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Biblioteca de Sergipe capacita jovens em vulnerabilidade social por meio de projeto inovador

Atualmente, as aulas, com quatro meses de duração, vêm sendo dadas no prédio da Unidade de Semiliberdade da Comunidade de Ação São Francisco de Assis (Case 1), Fundação Renascer (Fotos: Divulgação)

Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória capacita e reinsere jovens de baixa renda, com dificuldade escolar ou cumprindo medidas socioeducativas por meio de projeto que ensina montagem e manutenção de computadores e educação ambiental, entre outros temas

Com mais de 170 anos de atividades, a Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória, em Aracaju (SE), está cada vez mais próxima da comunidade. A instituição desenvolve, com jovens carentes da região, principalmente os de baixa renda, com dificuldade escolar ou cumprindo medidas socioeducativas, o projeto Reciclatec, que capacita em técnicas de montagem e manutenção de computadores. Até o momento, 80 alunos de 12 a 21 anos já foram capacitados.

O Reciclatec teve início em abril de 2017 e é realizado em parcerias com órgãos públicos e empresas privadas, que doaram computadores que estavam desuso. Doze profissionais participam da ação, de forma voluntária. Todo o material didático também foi doado por voluntários. Segundo a diretora da biblioteca, Juciene Maria Santos de Jesus, a proposta é que, após o curso, os participantes sejam inseridos em programas de bolsa-estágio, tanto da iniciativa privada quanto da esfera pública. “Além disso, a ideia é que, a cada turma, o projeto seja expandido para outras bibliotecas ou comunidades com associações comunitárias organizadas”, adianta.

Além de servirem como material didático para capacitação, parte dos computadores recuperados serão doados a outras bibliotecas e ONGs para criação de telecentros que possam ser utilizados de maneira gratuita pela comunidade para serviços on-line e também outros cursos. “Esperamos que os jovens que participam do projeto se tornem multiplicadores e instrutores nas comunidades onde serão criados os telecentros”, afirma. “Também pretendemos ampliar o projeto com a criação de pequenas usinas de reciclagem de lixo eletrônico nas comunidades onde o projeto está inserido, de forma a gerar renda aos participantes”, completa Juciene.

Também faz parte do currículo a criação de uma horta orgânica para a prática dos conhecimentos adquiridos nas aulas de educação ambiental

Dentro do projeto, além da capacitação em manutenção de computadores, os jovens também têm aulas de educação ambiental, noções de ética e cidadania e letramento. “Todo o assunto abordado é trabalhado de forma interdisciplinar, facilitando a compreensão sobre os temas tratados”, explica a diretora. Também faz parte do currículo a criação de uma horta orgânica para a prática dos conhecimentos adquiridos nas aulas de educação ambiental. “Pretendemos também, futuramente, implantar uma política de reciclagem do material descartado que não há possibilidade de recuperação”, informa Juciene.

Atualmente, as aulas, com quatro meses de duração, vêm sendo dadas no prédio da Unidade de Semiliberdade da Comunidade de Ação São Francisco de Assis (Case 1), Fundação Renascer, mas deverão voltar a ser na própria biblioteca assim que terminarem algumas reformas que estão sendo realizadas no local. Enquanto o projeto estiver funcionando no Case 1, o trabalho será realizado apenas com os internos de lá. “A proposta é que, com a reinauguração da biblioteca prevista para 14 de junho, possamos abrir outra turma com o público geral”, adianta a diretora.

Experiência inovadora

Esta ação de abertura da biblioteca e integração com a sociedade na oferta de atividades “não convencionais” chamou a atenção da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, que utilizou este caso de sucesso como exemplo de boas práticas durante evento no fim do mês passado, em Quito, no Equador. Na ocasião, a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e presidente do Iberbibliotecas, Ana Maria da Costa Souza, apresentou a experiência sergipana para integrantes dos países participantes do Programa Ibero-americano de Bibliotecas Públicas.

Para Ana Maria, a biblioteca vem conseguindo trabalhar em consonância com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que estipula objetivos sustentáveis como a educação de qualidade e preparação para o trabalho. “A biblioteca deixa de ser só um equipamento e se assume como instituição democrática, indo além de suas paredes e atingindo o público fora do próprio equipamento físico. Isso é muito importante e a gente quer caminhar nesta nova linha também”, destaca Ana Maria.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Inscrições abertas para concurso de apoio a bibliotecas públicas

Serão investidos US$ 240 mil em projetos de fortalecimento e ampliação de acesso à leitura em países ibero-americanos

(publicado: 08/02/2019 17h05, última modificação: 08/02/2019 18h27)

Programa Iberbibliotecas vai investir US$ 240 mil em projetos de fortalecimento e ampliação do acesso à informação e à leitura em bibliotecas públicas, comunitárias e populares do Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, México, Paraguai, Peru e as cidades de Buenos Aires, Medellín e Quito. Até 4 de maio, estão abertas as inscrições para a 7ª edição do Concurso de Ajudas do Programa Ibero-Americano de Bibliotecas Públicas (Iberbibliotecas). O projeto visa trabalhar pela inclusão social, além de contribuir para a qualificação da educação e do desenvolvimento da população.

As propostas vencedoras receberão até US$ 20 mil, no caso do projeto apresentado por uma entidade, ou até US$ 40 mil, se inscrito por instituições de dois ou mais países integrantes do Programa. Podem se inscrever organizações públicas e privadas dos países e cidades membros do Iberbibliotecas. Países não-membros que apresentarem projeto conjunto com países ou cidades-membro, também podem participar. A participação é vetada a entidades anteriormente premiadas nessa convocatória.

O Brasil é um dos países-membro do Iberbibliotecas, e este ano assume a presidência do Programa para o biênio 2019-2021. O País investe, anualmente, US$ 90 mil para a manutenção e financiamento das linhas de ação do Iberbibliotecas. A Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania é a responsável pela coordenação do programa no País.

 

Inscrições

As inscrições podem ser formuladas em português ou espanhol, e devem ser enviadas pelo e-mail iberbibliotecas@cerlalc.org com o assunto “Concurso de ajudas 2019”. Informações sobre a documentação necessária para inscrição podem ser acessadas no site do programa. O Concurso receberá projetos em três categorias:

  1. Para o fortalecimento de redes e sistemas de bibliotecas nacionais, regionais ou de cidades;
  2. Para a elaboração de projetos de planejamento e desenvolvimento de serviços bibliotecários de extensão: bibliotecas móveis;
  3. Para a execução de projetos de bibliotecas públicas ou comunitárias relacionados diretamente ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados ao tema:
    Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos.
    Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
    Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos.
    Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
    Objetivo 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

 

O Programa

O Iberbibliotecas é um Programa da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib) e é coordenado pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (Cerlalc). Com o objetivo de promover o acesso à leitura e informação para todos os cidadãos da região, tem como meta a criação de uma rede de cooperação ibero-americana no campo das bibliotecas públicas. Atualmente, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Espanha, México, Paraguai e as cidades de Buenos Aires (Argentina), Medellín (Colômbia) e Quito (Equador) integram o Iberbibliotecas.

O Concurso de Ajudas é organizado pelo Iberbibliotecas desde 2013 e já apoiou 62 projetos. A Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, por meio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). O Brasil assumirá a presidência do Programa durante a XX reunião do Conselho Intergovernamental do Iberbibliotecas, que será realizado na cidade de Quito. O País participa da presidência desde 2017, ano em que foi eleito vice-presidente da diretoria, cuja direção ficou a cargo da Costa Rica. O Brasil é representado pela Coordenação-Geral do SNBP no Conselho Intergovernamental.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania
Com informações do Programa Iberbibliotecas

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Projetos financiados pela Lei Rouanet levam literatura a comunidades vulneráveis

22.8.2018 – 12:45

Levar livros, educação e fantasia para a vida de crianças, adolescentes e adultos em comunidades vulneráveis nas cidades e no campo é um dos objetivos dos projetos Cantos de Leitura e Leitura no Campo, realizadas pela Rede Educare. A iniciativa, que conta com financiamento obtido por meio da Lei Rouanet, consiste na montagem de bibliotecas comunitárias em locais que levam a potenciais leitores os livros que eles teriam dificuldade de acessar de outra forma.

Foto: Divulgação

Uma das bibliotecas do projeto funciona na Cooperativa de Catadores Pro-Recife, que reúne catadores de material reciclável na capital pernambucana. Inaugurada no dia 1º de setembro de 2017, nas instalações da própria cooperativa, a biblioteca atende diariamente duas turmas, cada uma com 30 crianças.

Sócio-fundador da cooperativa, José Cardoso é um entusiasta do poder transformador da cultura. “Eu acho que a gente não pode perder a esperança. E esse projeto foi muito bom para dar mais gás para eu continuar trabalhando”, avalia.

Na outra ponta, a satisfação de quem vê seus escritos mais próximos de um novo público. “Como autora, eu entendi que meu trabalho não era suficiente. Eu tinha que fazer os livros chegarem até as crianças para ajudá-las a criar hábitos de leitura”, relembra a historiadora Kátia Rocha, presidente da rede Educare e idealizadora dos projetos.

Dançando conforme a música

Como acontece com projetos de maior duração, o Cantos de Leitura foi aperfeiçoado ao longo de suas três edições. Iniciada em 2013, a proposta já é responsável pela criação ou reforma de 21 bibliotecas em todo o País e, até o fim desse ano, outras nove unidades serão entregues.

Ao longo desse período, as realizadoras desenvolveram uma metodologia para a construção das bibliotecas e constituição do acervo de referência. Cada biblioteca possui em torno de 1.200 títulos das principais editoras nacionais, que são escolhidos em parceria com técnicos da entidade beneficiada, para atender ao perfil do público.

A ideia é assegurar a oferta de obras clássicas, mas sem deixar de contemplar títulos de maior apelo aos leitores jovens, como a série Harry Potter. “Além desses, buscamos sempre colocar títulos que conversem com a realidade das comunidades, que falem de cidadania, igualdade de gênero, e sempre buscamos títulos em braile”, explica Kátia Rocha.

Outro destaque do projeto é o plano para o empréstimo de livros. Nos primeiros meses os livros só podem ser lidos nas dependências da biblioteca. É o tempo para os usuários criarem familiaridade e aprenderem a valorizar os livros. “Eles começam a namorar os livros”, diz a presidente da Educare. Depois da iniciação à leitura e à valorização do livro, processo que dura entre três e seis meses, começa o programa de empréstimo, que é todo feito com fichas catalográficas.

Brinquedoteca Mariele Franco

Uma das últimas unidades entregues foi a do Museu da Maré, no Rio de Janeiro. De acordo com Luiz Antônio de Oliveira, diretor do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) e do Museu da Maré, o espaço do Cantos de Leitura foi adaptado para ser uma brinquedoteca, uma vez que o museu já tinha um local dedicado à literatura, que ficou para uso de adolescentes e adultos, o recém-inaugurado foi inteiramente destinado ao público infantil.

Foto: Divulgação

A coordenação do museu preparou um programa especial para utilização do espaço e fez acordos com as escolas da comunidade para levarem suas turmas até a biblioteca. Por causa dessa programação específica, foi necessário capacitar os mediadores que acompanharão as crianças durante as visitas. “Nós treinamos os mediadores para receberem as turmas infantis e fazerem um trabalho continuado com as escolas. O museu é um espaço de memória, de identidade para a comunidade da Maré, e a brinquedoteca vem somar com todo o ambiente”, explica.

A brinquedoteca foi batizada com o nome da vereadora Marielle Franco pelos alunos que já foram até o local. “A Marielle era da comunidade, estudou no CEASM, era uma referência aqui”, afirma Luiz. “Na Maré vivem cerca de 150 mil pessoas e todo o trabalho que fazemos é de formiguinha, de fazer com que o morador conheça a sua história, a do seu território, é um trabalho de formação de identidade. Com a brinquedoteca, podemos fazer isso desde a infância”, ressalta Oliveira.

Aonde os livros não chegam

Já o projeto Leitura no Campo, também realizado pela Rede Educare, reforma espaços já existentes para levar a literatura e o saber a localidades rurais aonde os livros já quase nem chegam. Um destes locais é um assentamento rural de Petrolina, onde já havia uma escola que recebe 1.700 alunos, mas não tem espaço de leitura. Hoje, essa biblioteca é uma das dez previstas pelo projeto em 2018.

“Os projetos são perenes, não acabam na hora em que se inauguram as bibliotecas, os livros ficam lá. A empresa que financia pode ter um custo de, por exemplo, R$100 mil com um projeto, mas ele vai ficar para sempre para a comunidade, vai ajudar a criar hábitos de leitura. Nós mudamos vidas com isso”, afirma Kátia Rocha.

Inscrito para captação de recursos via Lei Rouanet desde 2013, em suas 3 edições, o Cantos de Leitura já conseguiu captar R$ 2,9 milhões via incentivo fiscal. Já o Leitura no Campo já captou em sua primeira edição R$1.418,00. Além do acervo, os projetos são responsáveis pela ambientação dos espaços, que contam com estrutura para atividades como contação de histórias, teatro de fantoches, dramatizações.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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MinC autorizou liberação de R$ 38,6 milhões para 63 espaços culturais em 2017

Garantir que a população tenha acesso a equipamentos culturais modernos e de alta qualidade foi uma das principais prioridades do Ministério da Cultura (MinC) em 2017. No ano passado, o MinC, por meio de sua Secretaria de Infraestrutura Cultural (Seinfra), autorizou o repasse de R$ 38,6 milhões para municípios construírem, reformarem e adquirirem equipamentos para 63 espaços culturais, entre bibliotecas, teatros e cinemas, em 57 municípios de todas as regiões do Brasil. O montante é 44% maior do que em 2016, quando foram autorizados R$ 26,8 milhões. Desde 2014, foram autorizados 261 projetos em 227 cidades. 

Além disso, foram inaugurados em 2017 10 novos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs), com um investimento de R$ 21,6 milhões do MinC. Com os dois entregues em janeiro de 2018, são 151 CEUs em funcionamento nas cinco regiões do País. Localizados em áreas de alta vulnerabilidade social, os centros oferecem, em um mesmo espaço, programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação profissional e serviços socioassistenciais, sempre com foco em áreas de alta vulnerabilidade social. “Uma das minhas prioridades, alinhada com o próprio ministério, foi dar mais velocidade às entregas dos CEUs”, afirma o secretário de Infraestrutura Cultural do MinC, Alfredo Bertini, que assumiu a secretaria no último trimestre do ano passado.

A maior parte dos recursos utilizados para construir e reformar equipamentos culturais (com exceção dos CEUs) é proveniente de emendas parlamentares. “Conseguimos executar 96,3% dos recursos previstos nas emendas, o que é um desempenho excelente. Os recursos beneficiaram inclusive municípios que, até então, não tinham equipamento cultural, o que é essencial na política do Ministério da Cultura de democratizar cada vez mais o acesso à cultura”, destaca Bertini.

Dos 63 projetos contratados em 2017, com valor global de investimento de cerca de R$ 44,3 milhões (R$ 38,6 milhões em recursos do MinC e R$ 5,7 milhões em contrapartidas dos municípios), 17 foram de construção de novos equipamentos culturais, 32 de reforma e modernização e 14 de aquisição de equipamentos e mobiliários. Foram beneficiados municípios de 18 estados: Acre, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Cultura, esporte e lazer em um só espaço

Os 10 CEUs inaugurados em 2017 ficam em Paulo Afonso (BA), São Sebastião do Passé (BA), Recanto das Emas (DF), Governador Valadares (MG), Ubá (MG), Breves (PA), Apucarana (PR), São José do Rio Preto (SP), Várzea Paulista (SP) e Votorantim (SP). Atualmente, há 151 CEUs em todo o Brasil, localizados nas cinco regiões. Outros 182 estão em construção em 169 municípios do País e no Distrito Federal.

Segundo Bertini, a previsão é inaugurar, até o fim do ano, mais 40 CEUs. Dois deles já foram entregues em janeiro nas cidades de Almirante Tamandaré (PR) e Cubatão (SP). “É uma meta ousada, mas que não depende inteiramente do MinC. Nós fizemos nossa parte, que foi liberar os recursos financeiros para a Caixa Econômica, mas as prefeituras precisam garantir que haja medições apropriadas da evolução das obras, para que os recursos sejam repassados com regularidade”, destaca o secretário. “Como temos mais de 60 projetos com 90% de obra civil concluída, estou animado em poder fazer essas entregas”, completa.

A responsabilidade pela execução das obras dos CEUs e pela posterior administração é das prefeituras municipais, que devem promover a mobilização da comunidade durante as obras e constituir um Grupo Gestor Tripartite para cada CEU, composto por um terço da comunidade, um terço da sociedade civil organizada – entidades parceiras – e um terço das secretarias municipais envolvidas com o Programa. Também cabe ao município oferecer o terreno urbanizado e regularizado. Cada centro conta com biblioteca, cineteatro (48, 60 ou 125 lugares), laboratório multimídia, salas de oficinas, espaços multiuso, Centro de Referência em Assistência Social e pista de skate. Os CEUs maiores (de 3 mil e 7 mil m²) também contam com quadra de eventos coberta, playground e pista de caminhada.

Além das inaugurações de CEUs, o MinC realizou um trabalho de capacitação voltado para a gestão e a sustentabilidade desses espaços. Os encontros foram realizados em seis CEUs de quatro regiões do País (Aparecida de Goiânia/GO, Juiz de Fora/MG, Maricá/RJ, Serra Talhada/PE, Feira de Santana/BA e Campo Largo/PR), capacitando responsáveis por centros de 99 municípios de 15 diferentes unidades da Federação. Nesses locais, ocorreram encontros com lideranças e gestores dos CEUs, com a participação da comunidade, para capacitação e troca de experiências para conduzir a mobilização social, a ocupação e a infraestrutura dos espaços. São as chamadas ações de “ativação” dos CEUs.

De acordo com o secretário, as “ativações” deste ano serão realizadas inicialmente em cinco estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Maranhão e Rondônia. “As escolhas têm a ver com a questão logística, de forma a atendermos vários estados de uma só vez”, explica Bertini. “Nas ativações, mais do que aglutinar as experiências, trocar ideias e ver o que está funcionando, nós queremos discutir duas coisas: a sustentabilidade física e de conteúdo (do espaço) e as informações para as avaliações de impacto”, informa.

Impacto socioeconômico
O MinC vai fazer um estudo em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para medir o impacto dos CEUs sobre os indicadores socioeconômicos nos locais onde foram construídos. Serão abordadas quatro questões: o retorno educacional dos jovens e adolescentes engajados nos projetos dos Centros (frequência escolar, evasão, desempenho); os efeitos na inserção no mercado formal de trabalho e retornos salariais; as implicações dos CEUs sobre indicadores de saúde e criminalidade; e os reflexos nos indicadores de bem-estar social (como iluminação pública, crescimento econômico, entre outros).
Foi realizada pela Seinfra, entre outubro de 2017 e janeiro de 2018, a terceira edição de pesquisa anual com os coordenadores gerais das Praças sobre utilização dos espaços inaugurados. O estudo mostrou que 83% do público dos CEUs é composto por crianças e jovens e as atividades mais praticadas são esportes, participação em serviços socioassistenciais, artes cênicas e leitura. Além disso, 62% dos Centros declararam que funcionam durante a semana e também nos finais de semana com atividades programadas. A média de público é de 1.277 pessoas por semana, considerando o uso dos espaços abertos e fechados.
A pesquisa também mostra que a principal forma de participação da comunidade se dá nas atividades programadas (53%) e na ocupação das áreas abertas da Praça (17%). Em 58% das Praças, a comunidade ajuda na conservação do equipamento, e 87,7% delas são utilizadas para ensaios, oficinas ou apresentações de grupos da comunidade, incluindo Pontos de Cultura, independentemente das atividades programadas oferecidas. O estudo mostrou ainda que  80% das Praças têm Grupos Gestor constituído por lei, decreto ou portaria municipal.
Entrevista com o secretário Alfredo Bertini
O secretário de Infraestrutura Cultural do Ministério da Cultura, o pernambucano Alfredo Bertini, assumiu o cargo no último trimestre do ano passado com a missão de ampliar e agilizar a construção e entrega de CEUs e equipamentos culturais. Doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP), ex-secretário de Turismo e Esportes da prefeitura de Recife e ex-presidente do Fórum dos Festivais, entidade que congrega os realizadores de eventos audiovisuais do Brasil, Bertini está em sua segunda passagem pelo MinC. Em 2016, esteve à frente da Secretaria do Audiovisual. “Retornei ao Ministério com o mesmo comprometimento que tive na passagem anterior. É uma satisfação poder contribuir com a experiência e o conhecimento que adquiri na minha vida profissional em prol da cultura brasileira. Estou comprometido com o pensamento da atual gestão de trazer essa heterogeneidade do setor cultural para seu papel de agente econômico, sem perder de vista seus valores históricos e sociais.”

“Nossa prioridade foi dar mais velocidade às entregas do CEUs e também ver como dar mais dinamismo aos convênios e contratos de repasse sobre projetos de equipamentos culturais” (Foto: Ascom/MinC)

Como sua experiência profissional e sua passagem anterior pelo MinC podem contribuir para a sua atuação na Seinfra?
Tenho um relacionamento com o Ministério da Cultura de 24 anos, porque, como produtor cultural, usei a Lei Rouanet esse tempo todo. Quando vim para a SAv, trouxe minha experiência de mais de 20 anos como produtor cultural no setor audiovisual, mas também vim com certo conhecimento da máquina, por ter demandado muito, como produtor cultural, ações e políticas do Ministério da Cultura, sobretudo do audiovisual. Já na Seinfra a experiência é diferente. A secretaria tem uma relação muito próxima com o consumidor, lá na ponta, com a necessidade de consumo cultural. As demandas são manifestadas pela necessidade de oferecer novos equipamentos ou equipamentos reformados, restaurados, desde que não sejam patrimônios tombados, que são de responsabilidade do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Que medidas o senhor pretende implementar na gestão da Secretaria de Infraestrutura Cultural?
Tenho conseguido implementar uma forma de atuação baseada em ouvir os nossos pares internos e externos. Procurei interagir com a equipe, que é altamente qualificada e diferenciada. São engenheiros, arquitetos, com um verniz técnico muito evidente. Nossa prioridade foi dar mais velocidade às entregas do CEUs e também ver como dar mais dinamismo aos convênios e contratos de repasse sobre projetos de equipamentos culturais. Além disso, atendemos a várias emendas parlamentares. A Seinfra teve 96,3% de execução das emendas.

Quais as principais metas para 2018?
Nossa meta é entregar 40 CEUs. Outra prioridade é garantir a liberação de R$ 6 milhões para cerca de 20 projetos, entre teatros, centros culturais e bibliotecas. São projetos de construção, reforma e compra de equipamentos.

Fonte: ASCOM MinC

1 Comentário

  1. Anderson Alexandre Dias Leite

    atuamos e queremos ter o titulo de ponto cultural em Eunápolis ba

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Brasil sediará estágio do Programa Iberbibliotecas

28.3.2017 – 16:09

O Brasil foi escolhido para sediar o estágio do Programa Iberbibliotecas, previsto para novembro, em São Paulo. Durante uma semana, 27 bibliotecários selecionados pelos países e cidades membros do programa farão visitas, contatos e intercâmbios com instituições do setor. Eles tratarão, durante os estudos e debates, dos seguintes temas: biblioteca para todos; biblioteca inclusiva e acessível; atendimento a diferentes públicos em situação de exclusão; e acessibilidade e desenho universal na área do livro, leitura e bibliotecas.

Podem ser inscrever bibliotecários de bibliotecas públicas e comunitárias dos países e cidades integrantes do Iberbibliotecas – Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Espanha, México, Paraguai, Buenos Aires (Argentina) e Medellín (Colômbia). O processo de postulação ao estágio é público e as inscrições devem ser enviadas diretamente pelos postulantes ao e-mail da Unidade Técnica do Iberbibliotecas: iberbibliotecas@cerlalc.org, que as redistribuirá para os países correspondentes dos inscritos. A pré-seleção será feita nesses países e a seleção definitiva será realizada pelo Comitê Intergovernamental do Programa Iberbibliotecas.

A proposta de estágio é a de proporcionar visitas, contatos e intercâmbios com instituições voltadas à temática do livro e leitura (bibliotecas públicas, comunitárias e escolares, centro culturais, organizações da cadeia produtiva do livro, núcleos de estudos e pesquisas etc.), além de organizações do campo da cultura e artistas com propostas inovadoras no campo da acessibilidade e inclusão de grupos historicamente marginalizados (pessoas com deficiência, grupos da periferia da cidade, população de rua e pessoas idosas, entre outros).

Entre os objetivos do estágio estão também a contribuição para o fortalecimento das políticas, programas e projetos relativos ao livro e à leitura, introduzindo a questão da acessibilidade e inclusão de forma articulada e transversal, além de consolidar parcerias entre bibliotecas e outros equipamentos culturais e educacionais, como museus, centros culturais, escolas e teatros.

Escolha do Brasil

Neste ano, cinco propostas concorreram como sede do estágio, sendo uma do Brasil, uma de Medellín e três da Espanha. Os integrantes do Programa ranquearam os postulantes por ordem de prioridade e a proposta brasileira foi a que recebeu mais votos como primeira opção.

“A vitória do Brasil para sediar este estágio é triplamente importante: primeiro, por reconhecer o trabalho da atual gestão do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLB), que apresentou uma proposta robusta e de qualidade, focando uma temática relevante, atual e desafiadora para todas as bibliotecas do mundo: a acessibilidade e a inclusão compreendidas de forma ampla”, afirma o diretor do DLLLB, Cristian Brayner. “Segundo, por abrir espaço para que os bibliotecários e agentes de leitura do País apresentem as boas práticas das bibliotecas e centros de leitura e, terceiro, por possibilitar que estes mesmos atores conheçam as diversas ações desenvolvidas pelos países latino-americanos”, avalia.

A participação dos estagiários será custeada pelo próprio Iberbibliotecas (investimento de US$ 58.120) e está limitada a três participantes por país ou cidade integrante do Programa. A coordenação do estágio ficará a cargo da Mais Diferenças, organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) que já realiza outras parcerias com o MinC, como o Projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas, junto com o DLLLB.

O Programa

O programa Iberbibliotecas é uma realização do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) responsável pelo fomento ao livro e à leitura na América Latina, no Caribe, em Portugal e na Espanha.

Esta é a segunda edição do Estágio/Pasantía. A primeira foi realizada no ano passado em Medellín, na Colômbia.

Fonte e Texto: Camila Campanerut/Assessoria de Comunicação/Ministério da Cultura

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