Você está aqui:
Lançada linha de crédito emergencial do Fundo Setorial do Audiovisual de R$ 400 milhões

Recursos executados por BNDES e BRDE serão destinados à manutenção de empregos e à preservação das atividades da cadeia produtiva do setor

publicado: 20/07/2020 16h06, última modificação: 20/07/2020 16h06

Recursos serão destinados a gastos com folha, fornecedores e custos operacionais fixos. Foto: Clara Angeleas/Secretaria Especial da Cultura

De forma a apoiar o setor audiovisual, mitigando os impactos da COVID-19, foi lançada nesta segunda-feira, 20 de julho, a linha de crédito emergencial do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), no valor de R$ 400 milhões. Os recursos serão destinados à manutenção dos empregos e à preservação de atividades da cadeia produtiva do setor. A iniciativa foi proposta pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE), aprovada pelo Comitê Gestor do FSA e será executada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

A linha emergencial foi aprovada na primeira reunião do Comitê presidida pelo Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. “O setor audiovisual é estratégico para a economia, gerador de renda e de empregos, e por isso, deve ter toda a atenção do governo nesse momento. Esse auxílio chega para garantir que postos de trabalho sejam mantidos e que as atividades do setor possam, em breve, voltar com o vigor de sempre”, disse o Ministro.

A reunião contou com a participação do Secretário Especial da Cultura, Mário Frias, o diretor-presidente substituto da ANCINE, Alex Braga, dentre outros representantes do governo e do setor audiovisual.

O Secretário Especial da Cultura, Mário Frias, reforça a importância da agilidade na liberação dos recursos. “A liberação deste apoio para as pequenas, médias e grandes empresas é uma ação rápida e integrada do governo federal. A parceria com BNDES e BRDE para redução de tempo e burocracia fará com que o dinheiro chegue de forma mais ágil aos interessados, possibilitando a manutenção de centenas de empregos diretos. O Ministério do Turismo, a Secretaria Especial da Cultura e a ANCINE estão trabalhando em sinergia, que é uma marca do governo Bolsonaro, para minimizar os impactos do setor audiovisual, um dos mais afetados nesta pandemia”.

Para o diretor-presidente substituto da ANCINE, Alex Braga: “É um conjunto de medidas anticíclicas muito importante nesse momento para a preservação de empresas e empregos”.

Do total de recursos, R$ 250 milhões serão oferecidos, de forma direta, pelo BNDES, em financiamentos superiores a R$ 10 milhões.

O BNDES receberá pedidos entre 20 de julho e 30 de setembro. Empresas de capital nacional terão prioridade entre os pedidos de financiamento feitos nos primeiros quinze dias de protocolo no BNDES. Após esse prazo, as empresas brasileiras de capital estrangeiro do segmento de exibição cinematográfica também terão direito a acessar os recursos remanescentes da linha emergencial, para manter empregos e a cadeia de fornecedores no Brasil.

Os recursos serão exclusivamente destinados a financiar os gastos com folha, fornecedores e gastos operacionais fixos. Haverá, porém, algumas limitações, como o impedimento do uso para pagamento de verbas rescisórias devidas em caso de demissão de funcionários.

Conforme regulamento aprovado pela diretoria do BNDES na quinta-feira (16), os financiamentos contarão com a cláusula social que já vinha sendo incorporada pelo Banco em outras linhas emergenciais. A empresa que mantiver, repor ou ampliar postos de trabalho ao longo de um ano terá direito a um custo financeiro reduzido, de 0,5% ao ano, além da Taxa Referencial (TR, que atualmente está em zero). Se houver demissões sem reposição, esse custo permanece em TR mais 4% ao ano. O pagamento de empréstimo terá carência de 24 meses e prazo total para pagamento de até oito anos – o maior prazo de todas as linhas de crédito emergencial lançadas pelo BNDES desde o início da pandemia.

“No BNDES, a linha de financiamento dos recursos do FSA incorporará as inovações das modalidades dos créditos emergenciais durante a pandemia. Por esse motivo, o prazo médio de liberação dos recursos de cerca de seis meses deverá cair para até dois meses, a partir da aprovação dos pedidos”, explicou Petrônio Cançado, diretor de Crédito e Garantia do BNDES. Dessa forma, as primeiras liberações são esperadas para setembro.

Já os R$ 150 milhões restantes da linha emergencial serão ofertados pelo BRDE para créditos entre R$ 50 mil e R$ 10 milhões, com compromisso de manutenção de emprego e do pagamento de fornecedores.

Segundo Wilson Bley Lipski, diretor de Operações do BRDE, a expectativa é de grande demanda. “Estamos preparados para atender todo o Brasil, especialmente as pequenas empresas do setor. Nossa equipe do BRDE está neste momento finalizando os detalhes dos processos para que todas as solicitações recebam resposta no menor tempo possível. Esperamos poder desembolsar todo recurso, mas atentos também à qualidade do crédito que estará sendo concedido. É imprescindível que o empreendedor atenda aos quesitos necessários para obtenção do crédito e, assim, manteremos a meta de liberar todo o montante estabelecido para as boas empresas do segmento, que vão manter suas atividades e empregos que geram”.

Pequenos Exibidores terão apoio não reembolsável

Adicionalmente, o pacote de medidas emergenciais aprovado pelo Comitê Gestor do FSA conta também com o Programa Especial de Apoio ao Pequeno Exibidor (PEAPE). Na modalidade não reembolsável, o Programa é destinado aos grupos exibidores de até 30 salas. Para esse segmento, foram reservados recursos do FSA no valor de R$ 8,5 milhões que poderão ser usados para custear folha de pagamento, serviços terceirizados, fornecedores de equipamentos e despesas correntes relativas ao funcionamento das salas. As inscrições para este Programa começam na próxima semana e serão oportunamente anunciadas.

De acordo com o Secretário Especial Mário Frias, conversas mostram a ansiedade do setor pelo PEAPE. “O retorno que estamos tendo de alguns exibidores mostra que seguimos o caminho esperado. É muito satisfatório saber que estamos levando um pouco de tranquilidade para aquele exibidor que, muitas vezes, tem como única fonte de renda uma sala de cinema, conhece os familiares de seus funcionários e está na luta para manter os empregos”.

Para mais informações e como participar das linhas de crédito acesse os links:
www.bndes.gov.br/fsaemergencial
https://www.brde.com.br/fsa/

Assessoria de Comunicação Social
Secretaria Especial da Cultura

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícia Regulatória: Ancine faz consulta pública sobre Serviço de Programação Linear via Internet

Objetivo é discutir o enquadramento regulatório do serviço e avaliar seus impactos na cadeia de valor do audiovisual

A ANCINE aprovou nesta terça-feira, 07/04, a colocação em consulta pública da Notícia Regulatória sobre o enquadramento dos serviços de Oferta de Conteúdo Audiovisual em Programação Linear via Internet, e seus impactos sobre as atividades de produção, programação e empacotamento.
O objetivo da Agência é promover o debate público e receber contribuições dos agentes envolvidos sobre o tema.
Os serviços de entrega de conteúdo audiovisual passam por significativas mudanças e inovações, caminhando, assim, sempre à frente da regulação. A entrega direta de conteúdo audiovisual linear fora dos canais de TV paga, e o com apoio de novas tecnologias, acaba por produzir novos e relevantes modelos de negócio.
Consequentemente, ao abrigo da legislação vigente, espera-se dos entes reguladores um tratamento regulatório que proteja a concorrência, que seja isonômico em relação aos demais serviços, que coíba possíveis práticas abusivas no mercado regulado e que corrija eventuais assimetrias regulatórias.
É de conhecimento público a oferta direta de conteúdo audiovisual pela Internet por agentes econômicos classificados como programadoras, o que cria a necessidade de avaliar se tal atividade deve ser enquadrada como Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) ou como Serviço de Valor Adicionado (SVA). O objetivo é garantir segurança jurídica aos agentes econômicos envolvidos, inclusive para efeito do estabelecimento de um regime regulatório que proteja a livre concorrência e não impeça as inovações tecnológicas, ao mesmo tempo em que assegure o desenvolvimento da indústria audiovisual brasileira.
Três fundamentos balizam a elaboração da Notícia Regulatória:
(i) O enquadramento regulatório do Serviço de Oferta de Conteúdo Audiovisual em Programação Linear via Internet ainda não está definido, mas repercute em matérias de competência da ANATEL e da ANCINE;
(ii) Os agentes do mercado audiovisual e de telecomunicações demandam segurança regulatória e jurídica sobre o tema; e
(iii) Há razoável dúvida sobre o tema, com possíveis repercussões no âmbito regulatório, legislativo e judicial.
A Consulta Pública ficará disponível no site da ANCINE pelo prazo de 45 dias, a contar da publicação. Para participar é preciso se cadastrar no Sistema de Consulta Pública. O documento pode ser consultado, sem necessidade de cadastro, na página Consulta Pública. Dúvidas sobre o funcionamento do sistema devem ser encaminhadas para ouvidoria.responde@ancine.gov.br.
Fonte: Ancine

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ancine lança edital para projetos de coprodução internacional

Edital prevê investimentos de R$ 36,8 milhões para a seleção Coprodução Mundo, com inscrições a partir de 6 de fevereiro

(publicado: 23/01/2019 13h01, última modificação: 28/01/2019 10h01)

A Agência Nacional do Cinema (Ancine), entidade vinculada ao Ministério da Cidadania, e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) publicaram o Edital de Coprodução Mundo, linha de coprodução internacional para cinema e TV. Serão investidos R$ 36,8 milhões, sendo R$ 18, 15 milhões para cinema e R$ 18,65 milhões para TV.

O edital funcionará na modalidade de fluxo contínuo e atenderá a projetos cujas produtoras brasileiras sejam minoritárias ou majoritárias. Serão exigidos contratos de coprodução internacional para todos os projetos, de distribuição para os projetos de cinema e de pré-licenciamento para os projetos de TV. Confira aqui o regulamento na íntegra.

“Nos últimos anos, a Ancine tem colocado em média R$ 5 milhões por ano em coproduções internacionais. Foram investidos algo em torno de R$ 29 milhões nos editais minoritários. Este ano, no Plano Anual de Investimento foi aprovado aproximadamente R$ 42 milhões de recursos do FSA em coproduções internacionais. O objetivo é fazer com que o empreendedor do audiovisual brasileiro consiga ser mais competitivo no mercado internacional, para coproduzir mais e atrair mais investimento”, explica o diretor-presidente da agência, Christian de Castro.

Os projetos deverão ser inscritos em uma das 4 submodalidades do edital, conforme a participação brasileira na coprodução e a destinação do projeto:

Seleção de projetos

Os projetos serão avaliados conforme critérios estabelecidos no edital, cabendo a decisão final ao Comitê de Investimento. O limite de investimento por projeto será de R$ 3 milhões para coproduções majoritárias brasileiras e de R$ 1 milhão para minoritárias. Cada produtora e seu grupo econômico poderão receber até R$ 4 milhões. Em relação aos projetos de cinema, serão avaliados os aspectos artísticos da coprodução e a capacidade gerencial e desempenho da produtora/grupo econômico.

A avaliação de desempenho comercial e do desempenho artístico das produtoras será feita conforme critérios dispostos no Regulamento de Pontuação: Cinema e TV, já se utilizando do ciclo avaliativo de 2019. Os projetos de TV serão avaliados diretamente pelo Comitê de Investimento. A adimplência das empresas proponentes será condição de elegibilidade no edital de Coprodução Mundo. Ela será verificada logo após a inscrição dos projetos, já na etapa de Habilitação.

É fundamental que todos as empresas proponentes observem se estão adimplentes junto à Ancine, ao FSA e ao BRDE, bem como regulares em relação aos Créditos Tributários Federais e ao CEIS – Cadastro Nacional de Empresa Inidôneas e Suspensas, além de outras eventuais exigências de regularidade contidas nos respectivos editais. Projetos de empresas inadimplentes não serão contemplados.

Evolução da coprodução

No período de 2009 a 2017, foram 116 obras em coprodução lançadas em cinema, sendo 22 apenas em 2017 – recorde da série histórica – um aumento de 69% em relação a 2016. Esse crescimento foi impulsionado por editais específicos destinados à coprodução, especialmente com países da América Latina. Tal política de estímulo resultou em coproduções premiadas com a Argentina (“Zama”), Paraguai (“As herdeiras”), Chile (“Violeta foi para o céu”) e Colômbia (“La Playa”), por exemplo.

A conjugação destas ações se traduz numa cinematografia diversa e plural que tem alcançado excelentes resultados também no exterior, estando cada vez mais presente nos principais festivais e mercados internacionais.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ancine lança campanha pela valorização do audiovisual

12.11.2018 – 18:43

Em 2017 o Brasil bateu o recorde de títulos brasileiros lançados nas salas de cinema – foram 160 longas-metragens, que venderam mais de 17 milhões de ingressos. Na televisão, no mesmo ano, as obras brasileiras ocuparam 17,7% das horas de programação dos canais de TV paga. E a animação nacional atingiu novo patamar, bateu recorde de lançamentos e contribuiu para o aumento da visibilidade do Brasil internacionalmente.

Mesmo com uma produção robusta, que dá sinais de crescimento ao longo dos anos, o audiovisual brasileiro ainda é visto com desconfiança pelo público em geral. Para desmistificar essa imagem, romper com o preconceito em relação às obras nacionais, e destacar todo o seu potencial, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) – entidade vinculada ao Ministério da Cultura – e a DM9DDB criaram a campanha “Audiovisual brasileiro, mais do que você imagina”, veiculada em ambiente 100% digital.

“O audiovisual nacional já se impõe como importante gerador de renda e emprego dentro da economia criativa. Conquistamos espaço no mercado interno de filmes e séries para TV e temos ampliado nossa produção audiovisual para setores emergentes, como o de vídeo sob demanda, o de animação, e o de jogos eletrônicos. Nossos talentos e nossos produtos ganham cada vez mais reconhecimento internacional e a campanha vem para mostrar essas conquistas, para valorizar nossa produção, e apresentar um mercado audiovisual amadurecido”, explica o diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro.

A campanha traz cinco filmes destinados às categorias da produção: audiovisual em geral; cinema; séries; games; e animação. Nas peças, que serão veiculadas durante 30 dias nas redes sociais da Agência e também nos portais verticais de cinemas, atores encarnam os clichês mais difundidos sobre cada um dos temas. Enquanto esse discurso é apresentado, telas contrapõem esses argumentos com manchetes dos principais jornais do Brasil e do mundo e cenas que demonstram o imenso potencial do audiovisual brasileiro.

“A campanha vai além de refutar esse discurso tão forte sobre a produção nacional. Ela mostra para o público que o audiovisual brasileiro é muito mais que cinema: é uma forma completa de arte e entretenimento”, explica Adriano Alarcon, VP de criação e conteúdo da DM9DDB.

 

https://www.youtube.com/watch?v=vO7iFVW6sf0&feature=youtu.be

 

Fonte: Agência Nacional do Cinema / Ministério da Cultura

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edital de Suporte Automático para TV e VOD abre inscrições

16.10.2018 – 15:17

A Agência Nacional do Cinema (Ancine), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) publicaram nesta terça-feira (16) o Edital da Chamada Pública BRDE/FSA – Suporte Automático – Linha de Desempenho Comercial TV e VOD 2018. Serão disponibilizados recursos financeiros no valor total de R$ 40,85 milhões, sendo R$ 21,15 mi para o módulo de programação e R$ 19,7 mi para o módulo de produção.

O período de inscrição e habilitação de obras segue até 30 de novembro, neste link. A pontuação irá se basear na Receita Bruta obtida a partir do licenciamento comercial oneroso das obras de referência nos segmentos de TV aberta, TV fechada e VOD, em que a respectiva transferência do valor contratado tenha ocorrido nos dois exercícios anteriores ao da publicação do edital (2016 e 2017).

Confira aqui a lista de obras de referência para pontuação no Sistema de Suporte Financeiro Automático – Linha de Desempenho Comercial TV e VOD. Obras de referência são os conteúdos audiovisuais cujo licenciamento comercial é considerado para fins de pontuação no sistema de suporte automático, as quais devem apresentar as características previstas no item 38 do Regulamento Geral do PRODAV.

O Edital de Chamada Pública BRDE/FSA usa um sistema de financiamento público no qual as ações financiadas são selecionadas pelo Beneficiário Indireto, em face de seu desempenho e práticas comerciais anteriores nos segmentos de mercado de TV aberta, TV fechada e Vídeo por demanda, para destinação, via investimento, na produção, no desenvolvimento de projetos e na distribuição de obras audiovisuais brasileiras de produção independente.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Com informações da Ancine / Ministério da Cultura

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Brasil lança maior número de animações em 22 anos

Em 2017, o mercado brasileiro de animação viveu seu melhor cenário desde a chamada “retomada” do cinema nacional, ocorrida em 1995. Foram lançados sete longas de animação em um único ano. Nos 22 anos anteriores, haviam sido lançados, no máximo, quatro filmes de animação em um mesmo ano (em 2014). Em todo o período, foi lançado um total de 18 filmes. Atualmente, estão em fase de produção 25 longas-metragens de animação brasileiros. Nos últimos dez anos, a produção de séries animadas passou de duas para 44.

As séries de animação brasileira Peixonauta e Show da Luna são campeões de audiência no canal pago Discovery Kids. O filme Lino, de Rafael Ribas, um dos sete lançados no ano passado, se destacou entre os 20 filmes brasileiros de maior bilheteria (de um total de 158 títulos nacionais lançados em 2018). Lino contou com um orçamento de R$ 8,3 milhões, sendo que R$ 4,5 milhões vieram de leis de incentivo previstas na Lei do Audiovisual, R$ 1 milhão via Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e pouco mais de R$ 200 mil por meio de outros editais. Distribuído pela FOX, após quatro semanas de sua estreia, a animação gerou uma renda de R$ 3,8 milhões, se transformando em uma das 20 maiores bilheterias de filmes nacionais de 2017.

Este boom de animações brasileiras chamou a atenção do mundo. O Festival de Annecy, na França, o maior e mais importante festival de cinema de animação do planeta, vai homenagear a animação brasileira na edição deste ano, que será realizada de 11 a 16 de junho.

Fundo Setorial do Audiovisual

Como um dos principais mecanismos de fomento à produção audiovisual no Brasil, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pelo Ministério da Cultura (MinC) por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), vem se mostrando uma importante ferramenta para o crescimento do mercado de animação nacional, tanto no cinema quanto em séries para a televisão. Desde sua implantação, em 2007, o FSA investiu mais de R$ 109 milhões em produções do gênero, em sua maioria voltadas para o público infantil. O resultado é significativo.

Os recursos que compõem o FSA provêm de diversas fontes, em especial da arrecadação da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine). Além disso, o fundo também é composto por receitas de concessões e permissões do setor de telecomunicações, como o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel). Ou seja, é o setor alimentando o próprio setor.

Um dos fundadores de uma das maiores franquias infantis de animação brasileira, o Peixonauta, Ricardo Rozzino, dono da TV Pinguim, que também assina o Show da Luna, aponta o financiamento público como uma solução para a dificuldade enfrentada pelos produtores para a realização de séries de tevê. “No caso de O Show da Luna, hoje exibido em 74 países, esse investimento permitiu que a produção tivesse início, atraindo posteriormente outros investimentos”, informa.

Rozzino ressalta que a chegada de diversas séries brasileiras a canais de TV paga estrangeiros sinaliza ao mundo que o Brasil possui produtoras com capacidade de realizar bons produtos, com boa aceitação, inclusive no exterior. “Algumas séries brasileiras tiveram ótimo retorno, mesmo quando o público não sabia necessariamente tratar-se de produto brasileiro”, conta. O FSA, na opinião de Rozzino, vem permitindo aumentar bastante o volume de horas produzidas e a presença desses produtos em diversos canais.

O animador Andrés Lieban, criador de uma das séries infantis brasileiras de maior sucesso, Meu AmigãoZão, também acredita que o FSA e a Lei 12.485/2011 (Lei da TV Paga) são essenciais para o desenvolvimento do setor audiovisual, sobretudo para a televisão. “Foi possível viabilizar muitas séries infantis, formato que era inédito no Brasil sete ou oito anos atrás. Hoje, crianças brasileiras podem escolher heróis nacionais como ídolos entre seus desenhos animados favoritos, referência que adultos de hoje não tiveram. Isso impacta na formação, na ideologia e até na autoestima de um povo”, destaca.

A série Meu AmigãoZão recebeu R$ 4,5 milhões do FSA para a realização de duas temporadas para tevê e mais R$ 2,5 milhões para a produção de um curta-metragem. “Com o FSA, é possível pensar em obras de grande escala, porque há como planejar o retorno do investimento. O curta, no entanto, pode e deve continuar a ser estimulado, como investimento em cultura. Sem espaço para uma produção experimental livre de dirigismos estéticos ou narrativos, a indústria também não irá se desenvolver na plenitude e pode se atrofiar com o tempo”, defende.

Lieban, que também é diretor artístico da 2DLab, trabalha atualmente na produção de outras duas séries inéditas voltadas ao público infantil. “Acabamos de ser contemplados por outra linha do FSA para formação de um núcleo criativo, que trabalhará no desenvolvimento de outros cinco novos projetos. Isso norteará o trabalho da empresa por, pelo menos, mais cinco anos”, informa.

Quando o criador da série Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas, Victor-Hugo Borges, começou a trabalhar com animação, o setor era movido basicamente pelo mercado da publicidade e pelo esforço de artistas e animadores dedicados à produção de filmes independentes. “Apesar de sempre ter tido qualidade, fora da publicidade, a animação nacional não permeava o cotidiano do brasileiro. Hoje, o Brasil conta com pelo menos 20 longas-metragens em produção e contabiliza dezenas de séries infantis nacionais, presentes nas TVs aberta e por assinatura, ocupando múltiplas plataformas, criando um público cativo”, afirma.

Na avaliação de Victor-Hugo, a animação brasileira se encontra em plena expansão, alcançando patamares inéditos de quantidade, qualidade e popularidade de suas produções. “Investir na produção nacional de animação é uma opção extremamente inteligente. Infelizmente, o investimento em animação no Brasil ainda é uma novidade, com um retorno de médio a longo prazo. Por conta disso, o investimento privado ainda é tímido diante da demanda do setor, tornando o FSA fundamental para viabilizar o crescimento da atividade no País”, considera.

Sobre o FSA

O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) é um fundo destinado ao desenvolvimento articulado de toda a cadeia produtiva da atividade audiovisual no Brasil. Criado pela Lei nº 11.437, de 28 de dezembro de 2006, e regulamentado pelo Decreto nº 6.299, de 12 de dezembro de 2007, o FSA é uma categoria de programação específica do Fundo Nacional de Cultura (FNC).

O FSA é um marco na política pública de fomento à indústria cinematográfica e audiovisual no País, ao inovar quanto às formas de estímulo estatal e à abrangência de sua atuação. Isso porque o FSA contempla atividades associadas aos diversos segmentos da cadeia produtiva do setor – produção, distribuição/comercialização, exibição e infraestrutura de serviços – mediante a utilização de diferentes instrumentos financeiros, tais como investimentos, financiamentos, operações de apoio e de equalização de encargos financeiros.

Fonte: ASCOM MinC

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *