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Ministério da Cultura vai premiar 500 iniciativas de cultura popular com R$ 10 milhões

Ministro Sá Leitão, Lia de Itamaracá e netas de Selma do Coco durante lançamento do Prêmio Culturas Populares 2018 (Foto: Clara Angeleas/Ascom MinC)

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, lançou, nesta sexta-feira (27), em Recife (PE), a 6ª edição do Prêmio Culturas Populares. Trata-se da maior premiação da cultura popular realizada pelo MinC em termos de valores e número de premiados. Este ano serão investidos R$ 10 milhões – valor recorde – em 500 iniciativas que fortaleçam e contribuam para dar visibilidade a atividades culturais de todo o Brasil, como cordel, quadrilha, maracatu, jongo, cortejo de afoxé, bumba-meu-boi e boi de mamão, entre outras.

“O Prêmio Culturas Populares é um marco. É a maior premiação da cultura popular brasileira, é o reconhecimento da importância de nossas tradições culturais e daqueles que as mantêm vivas e potentes em todas as regiões deste vasto e diverso país”, destacou o ministro durante o evento, realizado em clima de festa, com apresentações de grupos de maracatu, quadrilha e outras manifestações populares.

Durante o evento, o ministro defendeu o papel da cultura como fator de união: “Independentemente da visão política, partidária, ideológica de cada um, estamos lidando com algo que está acima disso. A cultura nos une”, afirmou Sá Leitão. Ele também destacou que o MinC tem lançado um novo olhar sobre a cultura, resgatando a importância econômica do setor. “Fico angustiado de ver o quanto nós temos historicamente desperdiçado, do ponto de vista econômico, os nossos ativos culturais. Cada real que o poder público coloca na cultura volta multiplicado na forma de arrecadação”, destacou. 

Na edição deste ano, cada um dos premiados receberá R$ 20 mil, o dobro de 2017. Serão 200 prêmios para iniciativas de mestres e mestras (pessoa física); 180 para iniciativas de grupos sem CNPJ; 70 para pessoas jurídicas sem fins lucrativos; 30 para pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural; e 20 para herdeiros de mestres e mestras já falecidos (in memoriam). As inscrições podem ser feitas de 30 de abril a 13 de junho, pela internet ou via postal.

A seleção dos premiados será conduzida por uma comissão composta por 30 membros: 15 servidores públicos e 15 membros da sociedade civil. Os critérios de seleção incluem o grau de intercâmbio de saberes e fazeres da cultura popular que tenham proporcionado aprendizado entre diferentes gerações, a relevância e a contribuição sociocultural das práticas nas comunidades em que são desenvolvidas, a capacidade de perpetuação e preservação dessas atividades tradicionais, gerando emprego e renda, entre outros.

Em cinco edições, o Prêmio Culturas Populares contou com 9 mil inscrições e distribuiu R$ 18,7 milhões em prêmios a 1545 mestres, grupos e entidades sem fins lucrativos. A premiação estava suspensa desde 2012 e foi retomada no ano passado, quando obteve número recorde de inscritos (2.862), com 500 premiados.

Na edição de 2017, foram 258 agraciados do Nordeste, 151 do Sudeste, 42 do Norte, 21 do Centro-Oeste e 28 do Sul do Brasil. Para garantir que a distribuição dos recursos seja feita de forma democrática, em 2018 serão 100 prêmios para cada região. Se uma das regiões não atingir o total de vagas existentes, as vagas restantes serão redistribuídas entre as demais regiões.

Selma do Coco

Selma do Coco foi essencial para a consolidação do coco, ritmo típico do Nordeste brasileiro (Foto: Priscilla Buhr)

A cada ano, o prêmio homenageia um grande nome da cultura popular. Nesta edição, a homenageada é a cantora pernambucana Selma Ferreira da Silva, a Selma do Coco, falecida em 2015. Nascida em 1925 na cidade de Vitória de Santo Antão, deixou como principal legado a sua contribuição para a consolidação do coco, ritmo típico do Nordeste brasileiro, como referência nacional, tendo gravado cinco discos, ganhado oito prêmios – entre eles um Prêmio Sharp – e participado de festivais internacionais nos Estados Unidos e na Europa.

Selma do Coco teve contato com a música tradicional pernambucana ainda criança, nas festas juninas que frequentava com os pais. Aos 10 anos, mudou-se com a família para Recife. Casou-se e teve 14 filhos, dos quais apenas um chegou à vida adulta. Dos demais, 10 morreram recém-nascidos, dois durante o parto e um em um acidente de caminhão, que também vitimou seu marido. Além dos filhos, também ajudou na criação de quatro sobrinhos.

Já viúva, mudou-se para Olinda. No Alto da Sé, cantava o coco enquanto trabalhava com a venda de tapiocas. A cantoria, inicialmente solitária, aos poucos se transformou em rodas de coco, realizadas no fundo do quintal da casa da artista. “Aos poucos, as pessoas foram gostando, as rodas ficaram cada vez mais cheias e assim minha avó foi ficando conhecida”, conta a neta Raquel Marta, 37 anos.

“Ocupo com muito orgulho o lugar dela”, destaca Raquel, que é vocalista do grupo Coco de Selma. “Além de fisicamente parecida, minha voz também se parece muito com a de minha avó”, afirma. “Ela era uma mulher guerreira, uma grande mestra do coco. Tinha grande amor pelo trabalho. Eu e várias outras pessoas do coco nos espelhamos nela”, destaca.

Gravou o primeiro CD – Coco de Roda, o elogio da festa – em 1995. Em 1996, apresentou-se pela primeira vez a um grande público, durante o Festival Abril pro Rock, em Recife. O segundo CD – Cultura Viva – foi gravado em Berlim, em 1997, e relançado no Brasil em 1998 com o nome Minha História. Pela obra, que traz os sucessos A Rolinha, Santo Antônio e Dá-lhe Manoel, recebeu, em 1998, o então Prêmio Sharp, hoje Prêmio da Música Brasileira.

Participou do Festival Lincoln Center, em Nova York, e do New Orleans Jazz & Heritage Festival, em Nova Orleans, entre outros, e se apresentou em diversos países, como Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Suíça e Portugal.

Em 2007, recebeu a Ordem do Mérito Cultural (OMC), principal condecoração pública da área da cultura, entregue pelo Ministério da Cultura (MinC). Faleceu em 9 de maio de 2015.

Confira vídeo sobre a vida de Selma do Coco:

De todas as regiões do Brasil

Histórias de amor pela cultura, de dedicação e de superação dão a tônica do Prêmio Culturas Populares. No ano passado, um dos premiados foi o mestre Severino Vitalino, natural de Caruaru (PE). Com o pai, aprendeu a modelar o barro e retratar personagens e bonecos da realidade local. As obras de Mestre Vitalino podem ser vistas no Museu do Barro de Caruaru e no Museu Casa do Pontal, o mais importante museu de arte popular do Brasil, no Rio de Janeiro. O mestre criou uma narrativa visual expressiva sobre a vida no campo e nas vilas do nordeste pernambucano. Realizou esculturas antológicas, como “o enterro na rede”, “cavalo marinho” e “casal no boi”, entre outras.

O Grupo Afrolage, do Rio de Janeiro (RJ), também foi premiado no ano passado. Idealizado pela professora e coreógrafa Flávia Souza, busca dar visibilidade à cultura de matriz afro-brasileira, por meio de manifestações culturais como o jongo, a capoeira Angola, o maracatu, o coco e o samba de roda. Todo último domingo do mês, seus membros promovem, de forma voluntária, um encontro na Praça Agripino Grieco, Zona Norte da capital fluminense.

No Centro-Oeste, a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, em Alto Paraíso de Goiás (GO), foi outra expressão cultural reconhecida pelo Prêmio. Fundada em 1997, na pequena Vila de São Jorge, é sede e precursora do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que reúne, anualmente, manifestações artísticas e expressões culturais do povo brasileiro, como a catira, a curraleira, a sussa, o lundu, o batuque e o congo, entre outros.

Já na região Norte, Mestre Damaceno, o “botador de boi”, repentista, cantador de carimbó, compositor de sambas, poeta e pescador, recebeu reconhecimento. Ele criou, a exemplo do boi-bumbá, o “Búfalo-Bumbá” de Salvaterra. A escolha do búfalo se deu por ser um símbolo da paisagem de Marajó. Trata-se de uma brincadeira coletiva, que percorre as ruas da cidade duas vezes por ano, em junho e agosto.

Na região Sul, o Boizinho da Praia, do município de Cidreira (RS), foi um dos contemplados no ano passado. A manifestação cultural havia caído em desuso por mais de 50 anos e foi resgatada, registrada e socializada pelo Mestre Ivan Therra. A iniciativa conta com elementos próprios do imaginário popular do litoral gaúcho, como o Minhocão da Lagoa do Armazém, a Sereia da praia da Cidreira, o Boto Encantado da Barra do Imbé, o mestre Julinho tocador de tambor e as benzedeiras da beira do mar, entre outros.

Dúvidas e mais informações: coedi@cultura.gov.br

Fonte: ASCOM MinC

1 Comentário

  1. LUIZ FILIPE CAVALIERI

    muito bom. em tempo.

    Responder

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Edital Produção de Cinema terá cotas para mulheres e negros

CGFSA aprovou cotas para mulheres e negros no edital Produção de Cinema 2018 (Foto: Acácio Pinheiro/Ascom MinC)

O Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA) acatou sugestões apresentadas por entidades ligadas ao setor audiovisual e aprovou, nesta segunda-feira (26), cotas para mulheres (cis e trans), negros e indígenas no edital Produção para Cinema 2018, que vai destinar R$ 100 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) a projetos de longas-metragens independentes de ficção, documentário ou animação. O edital integra a segunda etapa do #AudiovisualGeraFuturo, maior programa de fomento ao setor já desenvolvido pelo Ministério da Cultura (MinC).

Entusiasta da proposta, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, comemorou a decisão do CGFSA. “Fiquei muito feliz com a determinação do comitê de incluir as cotas de gêneros e raciais já neste edital seletivo. Isso já havia sido proposto pelo Ministério da Cultura na reunião anterior [do conselho], mas optou-se por deixar as cotas para a próxima linha seletiva. Mas agora, diante das demandas apresentadas pelas entidades, o Comitê mudou de ideia e resolveu adotar as cotas já para esta linha”, afirmou.

De acordo com a decisão, será estabelecida cota de 35% para mulheres (cis e trans) e 10% para negros e indígenas. Ainda dentro do mesmo edital, foram aprovadas alterações nos quesitos de avaliação dos projetos na modalidade B, que contempla projetos de longa-metragem de ficção, documentário e animação com ênfase em projetos de perfil autoral e propósitos artísticos evidentes. A mudança corrige uma possível priorização de produtoras e projetos comerciais em detrimento de obras autorais. Todas as alterações passam a valer já para o edital que está em curso. Será publicada uma retificação informando as novas regras.

Apresentações

Os integrantes do Comitê Gestor ouviram as proposições do Fórum Audiovisual de Minas Gerais, Espírito Santo e dos estados do Sul do Brasil (Fames). Sob a coordenação de Rodrigo Martins, que também preside o Sindicato da Indústria do Paraná (Siapar), o Fames sugeriu novas formas para ampliar a regionalização da produção audiovisual.

De acordo com o representante do Fames, a ideia é desenvolver ações que possam promover o crescimento dos estados que compõem o Fórum. O foco é, na regionalização, permitir investimentos que possam expandir a cadeia do audiovisual na região, garantindo assim o estímulo às aplicações de recursos dos estados nos arranjos regionais. Além disso, a expectativa dos componentes do Fórum é aumentar a competitividade das empresas da região e o acesso aos recursos de investimentos principalmente do FSA.

Os representantes da Comissão de Gênero e Diversidade, coordenada pelos servidores da Ancine, apresentaram propostas para assegurar maior representatividade de mulheres e negros no setor audiovisual. A presidente da comissão, Carolina Costa, destacou que o principal objetivo é lutar por igualdade de gênero e raça tanto dentro da agência quanto fora.

Entre as propostas da comissão, está a adoção de percentuais mínimos para a seleção de projetos de obras dirigidas por mulheres, pessoas negras, indígenas, que devem ser aplicados em todas as fases dos editais para a superação de barreiras à entrada e o avanço das propostas destes grupos.

Durante a reunião, o CGFSA definiu também o cronograma de desembolso do Fundo Setorial do Audiovisual de 2018. O planejamento prevê a liberação de R$ 700 milhões até novembro deste ano. Os integrantes do Comitê discutiram também alterações no regulamento geral do FSA, ações de capacitação e ajustes em alguns editais.

Fonte: ASCOM MinC

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MinC abre inscrições para editais de audiovisual com cotas para diretores negros, indígenas, mulheres e novos diretores na segunda-feira (26)

Começam na próxima segunda-feira (26) as inscrições para oito dos onze editais do Programa #AudiovisualGeraFuturo, o maior já lançado pelo Ministério da Cultura (MinC) pela Secretaria do Audiovisual (SAv) em termos de volume de recursos e de projetos, e um marco na inclusão social de segmentos da população que normalmente não estão contemplados.

Nesta quinta, o MinC publica no Diário Oficial da União (D.O.U.) os primeiros cinco editais que compõem o programa. São editais voltados inteiramente para a produção de conteúdo independente: longas de animação, curtas e séries com narrativas para infância, duas linhas de documentário – uma sobre questões afro-brasileiras e indígenas e outra sobre infância e juventude. Na sexta (23), outros três editais serão publicados no D.O.U., voltados à produção de jogos eletrônicos, curtas e séries voltados para a infância.

As inscrições para os demais editais que compõem o #AudiovisualGeraFuturo – Festivais e mostras e eventos de mercado, desenvolvimento de projetos 200 anos da Independência do Brasil e desenvolvimento de projetos para a infância – serão abertas na quarta-feira (28), mas os editais serão divulgados do D.O.U. na segunda-feira (26).

As inscrições se encerram entre os dias 13 e 27 de abril e podem ser feitas no sistema Mapas Culturais no link: mapas.cultura.gov.br.

Inclusão

Os cinco primeiros editais publicados no D.O.U. têm cotas específicas (com percentuais distintos) para novos diretores, diretores de regiões fora do eixo Rio e São Paulo, negros, indígenas, mulheres e transexuais. É o primeiro edital do MinC a inserir transexuais e travestis no conceito “mulheres”. Além de representar um marco na inclusão social, os editais devem contribuir para o fortalecimento da cadeira produtiva do setor audiovisual.

Para este primeiro bloco de editais, o MinC vai disponibilizar R$ 37,6 milhões para a produção de 46 projetos, com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O edital Longa de Animação selecionará cinco projetos de produção de obras audiovisuais de longas-metragens inéditos e de ficção, com temática livre. Os selecionados receberão R$ 3,5 milhões cada um para desenvolver uma proposta destinada exclusivamente ao público infantil de 0 a 12 anos.

Para participar, as produtoras precisam ter registro regular e estarem classificadas como produtoras independentes na Agência Nacional do Cinema (Ancine), vinculada do Ministério da Cultura responsável pela gestão dos recursos do FSA. Os editais exigem que os projetos sejam acompanhados de teasers – pequeno vídeo de divulgação.

Com duas linhas específicas para documentários, a primeira etapa de editais abre espaço para a criação de obras com as temáticas Afro-Brasileira e Indígena e Infância e Juventude. Os projetos de valorização das culturas afro-brasileira e indígena receberão R$ 500 mil (cada um) para a realização de dez obras documentais inéditas com duração a partir de 52 minutos. O mesmo valor e duração serão reservados para documentários que tratem sobre infância e juventude.

As séries infantis são outro destaque do edital Audiovisual Gera Futuro. Ao todo, serão destinados R$ 8 milhões para a produção de 10 obras audiovisuais de minissérie de ficção, sendo 5 projetos de 13 episódios e 5 projetos de 26 episódios. Todos os episódios devem ser live action, de temática livre, com sete minutos cada, voltados para crianças de 0 a 12 anos. Os projetos de 13 episódios receberão R$ 600 mil (cada) e os de 26 episódios, R$ 1 milhão.

O edital Narrativas Audiovisuais para Infância – Curta é o último deste pacote de editais e vai selecionar 21 obras audiovisuais de curta-metragens. Os projetos, também destinados a crianças até 12 anos, terão um orçamento unitário de R$ 100 mil e devem ter uma duração de 13 minutos.

Audiovisual Gera Futuro

O programa Audiovisual Gera Futuro, lançado no último dia 7 de fevereiro, em Brasília, disponibilizará R$ 80 milhões para cerca de 250 projetos, voltados ao desenvolvimento, produção e difusão. Em todos os editais serão utilizados indutores para promover a inclusão e reduzir as desigualdades no setor audiovisual.

Confira os editais já publicados no Diário Oficial da União

Fonte: ASCOM MinC

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Em 2017, Palmares certifica 133 comunidades quilombolas

A Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), certificou, em 2017, 133 comunidades remanescentes de quilombos. A certificação busca reconhecer origens e ampliar direitos, tornando amplo o acesso dessas comunidades a políticas públicas. Nos últimos 12 anos, mais de 2,5 mil comunidades foram certificadas. 

A certificação permite às famílias quilombolas receber a titulação do território, participar do Minha Casa, Minha Vida e do Programa Brasil Quilombola e habilitar-se para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), entre outros programas públicos.

Durante o processo de reconhecimento, uma equipe de técnicos da Fundação Palmares, composta por antropólogos e historiadores, analisa a comunidade que se autodeclara quilombola. Após essa etapa, é emitido um parecer favorável ou não à certificação da terra. O laudo da Palmares é somado à avaliação feita pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), responsável pela titulação das terras.

De acordo com o presidente da Palmares, Erivaldo Oliveira, a certificação é, sob vários aspectos, mais importante que a titulação. “A partir da certificação, a comunidade já passa a ter acesso a uma série de políticas públicas. A Bolsa Permanência, benefício voltado para universitários comprovadamente quilombolas, concede ajuda de R$ 900 todos os meses para cada um dos estudantes contemplados e é um bom exemplo”, afirmou.

O assistente social Gilson Cardoso, que ajudou voluntariamente três comunidades no processo de certificação, uma em Candiba (BA) e duas em Pindaí (BA), acredita que, de modo geral, as comunidades que pleiteiam a certidão de remanescente de quilombos o fazem com duas expectativas: a do reconhecimento de sua história e da melhoria nas condições de vida. “Muitas vezes, o grande sonho é a aquisição de uma cisterna de produção de alimentos, que é utilizada no plantio de legumes, frutas e hortaliças. Embora a certificação não seja garantia da realização desse sonho, traz novas possibilidades para as pequenas comunidades quilombolas”, destacou.

Para Rosalinda dos Santos, do quilombo de Tapuio, em Queimada Nova (PI), a certificação foi muito importante para a cada uma das 95 pessoas que moram na comunidade. “Nossa comunidade tem 200 anos de historia e, somente em 2006, após a certificação, começamos a ver os primeiros resultados com a chegada de programas como o Luz para Todos”, ressaltou. “Essa certificação é um instrumento que nos empodera para seguirmos lutando pelos direitos quilombolas, pelos nossos direitos”, completou.

Como pedir a certificação

1. A comunidade deve possuir uma associação legalmente constituída e apresentar uma ata de reunião convocada para a autodefinição, aprovada pela maioria dos moradores, acompanhada de lista de presença devidamente assinada.

2. Nos locais onde não existe associação, a comunidade deve convocar uma assembleia para deliberar sobre o assunto autodefinição, aprovada pela maioria de seus membros, acompanhada de lista de presença;

3. Enviar esta documentação à FCP, juntamente com fotos, documentos, estudos e reportagens que atestem a história da comunidade e de suas manifestações culturais;

4. Apresentação de relato sintético da história;

5. Solicitar ao presidente da FCP a emissão da certidão de autodefinição.

ASCOM MinC

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Projeto Palmares Itinerante vai aonde o povo negro está

A Palmares Itinerante já passou por aí?

O projeto Palmares Itinerante, idealizado pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira, veio como uma proposta de levar a Fundação Cultural Palmares (FCP) aos vários lugares do Brasil, para conhecer de perto e entender as principais demandas dos quilombolas e de todos os afro-brasileiros. 

Há muitas comunidades quilombolas que são mais isoladas e não sabem o que a Fundação Palmares faz. O projeto veio como ponte para levar as propostas de políticas públicas às comunidades.

“Essa ideia surge da necessidade da aproximação do governo com a sociedade civil. É o governo indo até a ponta, porque a sociedade civil ficou muito tempo isolada dos realizadores de políticas públicas e consequentemente não existiam políticas públicas por não entenderem a demanda da sociedade. Então, você vai até a sociedade, escuta e consegue identificar quais as necessidades da população”. Afirma o presidente da FCP, Erivaldo Oliveira.

Entre as finalidades da Palmares Itinerante estão promover o intercâmbio de informações entre o poder público e a sociedade civil, disseminar conhecimento, buscar mecanismos para ampliar programas dedicados à capacitação de profissionais para o ensino da arte, história e cultura africana e afro-brasileira e assegurar programas de reconhecimento, preservação, fomento e difusão desse patrimônio.

Mais do que um evento que discute as principais questões relacionadas aos afro-brasileiros, a Palmares Itinerante gera resultados práticos por onde passa, como ações para combater o racismo e o preconceito e empoderar as comunidades negras em todo o país.

O modelo “itinerante”, a partir dessa ação da Fundação Palmares,começou também ser implantado em outros órgãos como: Fundação Nacional de Saúde e Ministério da Cultura (MinC), que estão levando as ouvidorias aos vários pontos do país. E é gratificante à Fundação ser modelo em um projeto que leva acessibilidade e mobilidade das ações do governo junto à sociedade civil.

A Palmares Itinerante já foi aos estados do Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul e tem em sua meta circular por todas as regiões do país.

Fonte: Marcelo Claudio Araújo – Fundação Palmares

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Saiba quem são os vencedores do maior prêmio de cultura popular já realizado pelo MinC

O Ministério da Cultura (MinC) divulgou, nesta terça-feira (28), os 500 ganhadores da 5ª edição do Prêmio Culturas Populares: Edição Leandro Gomes de Barros. Lançado em junho, o prêmio foi recordista em número de inscrições – 2.862 – no âmbito da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC) do MinC. Cada premiado receberá R$ 10 mil. Foram selecionadas iniciativas de todas as regiões: 258 do Nordeste, 151 do Sudeste, 42 do Norte, 21 do Centro-Oeste e 28 do Sul.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, explicou que o edital integra o programa de fomento do MinC e tem por objetivo incentivar e preservar expressões culturais que formam o DNA do Brasil. “Trata-se de um reconhecimento da importância de nossas tradições e dos que as mantêm vivas e potentes em todas as regiões deste vasto e diverso País”, afirmou.

“O edital teve número expressivo e recorde de premiados porque queríamos atender e contemplar as mais diversas manifestações e valorizar o trabalho desses mestres e grupos culturais”, afirmou a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Débora Albuquerque.

A comissão de seleção do prêmio, formada por servidores públicos e membros da sociedade civil, elegeu iniciativas que retomam práticas populares em processo de esquecimento e difundem tais expressões para além dos limites de suas comunidades de origem. Entre elas, o Cordel, a Quadrilha, o Maracatu, o Jongo, o Cortejo de Afoxé, o Bumba-Meu-Boi e o Boi de Mamão, entre outros. Não foram incluídas no prêmio Culturas Indígenas, Culturas Ciganas, Hip Hop e Capoeira por já serem objeto de editais específicos lançados pelo MinC.

Foram avaliados a contribuição sociocultural do projeto às comunidades; a melhoria da qualidade de vida das comunidades a partir de suas práticas culturais; e o impacto social e contribuição da atuação para a preservação da memória e para a manutenção das atividades dos grupos, entre outros.

Os premiados têm prazo de 60 dias a partir desta terça-feira para envio da documentação complementar solicitada no edital. O material pode ser enviado para o endereço eletrônico coedi@cultura.gov.br ou por via postal para o endereço abaixo:

Edital de Seleção Pública n.º 01, de 29/05/2017
Edital Culturas Populares – Edição Leandro Gomes de Barros
Setor Hoteleiro Sul – Quadra 02, Bloco “B”, Ed. TELEX – Térreo
Caixa Postal: 8591
Brasília/DF – CEP 70.312-970

De todas as regiões do Brasil

Dos 500 selecionados, 200 foram na categoria “Mestres e Mestras”, 200 na categoria “Grupos/Comunidades”, 80 na categoria “pessoas jurídicas sem fins lucrativos” e 20 herdeiros de mestres já falecidos (In Memorian).

O Grupo Afrolage, do Rio de Janeiro (RJ), foi um dos 151 premiados na região Sudeste, do total de 500 selecionados em todo o País. Idealizado pela professora e coreógrafa Flávia Souza, busca dar visibilidade à cultura de matriz afro-brasileira, por meio de manifestações culturais como o Jongo, a Capoeira Angola, o Maracatu, o Côco e o Samba de Roda. Todo último domingo do mês, seus membros promovem, de forma voluntária, um encontro na Praça Agripino Grieco, Zona Norte da capital fluminense. Com 12 integrantes, o grupo reune até 100 pessoas.

Na região Sul, o Boizinho da Praia foi um dos contemplados. No município Cidreira (RS), trata-se de um folclore da cultura popular local. A manifestação havia caído em desuso por mais de 50 anos e foi resgatada, registrada e socializada pelo Mestre Ivan Therra.

No Centro-Oeste, a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, em Alto Paraíso de Goiás (GO), foi uma das selecionadas. Fundada em 1997, na pequena Vila de São Jorge, os idealizadores buscavam um espaço democrático para as manifestações da cultura popular tradicional. Sede e precursora do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, a Casa de Cultura ficou conhecida em todo o país por acolher, anualmente, as manifestações artísticas e expressões culturais do povo simples brasileiro. A Catira e a Curraleira, executadas pelos foliões de São João da Aliança; a Sussa dançada pelos Calungas do Vão do Moleque e do Vão das Almas; o Lundu e o Batuque, representados pelo grupo A Caçada da Rainha, de Colinas do Sul; e o Congo, encenado pela comunidade de Niquelândia, são alguns dos exemplos mais emblemáticos das expressões artísticas que se apresentam anualmente.

No Nordeste, o mestre Severino Vitalino, natural de Caruaru (PE), também foi agraciado pelo prêmio. Com o pai, o consagrado mestre Vitalino, aprendeu a modelar o barro e retratar personagens e bonecos da realidade local. As obras de Mestre Vitalino podem ser vistas no Museu do Barro de Caruaru, em Pernambuco; e no Museu Casa do Pontal, o mais importante museu de arte popular do Brasil, no Rio de Janeiro. O mestre criou uma narrativa visual expressiva sobre a vida no campo e nas vilas do nordeste pernambucano. Realizou esculturas antológicas, como “o enterro na rede”, “cavalo marinho” e “casal no boi”, entre outras.

Já na região Norte, o “botador de boi”, repentista, cantador de carimbó, compositor de sambas, poeta e pescador Mestre Damasceno foi um dos premiados. Ele criou, a exemplo do boi-bumbá, o “Búfalo-Bumbá” de Salvaterra. A escolha do búfalo se deu por ser um símbolo da paisagem de Marajó. Trata-se de uma brincadeira coletiva, que percorre as ruas da cidade duas vezes por ano, em junho e agosto.

Veja a relação de premiados

Fonte: ASCOM MinC

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