1ª: imagem: Colheita de bananas pacová agroecológicas em roça tradicional que serão enviadas para teste de desidratação na cozinha experimental de São Gabriel da Cachoeira – Crédito: Carlos Demeterco/ Instituto Socioambiental (ISA)

– 2ª imagem: Nazária Mandú Lopes colhe pimentas em sua roça, próxima à comunidade Canadá, no rio Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro (AM) — Créditos: Carol Quintanilha / Instituto Socioambiental (ISA)

– 3ª imagem: Imagem cedida pela equipe do projeto “Os ciclos do Yaokwa entre os Enawene Nawe” qualificação e documentação de registros do Salomã, IphanSociedade de Amigos do Museu do Índio-SAMI (2016-2018). Acervo Iphan, 2017

4ª imagem: Acervo Iphan

*Com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Informações para a imprensa
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Ação destaca tradição e cultura do Quilombo da Mumbuca

Quilombo Mumbuca

O Quilombo da Mumbuca, no Jalapão (TO), é conhecido nacionalmente pelos artesanatos de capim dourado. Na comunidade de mais de 300 anos, o trabalho envolve a colheita do capim, o trançado e a confecção das peças. Até recentemente, enquanto o extrativismo do capim dourado ganhava destaque, outras expressões iam aos poucos sendo esquecidas.

Uma dessas atividades culturais era a Viola de Buriti. Para não deixar calar o instrumento tradicional, o Grupo Quilombo Mumbuca e Pesquisa (GQMP) em parceria com a Associação dos Artesãos e Extrativista do Povoado Mumbuca e a Universidade Federal do Tocantins (UFT) começou em 2016 um trabalho para estimular o ensino da viola. “Temos estimulados violeiros mestres e aprendizes a apresentarem o som da viola para os turistas que visitam o Jalapão”, um dos responsáveis pela ação e morador do Quilombo Mumbuca, Givoene Matos da Silva.

Quilombo Mumbuca: Vozes da Cultura Jalapoeira (Foto: Divulgação).Outra iniciativa com intuito de fortalecer a cultura jalapoeira foi a abertura, em 2018, do Memorial “Quilombo Mumbuca: Vozes da Cultura Jalapoeira”, que reúne um acervo composto por objetos culturais e documentos ligados às formas de fazer e viver do povo do Jalapão. O memorial abriga oficinas, atividades cinematográficas, apresentações teatrais, práticas musicais, cantigas de roda e exposição de relíquias de artesanato de capim dourado.

Por fortalecer as práticas cotidianas da comunidade, a associação entre conhecimento tradicional e acadêmico e a autonomia na gestão do patrimônio por parte dos detentores, a ação ganhou menção honrosa na  33ª edição do Prêmio Rodrigo Rodrigo Melo Franco de Andrade 2020.

Em 2019, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), articulado com a comunidade quilombola, realizou o I Encontro de Violeiros para a Salvaguarda da Viola de Buriti. O encontro aconteceu durante XI Festa da Colheita do Capim Dourado e subsidiou os estudos de preparação do dossiê para pedido, feito pela comunidade, do registro da Viola do Buriti como patrimônio imaterial.

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Ação promove a cultura da lã no Rio Grande Sul

Em parceria com a UFRGS, ação visibiliza o saber-fazer das mulheres artesãs

Lãs do RS

Rio Grande do Sul é responsável por 98% da lã produzida no Brasil, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma atividade que mobiliza diversos saberes, como os cuidados com rebanho, tosa, fiação artesanal de peças.

O universo das mulheres artesãs como detentoras do saber-fazer tradicional e a predominância e relevância da matéria prima lã para a cultura do Rio Grande do Sul chamou atenção da pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e gestora cultural, Letícia de Cássia Costa. Ela desenvolveu uma série de pesquisas sobre o tema que deram origem ao projeto Lãs do RS, cuja primeira ação foi a exposição Lã Crua, Fios da Memória: O Saber-Fazer da Mulher Gaúcha, realizada pelo Museu Antropológico do Rio Grande do Sul (MARS) em 2019.

Exposição "Lã Crua, Fios da Memória: O Saber-Fazer da Mulher Gaúcha" (Foto: Divulgação). A ação Lãs do RS recebeu menção honrosa na  33ª edição do Prêmio Rodrigo Rodrigo Melo Franco de Andrade 2020 pela capacidade de transmissão de saberes entre pessoas dos mais distintos segmentos com a realização de rodas de conversas e oficinas de tecelagem.

Com apoio de diversas instituições, do poder público ao setor agropecuário local, a iniciativa tem se empenhado na visibilização e salvaguarda desses conhecimentos tradicionais da lã brasileira, que encontra-se em processo de registro como patrimônio imaterial em âmbito nacional. Outro resultado da ação foi a criação do Fórum Rede Lãs do RS, que é uma janela permanente para fomento e discussão sobre o tema.

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Prêmio Rodrigo: Um museu que serve à vida

Museu Quixabeira de Arte e Cultura constrói estratégias de impacto para salvaguarda do Patrimônio Cultural de São Vicente (RN)

Rede Museu São Vicente

Ação de inventário realizada pelo projeto (Foto: Divulgação)

Da fé e alegria na Festa da Padroeira, musicalidade de orquestras e sabores das queijeiras e doceiras, aos importantes ofícios das rezadeiras e cachimbeiros, todas as riquezas culturais que fazem de São Vicente um importante centro da cultura norte-riograndense estão entre as ações de salvaguarda da Rede Museu Histórico de São Vicente, também conhecido como Museu Quixabeira de Arte e Cultura.

Oficina de Mamulengo para professores (Foto: Divulgação).Cada bairro e localidade de São Vicente encanta o olhar mais atento para a riqueza de suas expressões nas memórias, histórias, alegrias, brincadeiras, fé, sonhos e criatividades. Nesse contexto, o Museu da Quixabeira torna-se um espaço para reconhecimento e valorização dos moradores do município de São Vicente sobre a importância de sua própria história, cultura e arte, através de processos museológicos voltados às ações de salvaguarda, como pesquisa, documentação e exposições.

O museu também atua como centro dinâmico e criativo de atividades culturais diversas, englobando mostras, ensaios, cursos, oficinas e apresentações nas áreas culturais que contribuam para o fortalecimento da educação e cultura vicentina com promoção do seu Patrimônio Cultural de forma integral.

“Buscamos sempre dizer que nós fizemos muito com pouco, ou seja, com quase nada de recurso financeiro conseguimos fazer diversas mobilizações”, comenta a diretora do museu, Rafaela Cláudia dos Santos. “Firmamos parcerias e seguimos em frente tentando realizar nossos sonhos de ver a cultura florescer e se perpetuar em nosso município que é um berço de artistas e com vasto patrimônio material e imaterial”, conclui a diretora.

Um museu que serve para a vida

Ação de Educação Patrimonial em escola da zona rural (Foto: Divulgação). O conceito gerador da exposição, um museu que serve para a vida, serviu de guia para a escolha de temas que funcionassem como territórios. Em cada território, o discurso expográfico foi modulado, tanto na dimensão simbólica quanto na ocupação do espaço arquitetônico.

O museu guarda um acervo vivo, composto por pessoas, lugares, narrativas, calendários festivos e expressões culturais de um modo geral. Tem como locação os espaços representativos das atividades culturais, como a casa dos detentores dos bens culturais e dos atores culturais das comunidades, além dos lugares de trabalho, das festas, das celebrações e das expressões populares. Além disso, prédios históricos e paisagens naturais fazem parte desse quadro. O Museu Quixabeira é, assim, a possibilidade de encontrar um mapa para as expressões e lugares culturais de São Vicente, ilustrando uma rede de pessoas, locais e objetos de grande referência para as localidades envolvidas. As novas propostas de identificação, pesquisa, registro e exposição dos bens culturais procuram acompanhar as propostas de democratização da forma de comunicação, como exposições, roteiros e livros, abrindo espaço para o museu ser ponto de partida para conhecer as referências culturais que estão espalhadas por toda São Vicente.

Além das quatro paredes

“O Prêmio Rodrigo nos leva a uma categoria que mostra o fortalecimento da nossa rede e também nos mostra esperança de que quando se quer se pode realmente executar. Por meio do desenvolvimento da nossa ação também observamos que o casamento da sociedade civil organizada com o poder público é possível e é necessário.”
Rafaela Cláudia dos Santos, diretora do museu.

O edifício que abriga o museu foi entregue em 2018, sem projeto museológico ou equipamentos. No ano seguinte, em reunião com os agentes culturais comunitários foi apontada a necessidade de extrapolar ‘as quatro paredes’ do edifício, já que a riqueza cultural de São Vicente era seu maior acervo. Assim, a relação especial da comunidade com essas referências e o potencial turístico mereciam um grande projeto de educação patrimonial integrado ao museu.

Em parceria com o Museu Câmara Cascudo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foram desenvolvidas oficinas formativas e práticas de pesquisa para o museu. A educação patrimonial tornou-se instrumento de trabalho para partilhar não somente os conteúdos do museu, mas as próprias estratégias de patrimonialização.

Ouça dona Elvira, cachimbeira de São Vicente:

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

A ação “Rede Museu Histórico de São Vicente (RN)” foi vencedora do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2020, na categoria “Patrimônio Imaterial”, segmento “Administração direta e indireta municipal”. Realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Prêmio Rodrigo tem como objetivo valorizar e promover ações que atuam na preservação dos bens culturais do Brasil. Este ano, foram escolhidos 12 projetos vencedores. Cada iniciativa recebe uma premiação de R$ 20 mil.

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Prêmio Rodrigo: Mamulengo na palma da mão

A ação “Canal Babau” cria um acervo digital do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste

Canal Babau

Autômatos Musicais do Educativo Móvel (Foto: Divulgação).

Senhoras e senhores, abram espaço nas casas e nos corações porque o mamulengo vai entrar! Também conhecido como Babau, João Redondo e Cassimiro Coco, não falta é nome para identificar o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste (TBPN). Cada alcunha carrega a origem e a tradição do lugar em que se popularizou. Todos estão convidados para o espetáculo: desde menino moço a cabra velho, quem quiser pode se achegar para conhecer e se encantar com essa forma de expressão registrada como Patrimônio Cultural Brasileiro desde 2015.

Como imortalizou Luiz Gonzaga na canção “Mamulengo”, o teatro do mamulengo é “do povão se distrair”. De caráter popular, no léxico do TBPN não existe apresentação: o que há é a brincadeira, que diverte o público enquanto o convoca para participar e brincar junto.

Mestre João(Foto: Divulgação).O cenário? Tolda, empanada ou barraca denominam a estrutura vazada, geralmente de madeira, que funciona como palco. As estrelas das narrativas são os bonecos. Eles compõem um universo rico de personagens e às vezes se tornam tão célebres que praticamente ganham vida própria: passam a pertencer ao imaginário coletivo do mamulengo, ultrapassando as limitações do repertório de um único mestre bonequeiro.

Aliás, já estava na hora de mencionar os mestres. Os artistas que conduzem a tradição para todo canto do Brasil e são guardiões desta manifestação que traduz diversos elementos da cultura popular nordestina. De mestre para aprendiz, de pai para filho, há séculos o teatro de bonecos é transmitido de uma geração a outra. Só que desde 2020 a brincadeira ficou vazia. Em um contexto pandêmico no qual não se pode formar público e montar a tolda, como o TBPN pode sobreviver?

Sem saber, um projeto antecipou este cenário de limitações. Em 2019 nasceu o Canal Babau para promover a salvaguarda do teatro de bonecos. Mesmo quando o isolamento social era um futuro desconhecido, o Canal Babau já se articulava para inserir o mamulengo na internet. A forma escolhida foi uma plataforma digital colaborativa formada por mestres bonequeiros de Pernambuco. E ainda tem mais! O projeto também engloba uma produtora audiovisual com enfoque no registro de sons, imagens, práticas e saberes do mamulengo.

Registro do público do Teatro de Bonecos(Foto: Divulgação).No site Canal Babau tem de tudo para o visitante mergulhar na cultura desta forma de expressão: jogo de memória com imagens dos personagens, mapa que delineia a trilha do TBPN pelo país, história em quadrinho que esmiúça o universo do teatro de bonecos, assim como galerias com vídeos e imagens que representam a obra de cada mestre bonequeiro.

O Canal Babau é um banco de dados singular sobre o mamulengo que visa ampliar o acervo e potencializar o contato com o público. Neste sentido, o Prêmio Rodrigo vem como incentivo para fortalecer a plataforma e expandir o seu alcance. Onde houver um coração aberto ao teatro de bonecos, o Canal Babau pretende chegar, seja em tempos de isolamento social ou depois, quando o público puder se reunir novamente diante de uma tolda montada.

A plataforma é um mecanismo para desbravar a cultura do TBPN onde quer que se esteja: em casa ou na rua o mamulengo se encontra sempre na palma da mão, à distância de poucos cliques. Não se propõe a substituir a experiência presencial, que desperta sensações e emoções intransponíveis. Mas constitui um valioso inventário do babau no estado de Pernambuco.

Registro do público do Teatro de Bonecos(Foto: Divulgação).À frente do projeto, o mestre Wagner Porto ressalta que o reconhecimento do Iphan encoraja, fortalece e indica que o coletivo está no caminho certo para a construção de políticas públicas voltadas ao TBPN. “É preciso firmar ações continuadas de reconhecimento e amparo dos mestres remanescentes desse patrimônio cultural, tido como um dos mais ameaçados”, analisa Porto. O bonequeiro ressalta a importância de “levar os mestres para as salas de aula, garantindo reconhecimento aos detentores, amparo econômico e social, de modo a reconhecê-los enquanto educadores que preparam novas gerações de mamulengueiros”.

Vaqueiros corajosos, moças bonitas, fazendeiros autoritários, cobras traiçoeiras e até mesmo diabo e morte compõem o vasto mosaico de histórias que tornam o mamulengo representativo da cultura popular nordestina. Cada boneco é um mundo por si só, mas também ajuda a formar a atmosfera dessa região brasileira. E diante das adversidades, o TBPN consiste em uma receita pra chamar a alegria, como bem observou Luiz Gonzaga na canção “Mamulengo”: “Fala, fala mamulengo, vai gracejando prá nos divertir / Fala, fala mamulengo, o mundo inteiro necessita sorrir”.

Assista ao espetáculo!

*Fotos: Divulgação

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

A ação “Patrimônio, por Eles Mesmos- Canal Babau e o registro de Salvaguarda do Mamulengo de Pernambuco, Patrimônio do Brasil” foi vencedora do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2020, na categoria “Patrimônio Imaterial”, segmento “Pessoa Física ou MEI”. Realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Prêmio Rodrigo tem como objetivo valorizar e promover ações que atuam na preservação dos bens culturais do Brasil. Este ano, foram escolhidos 12 projetos vencedores. Cada iniciativa recebe uma premiação de R$ 20 mil. 

Mais informações para a imprensa
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