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Três bens da região Norte poderão ser reconhecidos como Patrimônio Cultural Brasileiro

1.11.2018 – 15:00

Como parte de um ciclo de atividades que celebra e promove o Patrimônio Cultural da Região Norte do Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), realiza nos dias 8 e 9 de novembro a 90ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em Belém (PA). Nesses dois dias de discussões, os conselheiros irão avaliar os pedidos de reconhecimento de três bens: o Marabaixo, do Amapá; o Complexo Cultural Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, do Amazonas; e um geoglifo do Acre.

Foto: Acácio Pinheiro (Ascom/MinC)

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural é o órgão colegiado de decisão máxima do Iphan para as questões relativas ao patrimônio material e imaterial. São 22 conselheiros que representam o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

No primeiro dia da reunião, serão definidos os registros do Marabaixo e do Complexo Cultural Boi Bumbá como Patrimônios Culturais do Brasil. As duas manifestações culturais são tradicionais da região Norte e estão sendo destacadas por sua fundamental importância enquanto referência cultural brasileira. No dia 9, será avaliada a pertinência do tombamento do geoglifo localizado no Sítio Arqueológico Jacó Sá, em Rio Branco (AC), como exemplar das estruturas também conhecidas como tatuagens da terra.

 

Devoção e resistência negra 

Foto: Eduardo Costa (Iphan)

Fruto da organização e identificação predominante entre as comunidades negras do Amapá, o Marabaixo é uma expressão cultural de devoção e resistência que representa tradições e costumes locais e reúne ritmo, dança, vestimentas, comidas e literatura. A origem do nome da manifestação remete aos escravos que morriam nos navios negreiros; seus corpos eram jogados na água e os negros cantavam hinos de lamento mar abaixo e mar acima. Os negros escravizados passaram a fazer promessas aos santos que consagravam, e quando a graça era alcançada se fazia um Marabaixo.

Sua herança é deixada de pai para filho, e está associada ao fazer religioso do catolicismo popular em louvor a diversos santos padroeiros. Por ser uma forma de expressão que reúne referências culturais vivenciadas e atualizadas pelos amapaenses, fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural negra brasileira, além de compor a memória, a identidade e a formação da nossa sociedade, o Marabaixo poderá ser registrado pelo Iphan no Livro de Registro das Formas de Expressão.

 

Enredo e drama na grande festa do Boi 

Foto: Rogério de Oliveira (Iphan)

São muitos os modos de brincar que celebram o Boi Bumbá pelo Brasil. Na região Norte, o folguedo se estabeleceu de forma marcante nas regiões do Médio Amazonas e Parintins (AM), misturando uma série de danças, músicas, drama e enredo que faz o coração dos brincantes e do público pulsar forte e é uma das mais tradicionais e reconhecidas expressões culturais do país.

Com influências das missões jesuíticas, agregando referências indígenas e negras e, também de outras regiões, como o Nordeste, os Bois se caracterizam por fortes elementos marcados na transmissão do folguedo, na construção das identidades sociais e no intenso envolvimento das comunidades na preparação de seus três formatos – Boi de Arena, Boi de Terreiro e Boi de Rua – e dos inúmeros saberes que constituem o chamado Complexo do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins. Caso seja reconhecida pelo Conselho Consultivo, a manifestação cultural será registrada no Livro de Registro das Celebrações.

 

Tatuagens da terra

Foto: Oscar Liberal (Iphan)

As estruturas conhecidas como geoglifos são um tipo de sítio arqueológico, formado por estruturas escavadas no solo, valetas e muretas que representam figuras geométricas de diferentes formas e grandes dimensões. Essenciais para entender o processo de ocupação e povoamento da região amazônica, onde grupos indígenas modificaram o ambiente e imprimiram na terra as características de sua identidade, essas marcas são numerosas na região Norte do país, em especial, no Acre.

Em Rio Branco, o Sítio Arqueológico Jacó Sá poderá ter o primeiro geoglifo tombado pelo Iphan, destacado pelo seu fácil acesso e clara identificação pelos visitantes, oferecendo, além de sua já reconhecida importância científica, histórica e afetiva, também um potencial de atrativo turístico. Junto aos demais geoglifos do Estado, ele está inserido na Lista Indicativa a Patrimônio Mundial, destacados por sua excepcionalidade e relevância enquanto exemplares únicos do patrimônio histórico de todo o mundo.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Iphan / Ministério da Cultura

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Localidade do povo Guarani pode se tornar Patrimônio Cultural

30.10.2018 – 10:25

Lugar de referência para a memória e a identidade do povo Guarani, a Tava, localizada na área que corresponde ao Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS), foi construída e habitada por seus ancestrais, a pedido de sua divindade, Nhanderu.  Esse lugar sagrado pode ser reconhecido como Patrimônio Cultural do Mercosul. A decisão será tomada no XVII Encontro da Comissão do Patrimônio Cultural do Mercosul, que acontece durante os dias 30 e 31 de outubro, em Montevidéu (Uruguai).

Localizada na área que corresponde ao Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS), a Tava foi construída e habitada por ancestrais do povo Guarani. Foto: Eneida Serrano/Iphan

O processo de reconhecimento da Tava como Patrimônio Cultural do Mercosul teve início durante o processo de registro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em dezembro de 2014, quando o bem foi inscrito no Livro de Registro de Lugares. Na ocasião, lideranças Guarani pediram o que a Tava fosse reconhecida também por Argentina e Paraguai. Eles solicitaram que o Iphan apresentasse aos outros países os estudos realizados sobre o bem, mostrando sua importância como lugar sagrado onde todos, indígenas e não indígenas, podem aprender sobre a trajetória do povo Guarani.

A titulação que a Tava pode receber pelo Mercosul significa o reconhecimento da presença ancestral dos Guarani no território Yvy Rupá, que hoje integra o Brasil, a Argentina e o Paraguai, no qual organizaram uma grande rede étnica, formada por aldeias, caminhos e locais sagrados. Transitar livremente por esse território, como fizeram seus ancestrais, é um dos fundamentos do bem-viver que os Guaranis desejam preservar.

 

Lugar de Referência

A Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani, corresponde aos significados e valores atribuídos pelos Guaranis ao lugar amplamente conhecido como Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo. Trata-se de um espaço vivo, de atividades diversas e de aprendizado para os mais jovens, pois ali viveram seus ancestrais, conhecidos como os antigos.

Conforme as narrativas dos Guarani-Mbyál, os antigos seguiram os preceitos do bem-viver Guarani plantando e colhendo alimentos tradicionais, cantando e orando em suas Casas de Reza, caminhando por um vasto território, fundando aldeias e erguendo construções em pedra, as Tavas, para orientar a caminhada dos Guarani contemporâneos.

A Tava Guarani possui um sentido cosmológico profundo. Por estar em ruínas, é um testemunho da condição de finitude que caracteriza a vida terrena, mas ao mesmo tempo, demonstra que é possível superar essa condição, como fizeram os antigos que a construíram. Eles se tornaram pessoas encantadas e alcançaram a morada celeste dos imortais, onde tudo permanece vivo e se renova.

Assim, a Tava aciona sentimentos de pertencimento e identidade. Além disso, por meio dela, os Guarani-Mbyá interpretam o evento histórico das Missões, incorporando-o as suas narrativas e reelaborando-o segundo a lógica de sua cosmologia.

 

Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / Ministério da Cultura

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Premiação e lançamento de exposição marcam encerramento da semana de arqueologia

26.10.2018 – 15:32

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), premiou nesta quinta-feira (25) pesquisadores da área da arqueologia. Um dos maiores reconhecimentos científicos da arqueologia, o Prêmio Luiz Castro Faria, que está em sua 6ª edição, leva o nome de um dos maiores arqueólogos brasileiros.

Ex-diretor do Museu Nacional, Castro Faria foi um dos principais criadores da Lei 3924/1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos e todos os elementos que neles se encontram. O evento marcou o final da semana de arqueologia, que trouxe uma série de conferências, palestras e debates.

Na avaliação da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, a arqueologia brasileira tem muitos motivos para comemorar. “Os trabalhos apresentados pela academia para o Prêmio, pelas universidades e pelos pesquisadores é de altíssimo nível. Este ano a profissão de arqueólogo foi regulamentada (Lei 13.653/2018), o que é uma vitória”, disse.

Kátia destacou o Seminário de Licenciamento ambiental, que abriu as comemorações da semana de arqueologia. “Realizamos um encontro para discutir arqueologia para além do universo acadêmico, que é a chamada arqueologia de contrato, aquela relacionadas aos processos de licenciamento ambiental. O Iphan, como órgão interveniente do licenciamento ambiental junto às instituições do meio ambiente, vem realizando um trabalho cada vez mais organizado, normatizado, colocando a arqueologia e, consequentemente, a proteção do patrimônio arqueológico brasileiro ordenada. Dando cada vez mais significado e seriedade ao campo da arqueologia no Brasil e na comunidade acadêmica internacional”, afirmou.

 

Premiados  

Dividido nas categorias Artigo Científico, Mestrado e Doutorado, o Prêmio Luiz Castro Farias selecionou os artigos Maneta e Josefa no prédio da loucura: uma arqueologia dos espaços manicomiais, de autoria de Juliana Maria Brandão Moreira; a Documentação fotográfica técnica e cientifica de pinturas rupestres: A fotografia digital como ferramenta de estudos e preservação em arqueologia, de autoria de Alexandre Oliveira Costa com coautoria de Alexandre Cruz Leão e Luiz Antônio Cruz Souza.

Lorena Garcia foi uma das vencedoras da categoria Doutorado, com o trabalho Paisagens do médio-baixo Xingu: arqueologia, temporalidade e historicidade. Foto: Clara Angeleas (Ascom/MinC)

Além disso, foram premiados a monografia Contextualização espacial histórica e tecnológica dos muiraquitâs amazônicos, de autoria de Anderson Márcio Amaral Lima; a dissertação (categoria Mestrado) escolhida foi Ontem Lenha Hoje Carvão; análise antracológica do holoceno inicial e médio da Toca do Boqueirão da Pedra Furada (Piauí-Brasil): paisagem, paleoambiente e paleoetnobotânica, de autoria de Leidiana Alves da Mota.

A pesquisadora Lorena Garcia foi a vencedora do prêmio na categoria Doutorado, com o trabalho Paisagens do médio-baixo Xingu: arqueologia, temporalidade e historicidade. Fruto de uma pesquisa que teve início em 2012, a pesquisadora desenvolveu um trabalho de arqueologia na terra indígena Koatinemo com o povo Asurini, no médio-baixo Xingu, situada, em sua maior parte, no município de Altamira.

O trabalho de levantamento arqueológico na terra indígena contou com a participação direta dos Asurini. “Ao longo da pesquisa identificamos vários sítios, a partir do objetivo inicial de voltar às antigas aldeias do povo Asurini. Os Asurini tiveram o primeiro contato oficial, relativamente recente. Foi em 1971, durante a construção da rodovia Transamazônica. Os mais velhos têm na memória a lembranças das antigas aldeias, que eram anteriores ao contato com a sociedade nacional”, explicou.

De acordo com Lorena, os sítios arqueológicos encontrados a partir da pesquisa em conjunto com o projeto Territórios e Memórias Asurini do Xingu, coordenado pela professora Fabíola Andrea Silva – que orientou a pesquisa desenvolvida por Lorena – foram surpreendentes. “Visitamos as antigas aldeias. Na Amazônia é muito comum que as aldeias contem ainda com vestígios de ocupações ainda mais antigas. Nesse trabalho, identificamos sítios arqueológicos que contam a história deles e sítios mais antigos, pré-coloniais”, destacou.

Na avaliação de Lorena, o prêmio é um reconhecimento incrível, não somente pelo contexto atual no qual as populações indígenas e pesquisadores encontram-se cada vez mais ameaçados, mas para o fortalecimento da arqueologia. “Estamos vivendo uma fase de pensar uma arqueologia que dialoga com esses outros conhecimentos, epistemologias e novas formas de entender o registro arqueológico, que até então só era explicado pelos arqueólogos. Nesse sentido o prêmio vem até mesmo como uma forma de respeitar essas outras formas de conhecer, outras filosofias de vida. Não resta dúvida de que esse reconhecimento é também um passo muito importante para mim, como arqueóloga”, pontuou.

 

Exposição

A programação da semana de arqueologia contou ainda com a palestra da pesquisadora Tânia Andrade Lima, que coordenou o processo de escavação do Cais do Valongo – reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no ano passado.

Ao final, o Iphan inaugurou a exposição Coleção Arqueológica Pe. João Alfredo Rohr em Brasília, que traz ao público peças coletadas pelo padre jesuíta ao longo de 40 anos de trabalho. Composto por pedras, pontas de flechas esculpidas em pedra e em quartzo hialino – uma espécie de cristal – além de outros objetos utilizados pelos povos que habitavam a região do Distrito Federal entre 6.500 e 11 mil anos doadas. A coleção foi tombada pelo Iphan em 1986 e constitui o acervo do Museu do Homem do Sambaqui, em Florianópolis, Santa Catarina, instituição criada por ele, em 1964, e da qual foi o seu primeiro diretor.

 

SERVIÇO
Exposição: Coleção Arqueológica Pe. João Alfredo Rohr
Local: SEPS Quadra 713/913, Bloco D, Edifício Iphan – Brasília/DF
Visitação: Segunda a sexta, das 8h às 18h.
Visita guiada com escolas: Centro Nacional de Arquivologia (61) 2024.6307

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Casarão da Associação de Paroquianos é restaurado

26.10.2018 – 10:32

Exemplar típico da arquitetura do século XIX, o casarão da Rua Barão de Massambará, nº 76, sede da Associação de Paroquianos de Vassouras (Asepava), é um dos remanescentes do casario que ajuda a contar a história da Cidade dos Barões de Café, no interior do Rio de Janeiro. Depois de nove meses em obras, o imóvel agora está completamente restaurado e reabre as portas.

Casarão conta um pouco da história da Cidade dos Barões de Café, no interior do Rio de Janeiro. Foto: Acervo Iphan

Executada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), a intervenção recuperou todo o prédio, que estava em estado grave de deterioração. Construído para uso residencial, o casarão passou a ser de propriedade da Asepava, uma entidade civil de caráter assistencial, que mantinha no edifício, entre outras atividades, um bazar permanente para angariar fundos para as ações sociais da Igreja Católica na cidade.

Em 2008, no entanto, o prédio precisou ser desocupado para uma obra emergencial, devido ao comprometimento de toda sua estrutura por uma infestação de cupins. A partir de agora, plenamente recuperado pela obra que contou com recursos de quase R$ 740 mil, o imóvel volta a receber as ações sociais e educativas da Associação.

Além disso, a intervenção realizou a flexibilização dos espaços do casarão, a fim de adequá-lo para outros tipos de uso, quando necessário. Também foram instaladas as devidas condições de acessibilidade ao edifício. Integrante do Conjunto Urbanístico e Paisagístico de Vassouras, tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro, o imóvel da Asepava é parte de uma série de investimentos previstos para Vassouras (RJ), por meio do Iphan.

Outras localidades passarão por obras de restauração, como a casa do Barão de Ribeirão, onde funciona a sede do Iphan na cidade, orçada em quase R$8 milhões. Além disso, outros R$2,8 milhões foram destinados à elaboração de projetos para Vassouras (RJ), sendo que alguns deles serão, como foi o caso do Centro Cultural Cazuza, executados com recursos da iniciativa privada.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura / Com informações do Iphan

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Adro do Convento Franciscano e Igreja do Bonfim são entregues em Olinda (PE)

24.10.2018 – 11:17

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, entrega nesta quarta-feira (24), às 15h, em Olinda (PE), as obras de recuperação e requalificação do Adro do Convento Franciscano e da Igreja do Bonfim, que totalizam investimentos de R$ 5,6 milhões. A cerimônia será conduzida pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa, pelo prefeito de Olinda, Lupércio do Nascimento, e pelo arcebispo de Recife e Olinda, Dom Fernando Saburido.

Obras de recuperação, restauração e requalificação totalizam investimento de R$ 5,6 milhões. Foto: Valdiney Pimenta/Divulgação

Patrimônio Cultural Brasileiro e Patrimônio Mundial reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a cidade de Olinda combina belezas naturais e um conjunto urbano de valor inestimável. Entre os destaques dessa paisagem estão a Igreja do Bonfim e o Convento de São Francisco, agora abertos para receber turistas e fiéis.

No Convento de São Francisco, o mais antigo da Ordem Franciscana no país, um importante espaço urbano foi recuperado, com a requalificação de toda a área do adro e do largo do cruzeiro. Já a Igreja do Bonfim foi completamente restaurada, em intervenção que incluiu também os bens integrados e imagens sacras. A cerimônia de entrega contará com uma apresentação da Orquestra do Centro de Educação Musical de Olinda.

 

Adro do Convento Franciscano de Olinda

Com recursos de R$ 3,07 milhões do Iphan e dois anos e oito meses de duração, foram realizadas a reintegração e reabilitação do adro e do ambiente formado pelo largo do cruzeiro do Convento Franciscano de Olinda. A obra também incluiu a restauração da fachada principal e da calçada; restauração da cruz e do cruzeiro; consolidação dos vestígios arqueológicos; além de implantação de projeto turístico-interpretativo e condições de acessibilidade. Desse modo, a intervenção possibilitou a valorização e melhoria da qualidade do espaço, a fim de atender as necessidades da comunidade e da cidade como um todo.

Parte do conjunto tombado da Igreja de Nossa Senhora das Neves, o Convento Franciscano teve sua construção iniciada em 1585 e grande parte das obras de azulejaria e demais trabalhos artísticos foram realizados a partir do século XVII. O adro e o largo do cruzeiro já aparecem nos mapas mais antigos da cidade, sendo então considerados como parte fundamental da história urbana de Olinda. O espaço do adro, em si, configura-se como uma relevante solução urbanística, pois tira partido da topografia do terreno, colocando a Igreja e o Convento em um plano mais elevado, mas ainda integrado ao conjunto.

 

Igreja do Bonfim

Após ter sido fechada pela Defesa Civil de Olinda, devido a seu avançado grau de degradação, a Igreja do Bonfim passou por uma restauração completa, com investimentos de cerca de R$ 2,09 milhões do Iphan e agora será reaberta à população. Em um ano e meio de trabalhos foram realizadas também a restauração dos bens móveis, integrados e imagens sacras, assim como a estabilização da estrutura do templo e a reorganização do ossuário.

A intervenção teve projeto fornecido pela Arquidiocese de Olinda e Recife e foi proposta pela Prefeitura Municipal de Olinda, com execução do Iphan. A Igreja do Bonfim é uma das duas dedicadas ao Senhor do Bonfim no país, e foi construída em 1758, quando também se deu a criação da Irmandade responsável pela sua administração. Entre 1919 e 1935, várias modificações foram realizadas no local, incluindo a alteração de sua fachada, agora também recuperada após a restauração.

 

Investimentos no Patrimônio Cultural de Pernambuco

Ainda como parte da agenda em Pernambuco, a presidente e o diretor do Iphan visitarão as restaurações das igrejas Matriz de Santo Antônio e Nossa Senhora da Conceição dos Militares, em Recife, cujas obras civis estão em fase de conclusão. Ambas estão em execução desde outubro de 2014 e novas etapas, referentes aos elementos artísticos e integrados, também estão em andamento.

Essas ações são parte de um conjunto de investimentos que o Governo Federal, por meio do Iphan, tem realizado nas cidades históricas brasileiras. A restauração das bicas de Olinda está em fase final de execução e a etapa civil da restauração da Igreja de São Pedro dos Clérigos, de Recife, também foi concluída. Em Fernando de Noronha, está em execução a restauração da Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios. Com isso, soma-se R$ 26,3 milhões em recursos investidos no Patrimônio Cultural de Pernambuco nos últimos anos.

 

Serviço

Entrega das obras de restauração da Igreja do Bonfim e requalificação do adro do Convento Franciscano de Olinda
Data: 24 de outubro, 15h
Local: Igreja do Bonfim – Rua do Bonfim, Carmo (Olinda/PE)

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Com informações do Iphan / Ministério da Cultura

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Iphan debate importância do licenciamento ambiental no País

22.10.2018 – 18:00

A transparência e a ampliação do diálogo foram destacadas pela presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, durante o seminário O Iphan no Licenciamento Ambiental: Diálogos e Perspectivas Jurídicas. O evento, desenvolvido pelo Iphan, vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), abre a Semana do Licenciamento Ambiental e Gestão do Patrimônio Arqueológico, que reúne uma série de seminários, conferências e palestras entre os dias 22 e 25 de outubro, em Brasília. A semana comemorativa será encerrada com a cerimônia de entrega do Prêmio Luiz de Castro Faria, que reconhece trabalhos científicos desenvolvidos na área de arqueologia. Confira a programação do seminário de Licenciamento Ambiental.

Alexandre Sampaio, Zani Cajueiro, Kátia Bogéa, José Carlos Martins, Heitor Matallo e Gustavo Cezário prestigiam a abertura do seminário (Foto: Clara Angeleas / Ascom MinC)

Na avaliação de Kátia Bogéa, que na abertura também representou o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, os dois dias de seminário serão fundamentais para o aprofundamento do debate sobre licenciamento com representantes da área da mineração, de energia e da construção civil. “Ao longo do seminário, pretendemos assegurar dois pontos muito importantes: a transparência dos nossos processos e procedimentos, e a segurança jurídica”, enfatizou.

A presidente do Iphan ainda esclareceu o papel do Iphan no processo de licenciamento ambiental e na preservação dos patrimônios culturais e arqueológicos. “A Constituição Federal de 1988 deixa claro o conceito de referência cultural e a atuação do órgão de patrimônio do Iphan e de outros relacionados ao mesmo tema, nas esferas estadual e municipal”, afirmou.

Para Kátia, é preciso discutir mecanismos que tornem mais eficiente o processo de licenciamento. “É óbvio que um empreendedor, ao lançar um empreendimento, precisa ter regras claras, prazos definidos. Com a regulamentação anterior, o Iphan tinha até 90 dias para responder às avaliações de impacto no licenciamento ambiental. Com a Instrução Normativa nº1/2015, em vigor há três anos, temos 15 dias para averiguar o licenciamento. Esta IN inclui os bens acautelados, aqueles tombados pelo Iphan, bens registrados como patrimônio imaterial ou como patrimônio arqueológico. Não resta dúvida de que a redução do prazo de 90 para 15 dias foi um salto muito grande, no entanto, precisamos ainda aperfeiçoar”, destacou. Nos últimos dois anos, o Iphan vem estreitando a aproximação com empreendedores dos setores de construção civil, mineração e energia, áreas estratégicas e vitais para o País.

Por último, a presidente do Iphan ressaltou as dificuldades do instituto em realizar o trabalho de preservação em um País de dimensões continentais. “É um esforço muito grande por parte do Iphan de dispor de técnicos do patrimônio material em todas as unidades da federação. Infelizmente, em algumas superintendências estaduais, o Iphan não pode contar com o trabalho desses técnicos. Mesmo com a Lei do Teto, conseguimos realizar um concurso com 411 vagas, que irão ajudar a repor o quadro de servidores do Iphan, para cada vez mais trabalharmos dentro do prazo, com transparência e, principalmente, com diálogo”, concluiu.

Participaram da abertura o presidente do Conselho Empresarial do Turismo Hospitalidade da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Alexandre Sampaio; o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins; a procuradora Zani Cajueiro, representando o Ministério Público Federal; o diretor-executivo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Gustavo Cezário; e Heitor Matallo, chefe de gabinete do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

 

Gestão do Patrimônio Arqueológico

No próximo dia 24, o Centro Nacional de Arqueologia, unidade especial do Iphan, promove o seminário “Perspectivas da Gestão do Patrimônio Arqueológico”, que vai contar com a conferência de abertura A Construção de uma Política Nacional de Gestão do Patrimônio Arqueológico, do diretor do Centro Nacional de Arqueologia (CNA/Iphan), Flávio Calippo. O evento tem o objetivo de proporcionar aos gestores um momento de debate e discussões sobre os procedimentos relativos à proteção, gestão e difusão do patrimônio arqueológico brasileiro. Os interessados podem se inscrever por meio do endereço eletrônico cna@iphan.gov.br.

Acesso Rápido
Confira a programação do seminário

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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