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Igreja dos Reis Magos receberá obras para conservação

13.11.2018 – 12:18

Um dos bens culturais mais preciosos para o Espírito Santo ganhará do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura, mais uma obra de conservação. A Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida, no município da Serra, construída entre 1580 e 1615, receberá investimentos de aproximadamente R$ 720 mil. A ordem de serviço, que também contempla a residência, será assinada na próxima quarta-feira (14), às 10 horas, pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa, em cerimônia que contará com a presença do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, e do prefeito da Serra, Audifax Barcelos.

A Igreja dos Reis Magos foi construída entre 1580 e 1615 e é um dos símbolos da presença jesuíta no Brasil. Foto: Acervo Iphan

Serão realizadas ações no telhado, nas alvenarias, nas esquadrias, pisos, forros e substituição de equipamentos hidráulicos. Também será feita a recomposição de piso do pátio e da Igreja, a substituição de elementos elétricos e a realização de intervenções em elementos artísticos, como por exemplo, a higienização mecânica do quadro Adoração dos Reis Magos. A obra está prevista para ficar pronta em dez meses.

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, destaca que a igreja é um dos símbolos da presença jesuíta no Brasil. “Esta edificação secular, por sua excepcionalidade, está inscrita nos livros de Belas Artes e Histórico. Manter viva essa memória exige permanente atenção por parte de toda a comunidade e dos poderes públicos”, afirma.  A obra de conservação tem como objetivo garantir a manutenção e a proteção dos elementos arquitetônicos e artísticos do Patrimônio Cultural tombado pelo Iphan em 1943, para que o bem possa ser usufruído por toda a comunidade e pelos turistas que visitam a cidade.

O prefeito Audifax Barcelos destaca a importância do bem. “A Igreja e Residência dos Reis Magos é um dos mais importantes símbolos do Estado e da Serra. É o segundo ponto turístico mais visitado do Espírito Santo. Além de ajudar a contar parte da história da cidade, atrai visitantes e gera renda para o município. A conservação desse patrimônio é um marco e deve ser comemorada”.

 

Patrimônio Cultural conservado

No município vizinho, Anchieta, o Iphan também está com obras em andamento. O Santuário Nacional de São José de Anchieta será totalmente restaurado. O museu do Santuário do século XVI, um dos mais antigos monumentos católicos do país, irá passar por obras de acessibilidade e ganhar rampas, plataformas elevatórias, banheiro adaptado, além de sinalização em braile. A intervenção tem o propósito de democratizar o acesso às salas do museu, como a histórica Cela de São José de Anchieta. O local receberá projeto museográfico de organização do acervo, que contempla investimentos na climatização, telhado, iluminação, comunicação, sonorização e restauro de peças.

Na segunda etapa da obra, serão executados o restauro da Igreja, a montagem da sala de documentação e estudos e o paisagismo na área do entorno do Santuário. O projeto, contratado pelo Iphan, será executado pelo Instituto Modus Vivendi. A primeira etapa conta com patrocínio da Vale, que investirá R$ 5,6 milhões, via lei Rouanet.

 

Herança Jesuíta no Espírito Santo

No Estado, além do aspecto religioso, a passagem jesuítica teve significativo papel na educação e no empreendedorismo. Fundaram o Colégio de São Tiago (atual Palácio Anchieta), em Vitória, e as aldeias de Reis Magos, em Nova Almeida, e de Reritiba, em Anchieta, além das fazendas de Muribeca, em Presidente Kennedy, Itapoca, em Serra, e Araçatiba, em Viana.

As fazendas garantiam a subsistência do Colégio e a continuidade de seus trabalhos, assegurando-lhe independência autárquica, além da função específica de ensino. Elas tiveram importante influência na vida econômica da capitania ao se tornarem os mais importantes centros de produção da época.

A herança dos Jesuítas também é relevante no conjunto arquitetônico do patrimônio histórico no estado, sendo quatro os bens considerados Patrimônio Cultural Brasileiro: a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e Residência, em Anchieta; a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari; a Igreja dos Reis Magos e Residência, em Serra; e a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Viana.

Existem outros três bens tombados pelo Conselho Estadual de Cultura: a Igreja de São João de Carapina, em Serra; a Igreja de Nossa Senhora das Neves, em Presidente Kennedy; e o Palácio Anchieta, em Vitória. Contudo, dentre os vários aldeamentos jesuítas por todo o Brasil, a dos Reis Magos impressiona por ser um dos poucos conjuntos sem muitas alterações ao longo de quatro séculos.

O Pároco da cidade, Frei Diniz, destaca a importância que as obras de conservação representam para a população da Serra e convida a comunidade para participar da cerimônia. “Vamos celebrar essa iniciativa e demonstramos que valorizamos e estamos cuidando muito bem desse bem cultural que está em nossa cidade, mas é patrimônio do Brasil”, conclui.

 

Jesuítas e o Patrimônio Cultural Brasileiro

Criado em 1937, com a finalidade de promover a preservação do patrimônio cultural do Brasil, o Iphan incluiu o expressivo legado jesuítico em suas primeiras ações de proteção e conservação. Foram onze tombamentos logo em 1938, entre os quais a Catedral Basílica de Salvador (BA), o Seminário de Olinda (PE), a Capela de São Pedro d’Aldeia (RJ), o antigo Colégio de Paranaguá (PR) e as ruínas da igreja de São Miguel (RS). Paralelamente aos acautelamentos pioneiros, foram realizados detalhados estudos sobre a contribuição dos jesuítas nas artes plásticas e arquitetura.

 

Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / Ministério da Cultura

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Ritmos e expressões culturais do Norte do País marcam festa de entrega do prêmio

10.11.2018 – 15:15

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu nesta sexta-feira (09), no Theatro da Paz, em Belém, a cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que chega este ano à 31ª edição. Foram premiados oito projetos que se destacaram por sua contribuição para a promoção, valorização, proteção e gestão do Patrimônio Cultural Brasileiro. A festa marcou também o encerramento de uma série de atividades desenvolvidas pelo Iphan, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, voltadas para o Patrimônio Cultura da Região Norte.

Cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade. Fotos (capa e interna): Déborah Gouthier

 

Patrimônio Material

Entre as oito ações premiadas na noite de ontem está o Projeto OCA – Origens, Cultura e Ambiente (PA), desenvolvida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (PA), que uniu pesquisadores e comunidades no município de Gurupá, localizado na área de confluência entre os rios Amazonas e Xingu, no Pará. A interação entre a população e os pesquisadores teve início em 2014, durante o processo de escavação arqueológica no Forte de Gurupá e no sítio arqueológico Carrazedo, localizado dentro de território quilombola. Desde então o Projeto OCA realiza ações envolvendo patrimônio arqueológico. Juntos, comunidade, pesquisadores, estudantes e instituições parceiras, passaram a vivenciar o Patrimônio Cultural.

Vem do Centro Histórico de Belém a proposta do projeto Circular Campina Cidade Velha, um dos premiados do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Com cinco edições anuais já realizadas, o projeto oferece ações que unem arte, gastronomia, meio-ambiente e educação patrimonial. O objetivo é estimular o processo de revalorização do local, com a participação de parceiros institucionais e produtores independentes ali instalados que, de forma programada, abrem suas portas oferecendo atividades culturais.

O projeto Vila Maria Zélia – 100 anos, da Associação Cultural Vila Maria Zélia, de São Paulo, foi desenvolvido para celebrar, em 2017, os 100 anos da fundação dessa vila operária. Maria Zélia é um conjunto de edificações tombado em 1992 pelos conselhos de preservação do patrimônio histórico do município e do estado de São Paulo. No ano passado, durante as comemorações do centenário da vila, foram realizadas atividades como debates, exposições para apresentar a história e atual situação da vila enquanto patrimônio histórico da capital. As 210 famílias da pequena Vila transformaram suas memórias em um Centro Cultural, em livro, filme e exposição.

A recuperação de um antigo engenho e o esforços para mantê-lo preservado foram motivaram o projeto Restauração e Revitalização da Fazenda Engenho D’Água. Localizado no município de São Francisco do Conde (BA), a fazenda Engenho D’água, cuja história remete ao início do século 17, é referência para a área do Recôncavo da Bahia de Todos os Santos por ser um dos poucos engenhos preservados região. Além de hospedar turistas, a fazenda, que utiliza o patrimônio para viabilizar sua conservação, promove eventos, mantém atividades como pecuária e cultivo do cacau.

 

Patrimônio Imaterial  

Ação ganhadora do Prêmio, a Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, desenvolvida a partir da necessidade de elaboração do Plano Estadual de Cultura, abre espaços para debates interdisciplinares entre diversas instituições com o objetivo de compreender, difundir, valorizar, reconhecer, preservar e salvaguardar o patrimônio cultural de Pernambuco. Os debates, seminários reúnem gestores, estudantes, pesquisadores, população e profissionais que atuam na área em uma programação divida nos eixos brincar, experimentar, interpretar e pensar o patrimônio.

Letras que Flutuam é o nome do projeto que destaca a tradição familiar dos chamados abridores de letra, artistas que escrevem nomes nos barcos que navegam pelos rios do Pará. O projeto se desenvolveu nas regiões de Santarém, Marajó, Foz do Tocantins e Belém, Pará. A partir desses locais, se estendeu para municípios próximos, realizando o inventario e catalogação da arte e dos artistas. A ação abordou as prováveis origens, a história dessa arte, as influências que recebeu, a relação com o modo de vida ribeirinho e os desdobramentos e transformações a partir do desenvolvimento de novas técnicas e ferramentas de trabalho. Com um processo de construção conjunto com as comunidades, em 2017, o documentário Marajó das Letras: os abridores de letras da Amazônia Marajoara foi apresentado como segunda etapa da pesquisa.

Outro premiado, II Caravana do Museu Indígena Tremembé leva às diversas aldeias de 14 etnias do Ceará, atividades que contribuem para a preservação da memória, do patrimônio imaterial e para a difusão da cultura dos povos indígenas do estado. A primeira caravana foi realizada em 2016 e a segunda edição da caravana em 2017, com o apoio da Secretaria da Cultura do Ceará, e percorrendo 21 municípios. As atividades incluíram palestras, apresentações culturais e narrativas de memória, religiosidade e saberes medicinais, divididas em oficinas com as temáticas Políticas Culturais, Histórias dos Saberes dos Povos Indígenas e Histórias dos Troncos Velhos (tradições indígenas).

O Sonário do Sertão também foi uma das ações ganhadoras do prêmio. A proposta do projeto é fazer um registro sonoro da cultura sertaneja, no qual o acervo dos sons das comunidades acaba retratando seu Patrimônio Cultural. O inventário preserva o patrimônio imaterial do sertão de Pernambuco e Bahia. Iniciado em 2015, o Sonário do Sertão desenvoleu oficinas de capacitação técnica para os registros de áudio, levantamento do que seria registrado, debates e formação sobre a cultura do ouvir e a prática da escuta. O Sonário conta com registro de sons do cotidiano do semiárido brasileiro, como canto dos pássaros, som de carroças em movimento, do entardecer, de galinheiro, assim como grupos musicais, cantigas, orações, os cantos de trabalho e melodias assoviadas durante a plantação da mandioca e festas religiosas. As histórias narradas pelas anciãs e anciãos foram também registradas e, nessas conversas, os cantos e diversos sons participam no meio das narrativas, onde o contar e o cantar tornam-se uma coisa só.

 

Menção honrosa

Receberam o prêmio na categoria Menção Honrosa os projetos Conjunto da obra do Prodetur Nacional (PE), Conservação, Restauro e Zeladoria do Château d’Eau (RS), Preservação da Imagem e Memória da Amazônia por John Adrian Cowell (GO), Assis Horta: Retratos (MG), “Saber Fazer”: Erva-mate do Planalto Norte Catarinense (SC), Projeto Gema (RS), O Museu no Balanço das Águas (AL) e Saberes e Conhecimentos do povo Apinajé (TO).

 

Sobre o prêmio

Criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. Foi assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente da instituição. A escolha de Belém, capital paraense, para sediar a 31ª edição, se deve ao fato de o Iphan, em 2018, dedicar parte de suas atividades à promoção do Patrimônio Cultural do Norte brasileiro. A festa contou com apresentações culturais como o carimbó, bem registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, além de outras expressões tradicionais do Norte, como o Boi-Bumbá de Parintins.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Três bens da região Norte poderão ser reconhecidos como Patrimônio Cultural Brasileiro

1.11.2018 – 15:00

Como parte de um ciclo de atividades que celebra e promove o Patrimônio Cultural da Região Norte do Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), realiza nos dias 8 e 9 de novembro a 90ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em Belém (PA). Nesses dois dias de discussões, os conselheiros irão avaliar os pedidos de reconhecimento de três bens: o Marabaixo, do Amapá; o Complexo Cultural Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, do Amazonas; e um geoglifo do Acre.

Foto: Acácio Pinheiro (Ascom/MinC)

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural é o órgão colegiado de decisão máxima do Iphan para as questões relativas ao patrimônio material e imaterial. São 22 conselheiros que representam o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

No primeiro dia da reunião, serão definidos os registros do Marabaixo e do Complexo Cultural Boi Bumbá como Patrimônios Culturais do Brasil. As duas manifestações culturais são tradicionais da região Norte e estão sendo destacadas por sua fundamental importância enquanto referência cultural brasileira. No dia 9, será avaliada a pertinência do tombamento do geoglifo localizado no Sítio Arqueológico Jacó Sá, em Rio Branco (AC), como exemplar das estruturas também conhecidas como tatuagens da terra.

 

Devoção e resistência negra 

Foto: Eduardo Costa (Iphan)

Fruto da organização e identificação predominante entre as comunidades negras do Amapá, o Marabaixo é uma expressão cultural de devoção e resistência que representa tradições e costumes locais e reúne ritmo, dança, vestimentas, comidas e literatura. A origem do nome da manifestação remete aos escravos que morriam nos navios negreiros; seus corpos eram jogados na água e os negros cantavam hinos de lamento mar abaixo e mar acima. Os negros escravizados passaram a fazer promessas aos santos que consagravam, e quando a graça era alcançada se fazia um Marabaixo.

Sua herança é deixada de pai para filho, e está associada ao fazer religioso do catolicismo popular em louvor a diversos santos padroeiros. Por ser uma forma de expressão que reúne referências culturais vivenciadas e atualizadas pelos amapaenses, fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural negra brasileira, além de compor a memória, a identidade e a formação da nossa sociedade, o Marabaixo poderá ser registrado pelo Iphan no Livro de Registro das Formas de Expressão.

 

Enredo e drama na grande festa do Boi 

Foto: Rogério de Oliveira (Iphan)

São muitos os modos de brincar que celebram o Boi Bumbá pelo Brasil. Na região Norte, o folguedo se estabeleceu de forma marcante nas regiões do Médio Amazonas e Parintins (AM), misturando uma série de danças, músicas, drama e enredo que faz o coração dos brincantes e do público pulsar forte e é uma das mais tradicionais e reconhecidas expressões culturais do país.

Com influências das missões jesuíticas, agregando referências indígenas e negras e, também de outras regiões, como o Nordeste, os Bois se caracterizam por fortes elementos marcados na transmissão do folguedo, na construção das identidades sociais e no intenso envolvimento das comunidades na preparação de seus três formatos – Boi de Arena, Boi de Terreiro e Boi de Rua – e dos inúmeros saberes que constituem o chamado Complexo do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins. Caso seja reconhecida pelo Conselho Consultivo, a manifestação cultural será registrada no Livro de Registro das Celebrações.

 

Tatuagens da terra

Foto: Oscar Liberal (Iphan)

As estruturas conhecidas como geoglifos são um tipo de sítio arqueológico, formado por estruturas escavadas no solo, valetas e muretas que representam figuras geométricas de diferentes formas e grandes dimensões. Essenciais para entender o processo de ocupação e povoamento da região amazônica, onde grupos indígenas modificaram o ambiente e imprimiram na terra as características de sua identidade, essas marcas são numerosas na região Norte do país, em especial, no Acre.

Em Rio Branco, o Sítio Arqueológico Jacó Sá poderá ter o primeiro geoglifo tombado pelo Iphan, destacado pelo seu fácil acesso e clara identificação pelos visitantes, oferecendo, além de sua já reconhecida importância científica, histórica e afetiva, também um potencial de atrativo turístico. Junto aos demais geoglifos do Estado, ele está inserido na Lista Indicativa a Patrimônio Mundial, destacados por sua excepcionalidade e relevância enquanto exemplares únicos do patrimônio histórico de todo o mundo.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação Iphan / Ministério da Cultura

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Localidade do povo Guarani pode se tornar Patrimônio Cultural

30.10.2018 – 10:25

Lugar de referência para a memória e a identidade do povo Guarani, a Tava, localizada na área que corresponde ao Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS), foi construída e habitada por seus ancestrais, a pedido de sua divindade, Nhanderu.  Esse lugar sagrado pode ser reconhecido como Patrimônio Cultural do Mercosul. A decisão será tomada no XVII Encontro da Comissão do Patrimônio Cultural do Mercosul, que acontece durante os dias 30 e 31 de outubro, em Montevidéu (Uruguai).

Localizada na área que corresponde ao Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS), a Tava foi construída e habitada por ancestrais do povo Guarani. Foto: Eneida Serrano/Iphan

O processo de reconhecimento da Tava como Patrimônio Cultural do Mercosul teve início durante o processo de registro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em dezembro de 2014, quando o bem foi inscrito no Livro de Registro de Lugares. Na ocasião, lideranças Guarani pediram o que a Tava fosse reconhecida também por Argentina e Paraguai. Eles solicitaram que o Iphan apresentasse aos outros países os estudos realizados sobre o bem, mostrando sua importância como lugar sagrado onde todos, indígenas e não indígenas, podem aprender sobre a trajetória do povo Guarani.

A titulação que a Tava pode receber pelo Mercosul significa o reconhecimento da presença ancestral dos Guarani no território Yvy Rupá, que hoje integra o Brasil, a Argentina e o Paraguai, no qual organizaram uma grande rede étnica, formada por aldeias, caminhos e locais sagrados. Transitar livremente por esse território, como fizeram seus ancestrais, é um dos fundamentos do bem-viver que os Guaranis desejam preservar.

 

Lugar de Referência

A Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani, corresponde aos significados e valores atribuídos pelos Guaranis ao lugar amplamente conhecido como Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo. Trata-se de um espaço vivo, de atividades diversas e de aprendizado para os mais jovens, pois ali viveram seus ancestrais, conhecidos como os antigos.

Conforme as narrativas dos Guarani-Mbyál, os antigos seguiram os preceitos do bem-viver Guarani plantando e colhendo alimentos tradicionais, cantando e orando em suas Casas de Reza, caminhando por um vasto território, fundando aldeias e erguendo construções em pedra, as Tavas, para orientar a caminhada dos Guarani contemporâneos.

A Tava Guarani possui um sentido cosmológico profundo. Por estar em ruínas, é um testemunho da condição de finitude que caracteriza a vida terrena, mas ao mesmo tempo, demonstra que é possível superar essa condição, como fizeram os antigos que a construíram. Eles se tornaram pessoas encantadas e alcançaram a morada celeste dos imortais, onde tudo permanece vivo e se renova.

Assim, a Tava aciona sentimentos de pertencimento e identidade. Além disso, por meio dela, os Guarani-Mbyá interpretam o evento histórico das Missões, incorporando-o as suas narrativas e reelaborando-o segundo a lógica de sua cosmologia.

 

Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / Ministério da Cultura

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Premiação e lançamento de exposição marcam encerramento da semana de arqueologia

26.10.2018 – 15:32

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), premiou nesta quinta-feira (25) pesquisadores da área da arqueologia. Um dos maiores reconhecimentos científicos da arqueologia, o Prêmio Luiz Castro Faria, que está em sua 6ª edição, leva o nome de um dos maiores arqueólogos brasileiros.

Ex-diretor do Museu Nacional, Castro Faria foi um dos principais criadores da Lei 3924/1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos e todos os elementos que neles se encontram. O evento marcou o final da semana de arqueologia, que trouxe uma série de conferências, palestras e debates.

Na avaliação da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, a arqueologia brasileira tem muitos motivos para comemorar. “Os trabalhos apresentados pela academia para o Prêmio, pelas universidades e pelos pesquisadores é de altíssimo nível. Este ano a profissão de arqueólogo foi regulamentada (Lei 13.653/2018), o que é uma vitória”, disse.

Kátia destacou o Seminário de Licenciamento ambiental, que abriu as comemorações da semana de arqueologia. “Realizamos um encontro para discutir arqueologia para além do universo acadêmico, que é a chamada arqueologia de contrato, aquela relacionadas aos processos de licenciamento ambiental. O Iphan, como órgão interveniente do licenciamento ambiental junto às instituições do meio ambiente, vem realizando um trabalho cada vez mais organizado, normatizado, colocando a arqueologia e, consequentemente, a proteção do patrimônio arqueológico brasileiro ordenada. Dando cada vez mais significado e seriedade ao campo da arqueologia no Brasil e na comunidade acadêmica internacional”, afirmou.

 

Premiados  

Dividido nas categorias Artigo Científico, Mestrado e Doutorado, o Prêmio Luiz Castro Farias selecionou os artigos Maneta e Josefa no prédio da loucura: uma arqueologia dos espaços manicomiais, de autoria de Juliana Maria Brandão Moreira; a Documentação fotográfica técnica e cientifica de pinturas rupestres: A fotografia digital como ferramenta de estudos e preservação em arqueologia, de autoria de Alexandre Oliveira Costa com coautoria de Alexandre Cruz Leão e Luiz Antônio Cruz Souza.

Lorena Garcia foi uma das vencedoras da categoria Doutorado, com o trabalho Paisagens do médio-baixo Xingu: arqueologia, temporalidade e historicidade. Foto: Clara Angeleas (Ascom/MinC)

Além disso, foram premiados a monografia Contextualização espacial histórica e tecnológica dos muiraquitâs amazônicos, de autoria de Anderson Márcio Amaral Lima; a dissertação (categoria Mestrado) escolhida foi Ontem Lenha Hoje Carvão; análise antracológica do holoceno inicial e médio da Toca do Boqueirão da Pedra Furada (Piauí-Brasil): paisagem, paleoambiente e paleoetnobotânica, de autoria de Leidiana Alves da Mota.

A pesquisadora Lorena Garcia foi a vencedora do prêmio na categoria Doutorado, com o trabalho Paisagens do médio-baixo Xingu: arqueologia, temporalidade e historicidade. Fruto de uma pesquisa que teve início em 2012, a pesquisadora desenvolveu um trabalho de arqueologia na terra indígena Koatinemo com o povo Asurini, no médio-baixo Xingu, situada, em sua maior parte, no município de Altamira.

O trabalho de levantamento arqueológico na terra indígena contou com a participação direta dos Asurini. “Ao longo da pesquisa identificamos vários sítios, a partir do objetivo inicial de voltar às antigas aldeias do povo Asurini. Os Asurini tiveram o primeiro contato oficial, relativamente recente. Foi em 1971, durante a construção da rodovia Transamazônica. Os mais velhos têm na memória a lembranças das antigas aldeias, que eram anteriores ao contato com a sociedade nacional”, explicou.

De acordo com Lorena, os sítios arqueológicos encontrados a partir da pesquisa em conjunto com o projeto Territórios e Memórias Asurini do Xingu, coordenado pela professora Fabíola Andrea Silva – que orientou a pesquisa desenvolvida por Lorena – foram surpreendentes. “Visitamos as antigas aldeias. Na Amazônia é muito comum que as aldeias contem ainda com vestígios de ocupações ainda mais antigas. Nesse trabalho, identificamos sítios arqueológicos que contam a história deles e sítios mais antigos, pré-coloniais”, destacou.

Na avaliação de Lorena, o prêmio é um reconhecimento incrível, não somente pelo contexto atual no qual as populações indígenas e pesquisadores encontram-se cada vez mais ameaçados, mas para o fortalecimento da arqueologia. “Estamos vivendo uma fase de pensar uma arqueologia que dialoga com esses outros conhecimentos, epistemologias e novas formas de entender o registro arqueológico, que até então só era explicado pelos arqueólogos. Nesse sentido o prêmio vem até mesmo como uma forma de respeitar essas outras formas de conhecer, outras filosofias de vida. Não resta dúvida de que esse reconhecimento é também um passo muito importante para mim, como arqueóloga”, pontuou.

 

Exposição

A programação da semana de arqueologia contou ainda com a palestra da pesquisadora Tânia Andrade Lima, que coordenou o processo de escavação do Cais do Valongo – reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), no ano passado.

Ao final, o Iphan inaugurou a exposição Coleção Arqueológica Pe. João Alfredo Rohr em Brasília, que traz ao público peças coletadas pelo padre jesuíta ao longo de 40 anos de trabalho. Composto por pedras, pontas de flechas esculpidas em pedra e em quartzo hialino – uma espécie de cristal – além de outros objetos utilizados pelos povos que habitavam a região do Distrito Federal entre 6.500 e 11 mil anos doadas. A coleção foi tombada pelo Iphan em 1986 e constitui o acervo do Museu do Homem do Sambaqui, em Florianópolis, Santa Catarina, instituição criada por ele, em 1964, e da qual foi o seu primeiro diretor.

 

SERVIÇO
Exposição: Coleção Arqueológica Pe. João Alfredo Rohr
Local: SEPS Quadra 713/913, Bloco D, Edifício Iphan – Brasília/DF
Visitação: Segunda a sexta, das 8h às 18h.
Visita guiada com escolas: Centro Nacional de Arquivologia (61) 2024.6307

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Casarão da Associação de Paroquianos é restaurado

26.10.2018 – 10:32

Exemplar típico da arquitetura do século XIX, o casarão da Rua Barão de Massambará, nº 76, sede da Associação de Paroquianos de Vassouras (Asepava), é um dos remanescentes do casario que ajuda a contar a história da Cidade dos Barões de Café, no interior do Rio de Janeiro. Depois de nove meses em obras, o imóvel agora está completamente restaurado e reabre as portas.

Casarão conta um pouco da história da Cidade dos Barões de Café, no interior do Rio de Janeiro. Foto: Acervo Iphan

Executada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), a intervenção recuperou todo o prédio, que estava em estado grave de deterioração. Construído para uso residencial, o casarão passou a ser de propriedade da Asepava, uma entidade civil de caráter assistencial, que mantinha no edifício, entre outras atividades, um bazar permanente para angariar fundos para as ações sociais da Igreja Católica na cidade.

Em 2008, no entanto, o prédio precisou ser desocupado para uma obra emergencial, devido ao comprometimento de toda sua estrutura por uma infestação de cupins. A partir de agora, plenamente recuperado pela obra que contou com recursos de quase R$ 740 mil, o imóvel volta a receber as ações sociais e educativas da Associação.

Além disso, a intervenção realizou a flexibilização dos espaços do casarão, a fim de adequá-lo para outros tipos de uso, quando necessário. Também foram instaladas as devidas condições de acessibilidade ao edifício. Integrante do Conjunto Urbanístico e Paisagístico de Vassouras, tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro, o imóvel da Asepava é parte de uma série de investimentos previstos para Vassouras (RJ), por meio do Iphan.

Outras localidades passarão por obras de restauração, como a casa do Barão de Ribeirão, onde funciona a sede do Iphan na cidade, orçada em quase R$8 milhões. Além disso, outros R$2,8 milhões foram destinados à elaboração de projetos para Vassouras (RJ), sendo que alguns deles serão, como foi o caso do Centro Cultural Cazuza, executados com recursos da iniciativa privada.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura / Com informações do Iphan

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