Você está aqui:
Seminário discute matrizes tradicionais do forró como Patrimônio do Brasil

Evento, que está com inscrições abertas, marca o início do processo de pesquisa para que a expressão cultural possa candidatar-se a Patrimônio Cultural

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Brasileiro (Iphan), vinculado ao Ministério da Cidadania, promove, de 8 a 10 de maio, em Recife (PE), o Seminário Forró e Patrimônio Cultural. O evento marca o início do processo de pesquisa que investigará a complexidade das Matrizes Tradicionais do Forró com suas dimensões melódicas, harmônicas, rítmicas e coreográficas, além dos modos de fazer instrumentos musicais, dos contextos sociais e culturais em que a manifestação está inserida, bem como as particularidades dos lugares onde tais referências culturais são mais simbólicas. A pesquisa se estenderá até meados de 2020 e resultará no dossiê de registro a ser analisado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que vai deliberar se o bem receberá o reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil. As inscrições já estão abertas.

O seminário vai reunir forrozeiros, artistas, músicos, artesãos, dançarinos, gestores públicos e culturais, produtores e pesquisadores de todo o Nordeste e de estados com forte presença nordestina, que há décadas acolhem e ajudam a fortalecer as Matrizes Tradicionais do Forró, como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Espírito Santo. O evento promoverá trocas de experiências sobre temas importantes para o reconhecimento e a continuidade dessa forma de expressão tão representativa da cultura brasileira.

“Este seminário é de extrema importância para o forró como forma de expressão por falar de maneira tão profunda da cultura nordestina, que vem se renovando no tempo, mantendo-se como força viva da disseminação pelo Brasil e pelo mundo”, ressalta a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

Na pauta, estão debates importantes para a compreensão do forró como Patrimônio Cultural, a exemplo da valorização e sustentabilidade da manifestação; das ações de preservação; e de políticas públicas, dentre outros. A programação buscará também compreender as formas de transmissão dos saberes relacionados, por meio de oficinas e aulas de mestres sobre os diferentes instrumentos musicais, os ritmos e as danças que constituem as Matrizes do Forró.

Haverá também espaços para apresentações e interações musicais entre músicos e dançarinos, por meio de palcos abertos, e um show de encerramento especial na tradicional casa de forró recifense, Sala de Reboco, que reunirá os participantes do Seminário na noite da sexta-feira (10). O evento será aberto ao público.

O processo de Registro das Matrizes Tradicionais do Forró

Em setembro de 2011, a Associação Cultural Balaio do Nordeste encaminhou ao Iphan o pedido de registro das Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil. Desde então o Instituto buscou, em parceria com a Associação, o Fórum Nacional Forró de Raiz e outras instituições parceiras, incentivar encontros, fóruns e audiências públicas para discutir o processo de reconhecimento, abordando os potenciais, significados e limites da política de Patrimônio Cultural. As diretrizes apontadas no Encontro Nacional para Salvaguarda das Matrizes do Forró, ocorrido em João Pessoa (PB) em setembro de 2015, são o fundamento para a pesquisa a ser realizada pela Associação Respeita Januário em cooperação com o Iphan. Confira a entrevista com a presidente da Associação Cultural Balaio do Nordeste, Joana Alves.

Formas de expressão como Patrimônio imaterial

Para que um bem seja registrado pelo Iphan, é necessário possuir relevância para a memória nacional, continuidade histórica e fazer parte das referências culturais de grupos formadores da sociedade brasileira. Entre os patrimônios imateriais inscritos no Livro do Registro das Formas de Expressão estão as Matrizes do Samba do Rio de Janeiro, o Tambor de Crioula do Maranhão, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano e o Frevo.

Serviço:
Data: 08 a 10 de maio de 2018
Horário: De 9h às 18h
Local: Museu Cais do Sertão e Paço do Frevo, Recife (PE)

Confira a Programação

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Brasileiro (Iphan)
Ministério da Cidadania

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Prêmio Rodrigo: abertas inscrições para ações que valorizam o Patrimônio

Serão selecionados oito ações no campo do Patrimônio Cultural do Brasil. Cada premiado receberá o valor de R$ 30 mil

Os projetos que atuam na preservação e promoção do Patrimônio Cultural Brasileiro já podem participar do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade deste ano. Reconhecido mundialmente pela sua diversidade cultural, o Brasil é um país que condensa em sua identidade a influência de vários grupos que colaboraram para a formação da sociedade brasileira. Há 32 anos, o Prêmio Rodrigo, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania, estimula e valoriza aqueles que atuam em favor da preservação dos bens culturais do país.

No edital deste ano, serão selecionados oito ações no campo do Patrimônio Cultural do Brasil. Cada premiado receberá o valor de R$ 30 mil. Os projetos inscritos deverão ser entregues nas superintendências do Iphan nos estados até o dia 17 de maio. As ações serão pré-selecionadas pelas comissões estaduais, compostas por representantes das diferentes áreas culturais de cada estado, presidida pelo superintendente. Os projetos vencedores na etapa estadual serão analisados pela Comissão Nacional de Avaliação, formada pela presidente do Iphan e por 19 jurados que atuam nas áreas de preservação ou salvaguarda do Patrimônio Cultural. O resultado final do concurso deverá ser divulgado até o dia 20 de agosto de 2019 no site do Iphan.

Patrimônio Cultural do Sul

Em 2019, o Iphan está promovendo o Patrimônio Cultural do Sul do país. Desde sua criação, o Prêmio Rodrigo vem se aperfeiçoando e estabelecendo novas propostas que refletem a evolução das políticas de valorização e proteção dos bens culturais. Desde 2016, a cerimônia de premiação tem sido realizada em diferentes estados, visando estimular a participação comunitária na celebração das conquistas de parceiros que se dedicam à proteção, promoção e valorização do Patrimônio Cultural Brasileiro. Por isso, em consonância com a proposta do Iphan, a celebração da 32ª edição do Prêmio Rodrigo será em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

Nesta edição, o Prêmio Rodrigo traz duas grandes categorias, subdivididas em quatro seguimentos:

Categoria 1 – Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Material: referem-se às ações nas áreas de preservação de bens de natureza material, como paisagens culturais, cidades históricas, sítios arqueológicos, edificações e monumentos; e ainda as coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos, assim como ações relacionadas de comunicação, difusão e educação, e devem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas que sejam responsáveis por sua concepção, autoria ou responsabilidade técnica.

Categoria 2 – Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Imaterial: referem-se às ações nas áreas de salvaguarda de práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; ritos e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade e do entretenimento; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares que abrigam práticas culturais coletivas. Ainda, coleções e acervos associados a estas manifestações culturais, assim como ações de comunicação, difusão e educação relacionadas, e devem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas que sejam responsáveis por sua concepção, autoria ou responsabilidade técnica.

Segmento I – Entidades governamentais da administração direta e indireta (autarquias; empresas públicas; sociedades de economia mista; e fundações públicas) dos níveis federal, estadual ou municipal;

Segmento II – Empresas e fundações privadas, não contempladas no segmento III;

Segmento III – Instituições sem fins lucrativos da sociedade civil organizada;

Segmento IV – Pessoas físicas individuais e representantes de grupos ou coletivos não constituído em pessoa jurídica.

Serão selecionadas, ao todo, oito ações, sendo uma de cada segmento, por categoria.

A Comissão Nacional de Avaliação

Presidida pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa, a Comissão Nacional de Avaliação desempenha um papel de extrema relevância para a promoção dos bens culturais do Brasil. É formada por profissionais do campo do patrimônio material, do patrimônio imaterial, por representantes de instituições públicas e da sociedade civil, experientes, qualificados e envolvidos em caráter permanente com a produção e proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro.

Assessoria de Comunicação
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cidadania

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ministério da Cidadania incentiva resgate de tradições culturais de crianças indígenas no RS

Crianças indígenas no município de Ronda Alta, no Rio Grande do Sul, estão trocando brinquedos e brincadeiras tradicionais por jogos eletrônicos e televisão. Elas têm encontrado dificuldade em se identificar com sua etnia, a Kaingang – uma das três principais etnias do estado, ao lado da Guarani e Charrua. O diagnóstico foi realizado pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania no município, onde também está localizado o Centro Cultural Kanhgág Jãre, o primeiro ponto de cultura indígena do País.

O diagnóstico faz parte de um projeto liderado pela Secretaria Especial da Cultura no âmbito do Criança Feliz, programa do Ministério da Cidadania que é referência mundial na promoção de políticas públicas para o desenvolvimento infantil. O projeto da Secretaria visa a capacitar educadores e gestores culturais no resgate de jogos e brincadeiras praticadas e difundidas nas culturas populares e tradicionais brasileiras.

Projetos como o de Ronda Alta, entre outros voltados à primeira infância, serão debatidos nesta terça (12) e quarta-feira (13) no Seminário Internacional da Primeira Infância – O Melhor Investimento para Desenvolver uma Nação, em Brasília. “Pessoas de várias partes do mundo que atuam na área da primeira infância virão apresentar os resultados de seus trabalhos. Estamos falando de um grande universo onde o programa Criança Feliz está inserido, em que é avaliado por instituições do Brasil e exterior”, explica o ministro Osmar Terra, que participa do evento acompanhado do secretário especial da Cultura, Henrique Pires.

A Secretaria Especial da Cultura defende o brincar como ferramenta de promoção do desenvolvimento infantil e como um investimento que contribui para a formação da identidade e da qualidade de vida na infância. “A ludicidade, em todas as suas expressões (jogos, brinquedos, brincadeiras), é considerada uma manifestação cultural e artística – pois apresenta simbolismos e representações de diferentes grupos sociais e étnicos”, explica o secretário Henrique Pires. “Além disso, o brincar gera prazer, fruição cultural e artística, expressão dos sentimentos e aprendizagem. Entre os resultados do brincar, estão: melhor aprendizado escolar, redução do uso de álcool e outras drogas, melhor desempenho profissional e aumento da renda na idade adulta, redução dos índices de criminalidade e violências, além da redução das desigualdades sociais”, completa.

O retorno social e econômico é outro aspecto da ludicidade, já que o investimento na primeira infância previne gastos futuros com saúde, educação e segurança pública.

Resgate da infância

No Centro Cultural Kanhgág Jãre, a Secretaria Especial da Cultura promove ações para o resgate de jogos, brincadeiras tradicionais e demais aspectos culturais da etnia Kaingang, como estudo dos grafismos e marcas culturais, além da história do artesanato, especialmente a cestaria.

O centro cultural já recebeu, por meio de convênio, investimento de R$ 75,7 mil da Secretaria Especial da Cultura. Outro convênio com a rede de Pontos de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul foi recentemente repactuado e teve sua vigência prorrogada até 2020. Os Pontos de Cultura são grupos, coletivos e entidades de natureza ou finalidade cultural que desenvolvem e articulam atividades culturais em suas comunidades e em redes, reconhecidos e certificados pela Secretaria Especial da Cultura por meio dos instrumentos da Política Nacional de Cultura Viva.

A importância do brincar é reforçada em documento elaborado pela Secretaria Especial da Cultura para o Programa Criança Feliz. Ao visitar as crianças e seus responsáveis, profissionais do programa disseminam a importância dos jogos e brincadeiras para o imaginário e o fazer infantil; e a contribuição da ludicidade para o desenvolvimento, a aprendizagem e a formação.

Criança Feliz

O Programa Criança Feliz é promovido com apoio de diversos especialistas renomados, como a diretora do Centro de Desenvolvimento Infantil na Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa da China, Mary Young. O ministro da Embaixada da China no Brasil, Song Yang, elogia a atuação do Ministério da Cidadania. “Nessa área, a China tem que aprender com as experiências do Brasil. Nós, China e Brasil, somos dois países em desenvolvimento e temos ainda muito a fazer pela nossa sociedade”, afirma.

O Ministério da Cidadania coordena as ações do Criança Feliz por meio da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social. A iniciativa integra as áreas de Saúde, Assistência Social, Educação, Justiça, Cultura e Direitos Humanos. Nas visitas semanais, técnicos capacitados orientam sobre o desenvolvimento das crianças de até 3 anos beneficiárias do Bolsa Família e de até 6 anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). As gestantes também recebem atendimento. Em breve, o programa passará também a atender crianças de até 3 anos do Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal.

Impacto Social

Os estudos sobre o impacto de programas sociais voltados à primeira infância renderam ao economista americano James Heckman o Prêmio Nobel de Economia. Heckman comprovou que políticas públicas focadas nesse período da evolução humana têm potencial de gerar verdadeiras revoluções sociais. O levantamento envolveu economistas, psicólogos, sociólogos, estatísticos e neurocientistas. O estudo apontou que o investimento em programas de aprendizagem precoce pode impulsionar resultados educacionais, econômicos e de saúde.

Estados Unidos, Canadá, Chile e Cuba são alguns exemplos de países que realizam programas de visitação domiciliar similares ao Criança Feliz. Com sede na Holanda, a Fundação Bernard Van Leer atua em mais de 20 países e, recentemente, lançou um livro sobre as ações realizadas na América Latina com foco na primeira infância. O representante da Bernard Van Leer Leonardo Yánez afirma que a Fundação apoia a continuidade do programa “e que ainda deve acompanhar a consolidação e as pesquisas sobre os resultados do Criança Feliz a longo prazo”.

Para a secretária nacional de Promoção ao Desenvolvimento Humano do Ministério da Cidadania, Ely Harasawa, a repercussão positiva do programa ao redor do mundo reforça a importância de utilizar evidências científicas na aplicação de políticas públicas, além de ser uma proposta de trabalho que gera resultados rápidos. Ela salienta: “Esse reconhecimento é fundamental. Quando você tem organizações importantes da primeira infância do cenário internacional falando do programa, desperta a atenção”.

SERVIÇO
Seminário Internacional da Primeira Infância: o melhor investimento para desenvolver uma Nação
Data: 12 e 13 de março
Horário: de 8h às 18h
Local: Millennium Convention Center – ASCADE – SCES Trecho 2 – Conjunto 10 – Lote 18.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

 

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ritmos e expressões culturais do Norte do País marcam festa de entrega do prêmio

10.11.2018 – 15:15

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu nesta sexta-feira (09), no Theatro da Paz, em Belém, a cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que chega este ano à 31ª edição. Foram premiados oito projetos que se destacaram por sua contribuição para a promoção, valorização, proteção e gestão do Patrimônio Cultural Brasileiro. A festa marcou também o encerramento de uma série de atividades desenvolvidas pelo Iphan, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, voltadas para o Patrimônio Cultura da Região Norte.

Cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade. Fotos (capa e interna): Déborah Gouthier

 

Patrimônio Material

Entre as oito ações premiadas na noite de ontem está o Projeto OCA – Origens, Cultura e Ambiente (PA), desenvolvida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), que uniu pesquisadores e comunidades no município de Gurupá, localizado na área de confluência entre os rios Amazonas e Xingu, no Pará. A interação entre a população e os pesquisadores teve início em 2014, durante o processo de escavação arqueológica no Forte de Gurupá e no sítio arqueológico Carrazedo, localizado dentro de território quilombola. Desde então o Projeto OCA realiza ações envolvendo patrimônio arqueológico. Juntos, comunidade, pesquisadores, estudantes e instituições parceiras, passaram a vivenciar o Patrimônio Cultural.

Vem do Centro Histórico de Belém a proposta do projeto Circular Campina Cidade Velha, um dos premiados do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Com cinco edições anuais já realizadas, o projeto oferece ações que unem arte, gastronomia, meio-ambiente e educação patrimonial. O objetivo é estimular o processo de revalorização do local, com a participação de parceiros institucionais e produtores independentes ali instalados que, de forma programada, abrem suas portas oferecendo atividades culturais.

O projeto Vila Maria Zélia – 100 anos, da Associação Cultural Vila Maria Zélia, de São Paulo, foi desenvolvido para celebrar, em 2017, os 100 anos da fundação dessa vila operária. Maria Zélia é um conjunto de edificações tombado em 1992 pelos conselhos de preservação do patrimônio histórico do município e do estado de São Paulo. No ano passado, durante as comemorações do centenário da vila, foram realizadas atividades como debates, exposições para apresentar a história e atual situação da vila enquanto patrimônio histórico da capital. As 210 famílias da pequena Vila transformaram suas memórias em um Centro Cultural, em livro, filme e exposição.

A recuperação de um antigo engenho e o esforços para mantê-lo preservado foram motivaram o projeto Restauração e Revitalização da Fazenda Engenho D’Água. Localizado no município de São Francisco do Conde (BA), a fazenda Engenho D’água, cuja história remete ao início do século 17, é referência para a área do Recôncavo da Bahia de Todos os Santos por ser um dos poucos engenhos preservados região. Além de hospedar turistas, a fazenda, que utiliza o patrimônio para viabilizar sua conservação, promove eventos, mantém atividades como pecuária e cultivo do cacau.

 

Patrimônio Imaterial  

Ação ganhadora do Prêmio, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, desenvolvida a partir da necessidade de elaboração do Plano Estadual de Cultura, abre espaços para debates interdisciplinares entre diversas instituições com o objetivo de compreender, difundir, valorizar, reconhecer, preservar e salvaguardar o patrimônio cultural de Pernambuco. Os debates, seminários reúnem gestores, estudantes, pesquisadores, população e profissionais que atuam na área em uma programação divida nos eixos brincar, experimentar, interpretar e pensar o patrimônio.

Letras que Flutuam é o nome do projeto que destaca a tradição familiar dos chamados abridores de letra, artistas que escrevem nomes nos barcos que navegam pelos rios do Pará. O projeto se desenvolveu nas regiões de Santarém, Marajó, Foz do Tocantins e Belém, Pará. A partir desses locais, se estendeu para municípios próximos, realizando o inventario e catalogação da arte e dos artistas. A ação abordou as prováveis origens, a história dessa arte, as influências que recebeu, a relação com o modo de vida ribeirinho e os desdobramentos e transformações a partir do desenvolvimento de novas técnicas e ferramentas de trabalho. Com um processo de construção conjunto com as comunidades, em 2017, o documentário Marajó das Letras: os abridores de letras da Amazônia Marajoara foi apresentado como segunda etapa da pesquisa.

Outro premiado, II Caravana do Museu Indígena Tremembé leva às diversas aldeias de 14 etnias do Ceará, atividades que contribuem para a preservação da memória, do patrimônio imaterial e para a difusão da cultura dos povos indígenas do estado. A primeira caravana foi realizada em 2016 e a segunda edição da caravana em 2017, com o apoio da Secretaria da Cultura do Ceará, e percorrendo 21 municípios. As atividades incluíram palestras, apresentações culturais e narrativas de memória, religiosidade e saberes medicinais, divididas em oficinas com as temáticas Políticas Culturais, Histórias dos Saberes dos Povos Indígenas e Histórias dos Troncos Velhos (tradições indígenas).

O Sonário do Sertão também foi uma das ações ganhadoras do prêmio. A proposta do projeto é fazer um registro sonoro da cultura sertaneja, no qual o acervo dos sons das comunidades acaba retratando seu Patrimônio Cultural. O inventário preserva o patrimônio imaterial do sertão de Pernambuco e Bahia. Iniciado em 2015, o Sonário do Sertão desenvoleu oficinas de capacitação técnica para os registros de áudio, levantamento do que seria registrado, debates e formação sobre a cultura do ouvir e a prática da escuta. O Sonário conta com registro de sons do cotidiano do semiárido brasileiro, como canto dos pássaros, som de carroças em movimento, do entardecer, de galinheiro, assim como grupos musicais, cantigas, orações, os cantos de trabalho e melodias assoviadas durante a plantação da mandioca e festas religiosas. As histórias narradas pelas anciãs e anciãos foram também registradas e, nessas conversas, os cantos e diversos sons participam no meio das narrativas, onde o contar e o cantar tornam-se uma coisa só.

 

Menção honrosa

Receberam o prêmio na categoria Menção Honrosa os projetos Conjunto da obra do Prodetur Nacional (PE), Conservação, Restauro e Zeladoria do Château d’Eau (RS), Preservação da Imagem e Memória da Amazônia por John Adrian Cowell (GO), Assis Horta: Retratos (MG), “Saber Fazer”: Erva-mate do Planalto Norte Catarinense (SC), Projeto Gema (RS), O Museu no Balanço das Águas (AL) e Saberes e Conhecimentos do povo Apinajé (TO).

 

Sobre o prêmio

Criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. Foi assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente da instituição. A escolha de Belém, capital paraense, para sediar a 31ª edição, se deve ao fato de o Iphan, em 2018, dedicar parte de suas atividades à promoção do Patrimônio Cultural do Norte brasileiro. A festa contou com apresentações culturais como o carimbó, bem registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, além de outras expressões tradicionais do Norte, como o Boi-Bumbá de Parintins.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Saiu resultado final da premiação: MinC investirá R$ 10 milhões em 500 iniciativas culturais populares

22.10.2018 – 12:12

O Ministério da Cultura (MinC) divulgou nesta segunda-feira (22), no Diário Oficial da União, o resultado final do Prêmio Culturas Populares 2018 – edição Selma do Coco. Foram 500 iniciativas culturais populares vencedoras, em todos os estados brasileiros, além do Distrito Federal. Nesta edição, o valor da premiação passou de R$ 10 mil para R$ 20 mil. O valor global – R$ 10 milhões – é o maior volume de recursos já concedido em seis edições da premiação. A edição atual ainda incluiu a inscrição de novos arranjos da cultura popular, como a aparelhagem e a guitarrada. Também foram permitidas a participação de indígenas, ciganos, capoeiristas e ações de hip hop.

Serão agraciados 200 prêmios para iniciativas de mestres e mestras (pessoa física); 192 para iniciativas de grupos sem Cnpj; 77 para pessoas jurídicas sem fins lucrativos; 11 para pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural; e 20 para herdeiros de mestres e mestras já falecidos (in memoriam), totalizando 500 prêmios.

“O formato deste edital permitiu uma isonomia regional, onde todas as regiões foram representadas e reconhecidas. Além disso, não só as culturas populares tradicionais foram reconhecidas, como também as manifestações dos novos arranjos, das inovações culturais”, avalia a secretária de Diversidade Cultural do MinC, Magali Moura.

Nas categorias de mestre, grupos sem Cnpj e entidades e mestres in memoriam, os prêmios ficaram distribuídos da seguinte forma: Nordeste (124), Sudeste (121), Norte (98), sul (96) e Centro-Oeste (50). Quanto aos 11 premiados com ações comprovadas em acessibilidade cultural, cinco são do Nordeste, três do Sul, dois do Sudeste e um do Centro-Oeste.

Ao todo, foram 2.227 inscrições para a edição Selma do Coco, sendo 1.482 habilitadas: 784 de mestres, 367 de grupos e comunidades, 296 de instituições privadas sem fins lucrativos e 35 de herdeiros de mestres já falecidos (in memoriam). Os estados com mais inscritos foram Paraíba (254), Minas Gerais (238), Bahia (228), Pernambuco (221) e São Paulo (194).

Os selecionados têm 15 dias para atualizar os dados bancários informados ao MinC no momento de inscrição, caso tenham mudado. Em caso de dúvidas, basta enviar um e-mail para editais.sdc@cultura.gov.br.

 

Premiação

O objetivo da iniciativa é fortalecer as expressões culturais populares brasileiras, retomando práticas populares em processo de esquecimento e que difundam as expressões populares para além dos limites de suas comunidades de origem. Exemplos dessas iniciativas são o cordel, a quadrilha, o maracatu, o jongo, o cortejo de afoxé, o bumba-meu-boi e o boi de mamão, entre outros.

As iniciativas foram analisadas por uma Comissão de Seleção que avaliou critérios como contribuição sociocultural que o projeto proporciona às comunidades; melhoria da qualidade de vida das comunidades a partir de suas práticas culturais; e impacto social e contribuição da atuação para a preservação da memória e para a manutenção das atividades dos grupos, entre outros.

Neste ano, a premiação homenageia a cantora pernambucana Selma do Coco (1929-2015). Nascida na cidade de Vitória de Santo Antão, Selma deixou como principal legado a sua contribuição para a consolidação do coco, ritmo típico do Nordeste brasileiro, como referência nacional. A artista gravou três álbuns e participou de festivais internacionais nos Estados Unidos e na Europa, além de ter ganhado o antigo Prêmio Sharp, hoje Prêmio da Música Brasileira.

 

Acesso Rápido

 Confira o resultado final da premiação

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

MinC promove resgate das brincadeiras infantis tradicionais

10.10.2018 – 10:00

Jogos, brinquedos, brincadeiras. Muito além de um passatempo, as expressões lúdicas podem ser consideradas manifestações culturais e artísticas. Apresentam simbolismos e representam diferentes grupos sociais e étnicos e a realidade de diferentes infâncias. Para o Ministério da Cultura (MinC), brincadeira é coisa séria, é ferramenta de promoção do desenvolvimento infantil. E é reforçando a importância do brincar que a Pasta contribui para o Programa Criança Feliz, do governo federal. O programa, de caráter intersetorial, promove o desenvolvimento integral das crianças na primeira infância.

Um verdadeiro tesouro está escondido nas brincadeiras praticadas e difundidas nas culturas populares e tradicionais brasileiras e o MinC está documentando essa riqueza. Para tornar essas tradições disponíveis e à mostra para qualquer cidadão, o Ministério está percorrendo algumas regiões do Brasil para documentar a ludicidade presente no País. Esse documento irá subsidiar a elaboração de uma publicação do Programa Criança Feliz referente à infância, ludicidade, cultura, diversidade e território. Com esse documento em mãos, profissionais que atuam no programa serão capacitados e, por sua vez, irão difundir os benefícios da brincadeira.

É nos primeiros anos de vida, especialmente do nascimento até os três anos (a fase também denominada primeiríssima infância), que se estabelecem as bases do desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social da criança. E a primeira infância, que segue até os seis anos, tem sido considerada a fase mais importante do desenvolvimento humano. Por estar em uma etapa que ainda não possui a capacidade de abstração totalmente desenvolvida, a criança necessita de uma ferramenta concreta para seu aprendizado e interações – e é aqui que entra a ludicidade. Atenção, concentração, raciocínio lógico, memória, linguagem, regras, colaboração e confiança são alguns dos aspectos colocados em prática e desenvolvidos por meio de jogos e brincadeiras.

Segundo a secretária da Diversidade Cultural do MinC, Magali Moura, o Ministério está cada vez mais ciente dessa relevância e pretende promover o resgate das brincadeiras infantis nas comunidades, a partir da atuação no programa do governo federal. “A infância deve ser vista como a fundação do cidadão brasileiro. Vamos atuar repassando informações que possam beneficiar o desenvolvimento da criança por meio do brincar. Estamos fortalecendo as políticas públicas voltadas à infância”, afirma Magali. O público prioritário do Criança Feliz são as gestantes e crianças de até três anos de idade beneficiárias do Programa Bolsa Família, crianças de até seis anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e crianças afastadas do convívio familiar por medida protetiva (crianças abrigadas). Atualmente, mais de 2.700 municípios brasileiros já aderiram ao programa.

O Ministério da Cultura ainda vai articular estruturas físicas como os Pontos de Cultura e os Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) para formação de profissionais envolvidos no programa. Entre outras atribuições do MinC no Criança Feliz, estão: fortalecer o empoderamento cultural da criança, promovendo estimulação criativa no contato com a diversidade cultural de seu território e dos vínculos afetivos e interpessoais; e assegurar às crianças o direito de acesso à transmissão das crenças e culturas familiares.

 

 

Da televisão ao arco e flecha

Em visita ao município Ronda Alta, no Rio Grande do Sul, representante do MinC constatou que crianças indígenas estão trocando brinquedos e brincadeiras tradicionais por jogos eletrônicos e televisão. Além da questão da ludicidade, as crianças já encontram dificuldade em se identificar com sua etnia, a Kaingang – uma das três principais do estado, ao lado da Guarani e Charrua. Também praticam a língua materna na escola (por ser componente curricular) com resistência, já que as crianças crescem falando português.

A partir dessa realidade local, o Ministério da Cultura já reforça o resgate de jogos, brincadeiras tradicionais e demais aspectos culturais da etnia Kaingang, como estudo dos grafismos e marcas culturais, além da história do artesanato – especialmente a cestaria. A ação ocorre por meio do Centro Cultural Kanhgág Jãre, o primeiro Ponto de Cultura indígena do País, que já recebeu R$ 75,7 mil em investimento do MinC, por meio de convênio. Entre as brincadeiras tradicionais resgatadas pelo ponto de cultura estão o arco e flecha e o tiro ao alvo com zarabatana. Os Pontos de Cultura são grupos, coletivos e entidades de natureza ou finalidade cultural que desenvolvem e articulam atividades culturais em suas comunidades e em redes, reconhecidos e certificados pelo MinC por meio dos instrumentos da Política Nacional de Cultura Viva.

 

 

Conheça brincadeiras tradicionais indígenas

Criança indígena brinca de “Bola ao cesto” (Foto: Divulgação MinC)

 

Arco e flecha

Construídos pelas crianças, o arco e flecha são utilizados em jogos que utilizam alvo, ou encenação de caça.

 

Tiro ao alvo com zarabatana

A criança recebe uma zarabatana (antigamente cada criança construía a sua) e deve tentar acertar os “alvos” com sementes, derrubando-os. Os alvos são animais, como tatu e macaco, desenhados em papel e colados em isopor.

 

Bola ao cesto

As crianças ficam sentadas e um cesto é colocado em uma determinada distância que não seja tão longe. Uma bola é entregue para a criança, que é incentivada a arremessar para acertar dentro do cesto.

 

O tigre e a lebre

Dois jogadores dão-se as mãos formando a “toca” e o terceiro ficará entre eles e será a “lebre”. Do lado de fora ficam as lebres perdidas, crianças que ficaram “sobrando”, sem toca. A um comando, as tocas levantam os braços e todas as lebres devem ocupar uma nova toca. Quem não conseguir entrar fica no centro, esperando nova oportunidade. O elemento que confere ainda mais animação à brincadeira é o “tigre”, que age como caçador. Nesse caso, apenas um participante fica de fora. Ele deverá perseguir os coelhinhos durante a troca de tocas. O primeiro a ser pego passará ao posto de “tigre”, depois realizam novas trocas, sucessivamente. É uma variação de outra brincadeira tradicional, chamada “Coelhinho sai da Toca”.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *