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Restaurações de pontes históricas são concluídas em São João del Rei (MG)

Ponte do Teatro, com arquitetura característica da época de construção da estação ferroviária. Foto: Raymara Gama da Luz / Iphan

Cartões-postais de São João Del Rei (MG), as pontes da Cadeia, do Rosário, do Teatro e da Passarela da Estação Ferroviária tiveram suas obras de restauração concluídas no mês de maio. As intervenções receberam investimentos de aproximadamente R$ 1,5 milhão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, através do Programa de Preservação de Cidades Históricas.

De grande importância histórica e econômica para São João del Rei, as quatro pontes, que atravessam o Córrego do Lenheiro e seus afluentes, passaram por extensas obras de restauração, visando não só a preservação do Patrimônio Cultural, mas também a segurança dos pedestres e motoristas. Além dos trabalhos estruturais, foi feita também a adequação dos passeios para as normas de acessibilidades, bem como projeto luminotécnico. Além da consolidação das pedras e argamassas de cal, foi realizada a remoção de peças metálicas oxidadas e das tintas com o objetivo de trazer as características primitivas das pontes.

Ponte São João del Rei Foto: Raymara Gama da Luz / IphanA ponte da Cadeia, em arcos de pedra, foi construída em 1797 depois que a antiga, feita de madeira, ruiu durante a passagem de uma procissão. A ponte do Rosário, construída em 1800, tem de um lado a Igreja do Rosário e do outro o Memorial Tancredo Neves e a Igreja de São Francisco. A ponte do Teatro possui arquitetura característica da época de construção da estação ferroviária. A passarela da Estação Ferroviária, que dá acesso à Maria Fumaça, foi construída com os próprios trilhos do trem.

São João del Rei

Diferentemente de outras cidades mineiras do Ciclo do Ouro, fundadas na mesma época e que tiveram seu apogeu durante o século XVIII até meados do século XIX, São João del Rei continuou a se desenvolver economicamente durante os séculos XIX e XX, encontrando no comércio e na agropecuária e, posteriormente em algumas indústrias têxteis, importantes fontes de renda.

O conjunto arquitetônico e urbanístico de São João del Rei foi tombado pelo Iphan em 1938. O núcleo histórico constituía, na época, a área que remonta ao período colonial, onde estão igrejas, capelas, pontes e os Passos da Paixão. O conjunto de bens tombados totaliza cerca de 700 imóveis, que estão contornados por edificações de arquitetura eclética. Em 2007 foi escolhida Capital Brasileira da Cultura, pela Organização Capital Brasileira da Cultura, organização não-governamental que conta com o apoio do do Ministério do Turismo e da Unesco.

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Conjunto projetado por Niemeyer recebe tombamento definitivo

Composto por 27 edificações, o conjunto está distribuído em quatro cidades brasileiras

Praça dos Três Poderes (Foto: Agência Brasília)

A Passarela do Samba, no Rio de Janeiro (RJ), o Palácio do Planalto e a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), são algumas das edificações que compõem o conjunto projetado por Oscar Niemeyer cujo comunicado de tombamento definitivo foi publicado na edição desta quinta-feira, 22, do Diário Oficial da União (DOU).

Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ) (Foto: Oscar Liberal/Acervo Iphan)O reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil foi aprovado desde 2016, quando o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural decidiu à unanimidade pelo tombamento. Ainda assim, a publicação no DOU conclui o processo de acautelamento das edificações, que são representativas do estilo arquitetônico modernista e, ainda, demarcam capítulos importantes da história brasileira, como a construção da capital federal.

Composto por 27 edificações, o conjunto está presente em quatro cidades brasileiras: Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), São Paulo (SP) e Brasília (DF). Em São Paulo, por exemplo, está o conjunto projetado para o Parque do Ibirapuera, que inclui os palácios das Artes, das Nações, dos Estados, da Indústria e o da Agricultura, além da Grande Marquise.

Já no Rio de Janeiro, está a Passarela do Samba e a Casa das Canoas, projetada originalmente para ser a residência de Niemeyer. E, em Brasília, a maior parte dos bens tombados, como os palácios do Planalto, Jaburu e da Alvorada, os blocos ministeriais, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (Ver a lista completa ao final da matéria).

Bens inscritos nos livros do tombo (Foto: Acervo Iphan).“O tempo foi o grande aliado de Niemeyer, provando o seu aceno e genialidade, já nos anos quarenta, ao propor alternativas às limitações impostas pelo excessivo atrelamento da forma à função que levaria, inexoravelmente, a edifícios muito limitados e similares”, avalia o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti em análise que consta no processo de tombamento. “Na obra do arquiteto brasileiro, a forma sempre foi ligada a um pensamento estrutural, a favor da indispensável função da beleza.”

Como bens tombados, conforme Decreto nº 25 de 1937, o conjunto de edificações é acautelado pelo Iphan, não podendo ser destruído, demolido ou mutilado. Outras intervenções, como reformas e restauros, devem ser realizadas apenas depois de autorização do Instituto.

Processo de tombamento

O processo de tombamento é fruto de uma iniciativa que buscou reconhecer os bens do arquiteto, que é referência mundial da arquitetura moderna. Depois de estudo técnico que avaliou o mérito do tombamento, os bens foram aprovados pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural e homologados pelo Ministro de Estado.

Memorial dos Povos Indígenas, Brasília (DF) (Foto: Edison Bueno/Funai)Já no mês de fevereiro deste ano, os bens foram inscritos nos livros do tombo – literalmente. É que o Arquivo Central do Iphan, que fica no Rio de Janeiro, reúne os livros em que são escritos caligraficamente os nomes das edificações tombadas.

Vida e obra

Nascido em 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro (RJ), Oscar Niemeyer entrou para a Escola de Belas Artes na então capital federal em 1929, formando-se arquiteto em 1934. Já em 1940, projetou o conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), seu primeiro grande projeto.

Em 1956, participou da concepção de Brasília ao lado de Lucio Costa, sendo autor de diversos projetos, como os palácios da Alvorada, do Planalto, o Congresso Nacional e o Teatro Nacional. Com obras espalhadas por vários estados e outros países, Niemeyer é um dos maiores representantes do movimento modernista na arquitetura. Para conhecer mais, acesse “Vida e Obra de Oscar Niemeyer”.

Conheça a lista dos bens representativos do conjunto da obra do arquiteto Oscar Niemeyer:

São Paulo (SP)

  • Conjunto de edificações projetadas por Oscar Niemeyer para o Parque do Ibirapuera: Palácio das Artes, Palácio das Nações, Palácio dos Estados, Palácio da Indústria, Palácio da Agricultura e Grande Marquise.

Niterói (RJ)

  • Museu de Arte Contemporânea de Niterói


Rio de Janeiro (RJ)

  • Passarela do Samba
  • Casa das Canoas


Brasília (DF)

  • Palácio Jaburu
  • Quartel General do Exército
  • Blocos Ministeriais e Anexos
  • Supremo Tribunal Federal
  • Palácio do Planalto
  • Congresso Nacional
  • Palácio da Alvorada – incluindo a Capela
  • Capela Nossa Senhora de Fátima
  • Palácio do Itamaraty e Anexos
  • Palácio da Justiça
  • Pombal
  • Casa de Chá
  • Praça dos Três Poderes
  • Touring Club do Brasil
  • Conjunto Cultural da República: Museu da República Honestino Guimarães e Biblioteca Nacional Leonel de Moura Brizola
  • Espaço Oscar Niemeyer
  • Conjunto Cultural da Funarte
  • Memorial dos povos indígenas
  • Memorial JK
  • Teatro Nacional Cláudio Santoro
  • Panteão da Liberdade e Democracia Tancredo Neves
  • Espaço Lúcio Costa
  • Museu da Cidade

Crédito das fotos, na ordem: Praça dos Três Poderes (Agência Brasília), Museu de Arte Contemporânea de Niterói (Oscar Liberal/Iphan), Livro do Tombo (Acervo Iphan), Memorial dos Povos Indígenas (Edison Bueno/Funai).

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Prêmio Luiz de Castro: Arqueologia do Axé em Salvador (BA)

Artigo premiado traz como tema central a arqueologia histórica marítima e os estudos étnicos e africanos

Exu submerso

Trecho de aterro com contenção na enseada de Água de Meninos (Foto: Luciana de Castro).

Uma estrutura de ferro encontrada a cerca de cinco metros de profundidade, identificado como um assentamento de Exu, na enseada de Água de Meninos, localizada no Centro Histórico de Salvador (BA), foi o objeto central de um dos artigos científicos ganhadores do prêmio Luiz de Castro Faria 2020, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Centro Nacional de Arqueologia (CNA).

Intitulado como “Arqueologia do Axé: o Exu submerso e a paisagem sagrada”, o artigo é resultado de uma pesquisa voltada à interface entre Arqueologia Histórica, Arqueologia Marítima e Estudos Étnicos e Africanos para compreender o ritual de submersão de uma estrutura afrorreligiosa, atribuída à divindade africana Exu, na baía de Todos os Santos.

Em seu estudo, a autora e pesquisadora do artigo premiado, Luciana de Castro Nunes Novaes, problematiza arqueologicamente a enseada de Água de Meninos como uma paisagem sagrada, composta por camadas de significados materiais e intangíveis, devido à presença submersa da estrutura religiosa de ferro.

Segundo ela, o foco principal foi entender o processo de submersão do assentamento, bem como compreender outras dinâmicas da população preta e afrorreligiosa, em uma cidade marcada pela presença secular de um porto, onde a diáspora africana marcou não só sua formação, mas a de todo o Centro Histórico de Salvador. “Este é um artigo científico dedicado a ampliar os estudos sobre a presença e a civilização africana na Bahia e no Brasil”, comentou.

“A premiação Luiz de Castro fortalece e contribui com a valorização deste campo de estudo que é a arqueologia da diáspora africana no Brasil. O prêmio garante maior visibilidade e amplitude para esta área de estudo.” Luciana Novaes.

Em seu livro “O Exu Submerso – Uma Arqueologia da Religião e da Diáspora no Brasil”,  Luciana sugere que o assentamento de Exu pode ter sido aterrado ou sugado pela obra do Porto de Salvador, atestada pela modificação da paisagem local, por meio do sensoriamento remoto, e apresentada no artigo. Mesmo com o provável aterramento ou sucção do assentamento, a arqueóloga acredita que o Exu não perde em nada a sua potência e ressalta que seu poder é intangível.

“A arqueologia das religiões negras se fez presente a partir de uma perspectiva afrorreligiosa em que Exu não foi considerado representado na materialidade estudada, mas foi entendido enquanto a própria materialidade”, explica ela.

Exu é uma divindade do culto das religiões de matriz africana, um Orixá. Possui poderes míticos relacionados ao comércio e à comunicação, e é considerado o protetor das feiras e dos mercados como também patrono da circulação de bens e saberes. O assentamento é uma representação do Orixá no mundo material, um termo utilizado pelas religiões negras, que significa fazer morada e fixar a energia sagrada da divindade.

O artigo científico aponta que a estrutura submersa evoca relações sociais entre realidades vividas e imemoriais, possui status religioso e étnico-racial, capaz de transformar uma paisagem pública e de caráter econômico, em uma paisagem sagrada.

A descoberta

A pesquisa acadêmica desenvolvida indicou que a estrutura afrorreligiosa submersa na enseada de Água de Meninos ocorreu em um momento posterior à construção do terminal do Ferry Boat, em dezembro de 1970. O Exu submerso foi descoberto por uma operação arqueológica vinculada ao licenciamento ambiental em 2010, com fotografia subaquática de André Lima, e relatório do arqueólogo subaquático Leandro Duran.

Assentamento de Exu submerso na enseada de Água de Meninos (Foto: André Lima).A imagem registrada e o relatório final foram acessados por Luciana mediante seu pertencimento ao mestrado do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe, e ao Laboratório de Ambientes Aquáticos (LAAA/UFS) que a fez atualizar seu projeto de pesquisa de imediato e tornar-se mergulhadora. De acordo com ela, o assentamento foi colocado ali como um guardião da Baía, protetor dos marítimos e feirantes de São Joaquim, e fixada no local em uma base para garantir estabilidade diante as correntes marítimas.

Pelo contexto arqueológico registrado, o assentamento de Exu foi manipulado por um mergulhador ou mergulhadora até a sua presença no leito da Enseada. O artigo aponta que assentar Exu em um espaço de interface comercial entre o Porto de Salvador, a Feira de São Joaquim e do Ferry Boat serve para pensar sobre as esferas de deslocamento e transição que a população negra construiu ao longo de sua presença em Salvador, além da presença histórica de feiras livres organizadas na linha do mar.

Segundo a pesquisadora, as relações entre as pessoas e as coisas são impulsionadas por necessidades particulares e requerem um olhar contextual para compreender o que de fato pode ser associado quando se trata de um estudo de caso. “As motivações que levaram a submersão do assentamento de Exu na enseada de Água de Meninos estão associadas à condição mítica e à historicidade da ancestralidade Negra no espaço”, concluiu ela.

Luciana de Castro Nunes Novaes é doutora e mestra em Arqueologia pela Universidade Federal de Sergipe, mestra em Estudos Étnicos e Africanos e doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia. A pesquisadora ainda é pós-doutoranda em Pós-Crítica pela Universidade Estadual da Bahia, bacharel e licenciada em História pela Universidade Católica de Salvador e professora Adjunta do Departamento de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe.

Junto do webinário, o Iphan promoverá as pesquisas vencedoras por meio da publicação de reportagens no site institucional, vídeos e posts nas redes sociais.

*Foto: André Lima

O artigo “Arqueologia do Axé: o Exu submerso e a paisagem sagrada” foi um dos vencedores do Prêmio Luiz de Castro Faria 2020 na categoria artigo científico. Realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a premiação tem como objetivo reconhecer trabalhos científicos no campo do Patrimônio Arqueológico Brasileiro. Nos dias 29 e 30 de abril, o Iphan realiza as “Rodas de conversa com os vencedores do prêmio Luiz de Castro de Faria” com transmissão online.

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Encontros virtuais vão subsidiar Plano de Salvaguarda da Romaria de Carros de Bois (GO)

As reuniões on-line ocorrem entre os dias 14 de abril a 14 de julho de 2021

Fiéis acompanham o tradicional desfile da Romaria de Carros de Bois, em Trindade (GO). (Foto: Acervo Iphan)

O costume de reunir famílias de várias regiões rurais para viajarem em carros de bois até o município de Trindade (GO) como forma de expressar fé é parte integrante do conjunto de atividades e rituais da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade. O desfile da Romaria de Carros de Bois realizado há cerca de 180 anos é o momento mais importante para todos que percorrem o caminho da devoção e peregrinação.

Para manter viva essa tradição, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2016, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo, realiza entre os dias 14 de abril a 14 de julho um ciclo de encontros virtuais. O objetivo dos eventos é discutir o Plano de Salvaguarda da Romaria de Carros de Bois da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade.

O objetivo das reuniões é promover o diálogo entre detentores e instituições públicas envolvidas, definindo ações a serem realizadas a curto, médio e longo prazo, relacionadas à manutenção da manifestação cultural. Dividido em quatro eixos de debates, nos encontros serão abordados: a Mobilização social e alcance da política; Gestão participativa no processo de salvaguarda; Difusão e valorização; Produção e Reprodução Cultural.

O superintendente do Iphan-GO, Allyson Cabral, explica que o plano de salvaguarda contemplará demandas dos carreiros que percorrem o caminho da fé vindo de diversos municípios goianos, na perspectiva da preservação do bem cultural em larga escala. “É necessário pensar nos saberes e práticas relacionados a Romaria de Carros de Bois.  Sendo eles transmitidos às futuras gerações, não correrão o risco de se perderem com o tempo”, destacou.

Devoção

Em devoção ao Divino Pai Eterno, os fiéis saem de diversas localidades de Goiás e outros estados do Centro-Oeste e Sudeste, seguindo até Trindade como forma de agradecer as bênçãos recebidas e pagar promessas.  Os carreiros, candeeiros e demais participantes da Romaria de Carro de Bois se colocam na posição de herdeiros e transmissores desse costume.

Ao usarem um meio de transporte tido como arcaico na atualidade, os carreiros rememoram os tempos dos seus antepassados e até mesmo o da infância, reconstruindo, ano após ano, a tradição da vida rural e das devoções católicas. Em 2020, em função da pandemia, a Festa do Divino Pai Eterno de Trindade foi cancelada, não ocorrendo também o tradicional desfile da Romaria de Carros de Bois. Para este ano, está sendo estudado se a Festa acontecerá de forma presencial ou on-line.

Confira a programação completa das reuniões e os links de participação:

Plano de Salvaguarda Romaria de Carros de Bois

14 de abril (quarta-feira) – 18h

Eixo 1: Mobilização Social e Alcance da Política

https://meet.google.com/bhi-fquw-ykk

12 de maio (quarta-feira) – 18h
Eixo 2: Gestão Participativa no processo de salvaguarda

https://meet.google.com/bji-fcpy-yhz

16 de junho (quarta-feira) – 18h
Eixo 3: Difusão e Valorização

https://meet.google.com/jqi-ukbn-gjc

14 de julho (quarta-feira) – 18h
Eixo 4: Produção e Reprodução Cultural

https://meet.google.com/msc-gufs-vvq

Mais informações para a imprensa
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Detentores participam de oficina sobre a salvaguarda do marabaixo
Marabaixo-AP

Grupos de marabaixo se mobilizam para elaboração do plano de salvaguarda (Foto: Iphan-AP)

Como pontapé inicial para a elaboração do Plano de Salvaguarda do marabaixo, Patrimônio Imaterial do Brasil desde 2018, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada ao Ministério do Turismo e à Secretaria Especial da Cultura, concluiu nesta segunda-feira (29) a primeira oficina de capacitação voltada para os marabaixeiros e marabaxeiras do Amapá.

A capacitação foi dividida em dois módulos, realizados por videoconferência. O primeiro tratou da Política Nacional do Patrimônio Imaterial e o reconhecimento do marabaixo. No segundo, os participantes conheceram os eixos de ação da salvaguarda para bens culturais registrados como Patrimônio Cultural do Brasil.

“O Plano de Salvaguarda vai direcionar a proposição de políticas públicas que garantam a valorização, a promoção e a sustentabilidade cultural do marabaixo”, explica o técnico em Antropologia da superintendência do Iphan no Amapá, Daniel Oliveira. O documento será elaborado pelos marabaixeiros e marabaxeiras, que são os detentores desse bem, com o apoio do Iphan.

“A oficina trouxe uma visão mais abrangente do que é a política de salvaguarda e como podemos adaptar as ações à nossa realidade para preservação do marabaixo”, disse a marabaixeira Danielly Paes, integrante do grupo de Marabaixo Devotos de Nossa Senhora da Conceição. A primeira oficina contou com treze participantes.

 Marabaixo

A origem do nome marabaixo remete aos africanos escravizados que morriam nos navios negreiros e cujos corpos eram jogados na água, enquanto os que sobreviviam cantavam hinos de lamento mar abaixo e mar acima. Com o tempo, eles passaram a fazer promessas aos santos que consagravam, e quando a graça era alcançada se celebrava um marabaixo em homenagem aquele santo.

Atualmente, o Ciclo do Marabaixo toma conta das ruas do centro de Macapá após a Semana Santa.  A festa é realizada como forma de manifestar toda a devoção à Santíssima Trindade e ao Divino Espírito Santo, ou seja, está ligada à religião católica. Este ano, por causa da pandemia, não haverá apresentações nas ruas. Mas as instituições que realizam o ciclo planejaram uma programação online que começa no sábado (03).

A manifestação cultural envolve tocar instrumentos, cantar e dançar. A caixa, uma espécie de tambor, é o instrumento utilizado para dar ritmo ao marabaixo. A letra da canção é chamada de ladrão. Isso porque antes as letras eram improvisadas, no momento, com base em questões do dia a dia das pessoas. Havia uma disputa, na qual o ladrão podia se apropriar da rima, roubando a cena e levando o canto em outra direção.

Legado

Passar a cultura do marabaixo às gerações futuras é uma prioridade dos detentores dessa manifestação. “Antes apenas os mais idosos participavam da roda. Na minha família, por exemplo, quando minha mãe desenvolveu Alzheimer, percebemos que ela não lembrava as letras das músicas. Sentimos a necessidade de levar essa tradição adiante. Primeiro minha irmã Marilda Costa e hoje toda a família está envolvida. Já temos uma quarta geração no marabaixo”, explica uma das coordenadoras do Ciclo, Valdinete Costa.

Crianças entram na roda do marabaixo

Em fevereiro, a família perdeu Marilda Costa, aos 78 anos. Marilda foi fundadora da Associação Cultural Berço do Marabaixo do antigo bairro Favela, atual bairro de Santa Rita. Foi membro fundadora da Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo.  Contribuiu também para o registro do marabaixo como Patrimônio Imaterial do Brasil, levando adiante a tradição que começou ainda com a avó dela, Gertrudes Saturnino, uma das precursoras do ritmo no estado.

Para atrair os jovens, nos últimos anos, os marabaxeiros incluíram as crianças nas rodas, fizeram apresentações em escolas, adotaram vestimentas mais coloridas, permitiram a aceleração dos ritmos das canções tradicionais. Em 2019, com apoio do Iphan-AP, foram realizadas apresentações em escolas de oito municípios amapaenses.

 

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Aberta consulta pública sobre a Renda Irlandesa de Divina Pastora (SE)
População pode se manifestar sobre parecer de revalidação via postal, e-mail ou formulário digital

Renda Irlandesa

Renda Irlandesa (Foto: Acervo Iphan).

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu prazo de 30 dias para que a população possa se manifestar sobre a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil concedido ao Modo de Fazer Renda Irlandesa, tendo como referência este ofício em Divina Pastora (SE). A partir desta quarta-feira (31 de março) até o dia 30 de abril, o parecer técnico sobre o bem está disponível para apreciação e manifestações da sociedade.

Para a Revalidação do Título de Patrimônio Cultural da Renda Irlandesa, o Iphan elaborou, em parceria com detentoras e organizações diretamente envolvidas com o bem, o Parecer de Revalidação, que trata das transformações pelas quais passou a Renda Irlandesa nos últimos. O documento faz uma comparação entre o ano de 2009, quando a manifestação foi registrada, e os anos posteriores, identificando aspectos culturalmente relevantes ou empecilhos à sua continuidade. O parecer também reúne recomendações e encaminhamentos para o processo de salvaguarda da Renda Irlandesa.

Renda Irlandesa (Foto: Acervo Iphan).Rendeiras, organizações e cidadãos de qualquer idade podem se manifestar por meio do correio eletrônico dpi@iphan.gov.br ou via correspondência, enviando propostas para o Departamento de Patrimônio Imaterial – Diretor – SEPS Quadra 713/913, Bloco D, 4º andar – Asa Sul -Brasília – Distrito Federal – CEP: 70.390-135. A revalidação de um bem cultural registrado pelo Iphan acontece pelo menos a cada dez anos, de acordo com o Decreto nº 3.551/2000, que institui esse instrumento de proteção. As manifestações também podem ser realizadas via formulário digital disponível ao final da matéria.

O extrato do parecer técnico da Renda Irlandesa foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 31 de março. Ao término dos 30 dias, as eventuais manifestações sobre o parecer de revalidação serão enviadas à Câmara Setorial do Patrimônio Imaterial a fim de subsidiar a avaliação do bem registrado. A Câmara, por sua vez, manifestará sua decisão sobre a reavaliação do bem e, por fim, o processo será encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que decidirá sobre a Revalidação do Título de Patrimônio Cultural do Brasil dos bens. Caso a revalidação seja negada, será mantido apenas o registro do bem como referência cultural do seu tempo.

Renda Irlandesa
Inscrito no Livro de Registro dos Saberes desde 2009, a Renda Irlandesa consiste em uma renda de agulha cujo suporte é o lacê – matéria-prima industrializada em variadas formas, sendo as mais conhecidas o fitilho e o cordão. Esse saber-fazer remonta a práticas seculares da Europa do século XVII, sendo aclimatado e reinterpretado pelas rendeiras de Divina Pastora desde o período colonial à atualidade.

Ao reinventar continuamente a técnica, os usos e os sentidos desse saber-fazer, as mulheres de Divina Pastora fazem dele mais que um meio de vida: descobrem suas próprias maneiras de viver. E de ser”, define o dossiê de registro do Modo de Fazer Renda Irlandesa.

Para se manifestar sobre a revalidação, acesse o formulário digital.

Serviço:
Consulta pública sobre o parecer de revalidação da Renda Irlandesa de Divina Pastora (SE)
Data:
de 31 de março a 30 de abril de 2021

Assessoria de Comunicação Iphan
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