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Ações ligadas ao Ministério da Cidadania incentivam nas crianças o gosto pela leitura

Criança Feliz e Museu Casa de Rui Barbosa levam conhecimento e apresentam a literatura ao público infantil

(publicado: 14/02/2019 19h32, última modificação: 26/02/2019 12h31)

Contação de histórias, leituras mediadas e oficinas estão entre as atividades oferecidas ao público infantil pela Biblioteca Maria Mazetti (Foto: Divulgação)

 

Contar histórias e deixar que uma criança tenha contato com livros permite a ela conquistar um melhor desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Estimular nos pequenos o gosto pela leitura é um dos objetivos do Programa Criança Feliz, do Ministério da Cidadania, além de outras ações que a pasta promove em parceria com entidades.

O trabalho desenvolvido há quatro décadas pela Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, é um exemplo disso. Situado na casa onde residiu Rui Barbosa de 1895 a 1923, o hoje museu conta com três bibliotecas, sendo a de nome Maria Mazetti dedicada especificamente ao público infantil. Desde a fundação, em 1979, promove leituras mediadas, contação de histórias e oficinas, além de oferecer um espaço dedicado aos pequenos leitores.

A jornalista Karen Terahata, de 43 anos, frequentou a biblioteca e os jardins do museu durante toda a infância. Foi lá que teve o primeiro contato com livros fora de casa, em um ambiente que considerava uma extensão do seu lar. “Até os meus 20 anos, morei na Rua Assunção, que fica atrás da Casa de Rui Barbosa. Então, era o quintal da minha casa. Eu ia praticamente todo dia para lá. Por volta de uns quatro anos, comecei a frequentar a biblioteca”, relembra. A relação próxima com os livros, inclusive, teve influência na escolha da sua profissão, conta Karen. “Sempre gostei muito de ler. Tinha as mesinhas pequenininhas, cadeirinhas, as estantes menores. Tenho uma relação de amor e carinho pela leitura.”

A biblioteca do Museu Casa de Rui Barbosa permite, durante a semana, a visita de crianças acompanhadas dos pais no contraturno das aulas ou em excursões escolares. Em 2018, metade do público que visitou o espaço era de crianças. “Temos um trabalho muito primoroso no atendimento na área de educação. A biblioteca infantil Maria Mazzetti é um primor, uma joia. Uma criança que convive na biblioteca infantil vai ter uma educação de qualidade e isso vai transformar a vida dela”, avalia a chefe do Museu Casa de Rui Barbosa, Jurema Seckler.

Carinho e estímulo

Assim como a leitura foi fundamental para o desenvolvimento da Karen Terahata, os livros já exercem um poder de encantamento sobre o pequeno Kevin Silva, de 1 ano e 8 meses. Somente depois que começou a participar do Programa Criança Feliz, em Morrinhos (GO), a mãe do garoto e beneficiária do Bolsa Família, Karen Caroline Silva, 21 anos, passou a ler para o filho.

Na hora da leitura, o tom de voz da mãe muda, a criança acompanha, participa, ajuda a contar a história e o carinho se espalha pela pequena sala de casa. “Não entendíamos muito bem a necessidade de uma ação como essa. Vai ser bom para ele, porque quando for para a escola já vai conhecer as palavras, os números. Ele não vai ter muita dificuldade com isso. Hoje, Kevin até já se interessa pelo material de escola do irmão, de seis anos”, descreve Karen.

O incentivo para separar um tempo para ler histórias veio depois que chegaram as primeiras obras doadas por meio de parceria do Ministério da Cidadania com a Fundação Itaú Social. As famílias que fazem parte do Criança Feliz e mais de 4 mil Centros de Referência de Assistência Social (Cras) receberam 1,2 milhão de livros.

Fundamental

Crianças acompanhadas dos pais no contraturno das aulas ou em excursões escolares podem usufruir do acervo da biblioteca da Fundação Casa de Rui Barbosa, vinculada ao Ministério da Cidadania (Foto: Divulgação).

De acordo com a secretária Nacional de Promoção do Desenvolvimento Humano, Ely Harasawa, a leitura é fundamental para o desenvolvimento de qualquer ser humano, especialmente na primeira infância. “É um momento muito privilegiado, de aconchego. É quando se cria um vínculo e se estreita laços. Quando os pais leem para as crianças pequenas, a diferença do desenvolvimento da linguagem e da capacidade de comunicação é muito grande em comparação àquelas que não tiveram essa oportunidade nos primeiros anos de vida”, explica.

Angela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social, relata que ação em conjunto com o governo federal atende ao real objetivo da instituição. “O ministério trata das famílias de baixa renda e de maior vulnerabilidade no país. Trabalhando juntos, fazemos um círculo virtuoso para promover o desenvolvimento e corrigir a desigualdade no país.”

Saiba mais

 

Criança Feliz

O Ministério da Cidadania coordena as ações do Criança Feliz por meio da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social. O programa integra as áreas da Saúde, Assistência Social, Educação, Justiça, Cultura e Direitos Humanos e atende cerca de 500 mil crianças em todo o país todas as semanas. Nas visitas, técnicos capacitados orientam sobre o desenvolvimento das crianças de até 3 anos beneficiárias do Bolsa Família e de até 6 anos que recebem o BPC. As gestantes também recebem atendimento.

 

Museu Casa de Rui Barbosa

Atualmente, o acervo é composto de 9.454 títulos. É aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Além disso, todo primeiro domingo do mês, realiza-se o Domingo na Casa de Rui, atividade coordenada pelo Museu.

 

Maria Mazzetti

A Casa de Rui colocou o nome da educadora infantil Maria Mazzetti em uma das suas bibliotecas. É uma homenagem ao trabalho que ela desenvolveu ao longo da vida, unindo teatro, música e poesia na relação das crianças com os livros e a literatura. Maria Mazzetti (1926-1974) foi professora primária, técnica em educação e escritora. Participou da Rádio-Escola (Rádio Roquette-Pinto). Chefiou o setor de teatro infantil, da Seção de Bibliotecas e Auditórios — Divisão de Educação Primária Fundamental da Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Guanabara e dirigiu o Teatro Gibi (teatro de bonecos).

Serviço

Informações sobre os programas do Ministério da Cidadania:
0800 707 2003

Informações para a imprensa:

(61) 2024-2256 / 2030-1505

Endereço do Museu Casa de Rui Barbosa:

São Clemente, 134 – Botafogo, Rio de Janeiro (RJ)

 

Camila Campanerut e André Luiz Gomes
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania

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Obras de Monteiro Lobato entram para domínio público

Saiba o que muda e quais repercussões isso poderá ter na relação dos leitores com as obras do escritor

(publicado: 21/01/2019 17h12, última modificação: 24/01/2019 11h57)

Ele dá nome a ruas, escolas e bibliotecas por todo o Brasil. O Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado em 18 de abril, homenageia a data de nascimento desse escritor, autor de mais de 50 livros que mexeram, como ninguém, com o imaginário de crianças e jovens de todo o Brasil. A personalidade em destaque é Monteiro Lobato, cujas obras ingressaram em domínio público em 1º de janeiro deste ano.

“Quando a obra ingressa no domínio público, qualquer pessoa pode utilizá-la, fazer adaptações, traduzir, veicular, imprimir, ou seja, fazer qualquer tipo de uso econômico sem ter de pedir autorização prévia para o autor ou titular de direitos”, explica a diretora da Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Carolina Panzolini. “Isso, na prática, significa que as obras de Monteiro Lobato agora podem ser livremente exploradas comercialmente”, completa. A legislação brasileira estipula o prazo de 70 anos a partir de 1º de janeiro ao ano subsequente à morte do autor para que as obras dele entrem em domínio público.

Especialista na obra de Monteiro Lobato, a professora de Literatura Brasileira Milena Ribeiro Martins, da Universidade Federal do Paraná, acredita que o ingresso da obra do escritor paulista em domínio público vai aumentar a atenção do público e reaquecer o interesse pela obra de Lobato. “Não só as editoras podem investir comercialmente em livros sem gastar com direitos autorais, mas autores podem investir na recriação de suas obras sem pedir licença para a família a respeito disso”, afirma. “O número de leitores de Lobato tende a aumentar porque, comercialmente, vai haver novas edições, e o número de criações com base na obra de Lobato deve aumentar”, avalia.

Milena defende que, apesar de alguns terem quase 100 anos, os livros de Lobato, em especial os voltados ao público infantil, podem ser muito atraentes para os jovens leitores que vivem cercados de experiências multimídias. “Há um misto de fantasia, de ciência, de imaginação e de criatividade na obra do Lobato, que ainda é atraente para as crianças”, argumenta.

Um dos principais exemplos dessa irreverência é a personagem Emília. A boneca de pano falante está sempre cheia de ideias e, com seu gênio forte, causa uma série de confusões para sua dona, a menina Lúcia, mais conhecida como Narizinho, prima de Pedrinho e neta de Dona Benta, que é dona do Sítio do Picapau Amarelo. Esses personagens, além de renderem dezenas de livros, séries de TV, animações, bonecos e um conjunto de produtos para o público infantil, povoaram o imaginário de várias gerações de crianças brasileiras desde a década de 1930.

Uma das ousadias de Lobato foi, em uma época em que o conservadorismo era grande, dar voz às crianças, que não costumavam ter espaço na maioria das famílias para expor seus pensamentos. “Ele não vai pensar numa criança simplesmente obediente, mas ele vai pensar numa criança reflexiva, criativa, produzindo novos significados para o seu momento histórico. E, nesse sentido, ele muda muito a literatura nacional e discute produção literária estrangeira dentro da sua obra”, destaca a especialista.

Múltiplas facetas

Na vida profissional, Lobato atuou em várias frentes. Formou-se em Direito. Foi promotor público no interior paulista. Escreveu artigos, críticas de arte, fez ilustrações e caricaturas para jornais e revistas. Traduziu e fez adaptações para o português de importantes obras literárias, como Minha vida e minha obra, de Henry Ford, Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway, Robson Crusoé, de Daniel Defoe, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, entre outros. Também cuidou de uma propriedade rural, que herdou do avô.

Fundou uma editora, a Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato. Foi adido comercial em Nova York, nos Estados Unidos, e fez prospecção de petróleo por meio da Companhia Petróleos do Brasil. Suas obras foram traduzidas para mais de 10 idiomas e publicadas no exterior.

Conquistou, em 1936, a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras, mas não conseguiu uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Casou-se com Maria da Pureza de Castro Natividade, com quem teve quatro filhos: Martha, Edgard, Guilherme e Ruth. Suas principais paixões eram escrever, desenhar e fotografar.

Polêmico

Antonio Gomes da Costa Neto, do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília, é especialista na obra de Monteiro Lobato (Foto: Clara Angeleas/Ascom)

Aos olhares dos dias de hoje, muitas das falas de seus personagens podem ser consideradas racistas. No entanto, o racismo, ou melhor, a discriminação por raça e cor só foi tida como crime no Brasil há 30 anos, em 1989, quando entrou em vigor a Lei 7.716.

“Aquela obra foi produzida em tempos pretéritos, quando a filosofia era a admissibilidade do racismo como política pública. Hoje, isso não mais existe. Então, a melhor forma de se lembrar de Lobato é você pegar e contextualizá-lo no período em que ele escreveu”, resume o pesquisador Antonio Gomes da Costa Neto, do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília (UnB).

O pesquisador sustenta que esta polêmica deveria servir de debate entre os professores e os alunos em sala de aula. Neste caso, os professores deveriam ter um preparo para falar sobre o assunto. Em paralelo, ele defende que os novos livros de Lobato deveriam conter notas explicativas que contextualizem o período em que vivia Lobato e aproveitem para desconstruir qualquer estímulo ao racismo.

“A minha defesa é que você trabalhe a educação das relações étnico-raciais dentro do livro. Quando você trabalha na desconstrução do racismo, você agrega porque tem que trabalhar a questão de gênero, a questão de diversidade, de reconhecimento de cultura. A política étnico-racial valoriza o quilombola, valoriza a origem africana e é isso que eu quero, que a gente valorize uma cultura de povos formadores da nossa nação”, afirma Costa Neto.

Acervo

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), localizada no Rio de Janeiro, conta em seu arquivo digitalizado com 28 arquivos sobre Lobato, entre eles 26 cartas trocadas com o também escritor Lima Barreto e com o historiador Nelson Werneck Sodré (Foto: Divulgação)

As obras de Lobato estão acessíveis em boa parte das bibliotecas de todo o País. Há, no entanto, alguns itens curiosos relacionados a ele que estão disponíveis em entidades vinculadas ao Ministério da Cidadania.

No Banco de Conteúdos da Cinemateca Brasileira é possível encontrar fotos de filmes feitos com base em seus trabalhos, como O Saci, de Rodolfo Nanni (a primeira adaptação cinematográfica de Monteiro Lobato para o cinema); O Comprador de Fazendas, de Alberto Pieralis (baseada no conto homônimo); e Jeca Tatu, de Milton Amaral, entre outros.

Ainda na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, no Centro de Documentação e Pesquisa, é possível consultar bibliografia sobre o tema e agendar um horário para assistir filmes como Monteiro Lobato, da cineasta Ana Carolina (documentário de 1971); Jeca Tatu, de 1959, de Milton Amaral; e O Comprador de Fazendas, de 1951, de Alberto Pieralisi.

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), localizada no Rio de Janeiro, conta em seu arquivo digitalizadocom 28 arquivos sobre Lobato, entre eles 26 cartas trocadas com o também escritor Lima Barreto e com o historiador Nelson Werneck Sodré.

Já a Fundação Nacional de Artes (Funarte) produziu, em 2012, um programa especial com canções que falam dos personagens de Lobato, com roteiro assinado por Cláudio Felício e apresentação de Paulo César Soares. O Estúdio F é resultado de uma parceria entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com a Funarte, lançado em novembro de 2006.

Familiares de Monteiro Lobato também criaram um portal em que é possível ver detalhes sobre a vida e obra do autor, além de fotos e imagens no endereço: http://www.monteirolobato.com.

No site, inclusive, há uma observação importante com relação às mudanças que o domínio público acarreta para o uso da obra dele. “Somente a obra original – o texto da maneira exata como foi escrito – por Monteiro Lobato pode ser reproduzida e utilizada sem que haja penalizações. As ilustrações não fazem parte da obra, foram criadas por outros artistas como J.U. Campos (Jurandir Ubirajara Campos), Nino, Andre Le Blanc, Belmonte, Jean Gabriel Villin, Voltolino, Kurt Wiese, entre outros e não caíram em domínio público ainda”, resume.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Bienais Internacionais do Livro ocorrem em seis municípios em 2019

Espaços de democratização do acesso e incentivo à leitura, eventos contam com apoio do Governo Federal, por meio da Rouanet

(publicado: 11/02/2019 20h06, última modificação: 18/02/2019 11h57)

O governo federal investe, por meio da Lei Rouanet, R$ 3,1 milhões em bienais internacionais do livro (Foto: Divulgação)

Quilômetros de livros recém-lançados a preços acessíveis, palestras com autores, programação cultural. Um verdadeiro apelo à vontade de ler. É o que nos provocam as bienais internacionais do livro. Este ano, leitores de Maceió (AL), Fortaleza (CE), Contagem (MG), Rio de Janeiro (RJ) Recife e Garanhuns (PE) terão a oportunidade de frequentar Bienais Internacionais do Livro que ocorrem em suas cidades.

O Governo Federal está apoiando, por meio de incentivo fiscal via Lei Rouanet, dois destes eventos: a 19ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro e a 12ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Juntas, elas já conseguiram captar R$ 3.168.553,96. A Bienal do Rio, que ocorre entre 30 de agosto e 8 de setembro, já captou R$ 3.165.000,00, tendo a autorização para captar mais de R$ 5.079.672,57. A Bienal de Pernambuco, que ocorre de de 4 a 13 de outubro, captou R$ 3.553,96 do valor de R$ 1.767.714,64 que foi autorizada a captar.

Um total de 49 bienais já contaram com apoio do incentivo fiscal do Governo Federal, tendo captado mais de R$ 53 milhões por meio deste mecanismo. A Bienal de São Paulo – a mais antiga do País, realizada desde 1961, já chegou a captar, em 2018, R$ 6,5 milhões. “Desenvolvemos um conceito criativo que procura destacar o livro como principal fonte do conhecimento em meio ao turbilhão de estímulos tecnológicos que vemos hoje”, pontua o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Luís Antonio Torelli. Ele destaca o intercâmbio que ocorreu entre cerca de 60 editoras nacionais e internacionais ao longo da Bienal.

Torelli também salienta o impacto social provocado por este tipo de evento, o incentivar debates sobre temas essenciais, como religião e feminismo negro. Para o presidente, tanto o acesso quanto a autonomia, a transparência e a multiplicação de pessoas alcançadas são fundamentais para o desenvolvimento da cultura. “Na nossa última edição, observamos que as atividades de maior relevância foram a programação cultural, a interação e encontro com autores – além do apelo visual dos estandes e os preços acessíveis”, resume. Em dez anos, a bienal de literatura paulista já captou mais de R$ 23 milhões com apoio governamental.

Em Brasília, a Bienal Brasil do Livro e da Leitura (BBLL) ocorre desde 2012, tendo captado mais de R$ 2 milhões em quatro edições. A produtora cultural e diretora geral da 4ª BBLL, Suzzy Souza, conta que a missão do evento é democratizar e incentivar o acesso ao livro e à leitura, a partir de plataformas multiculturais. “Em 2018, criamos um novo formato, para abrir espaços e oportunidades a criadores não só da literatura, mas também de outras áreas artísticas: do cinema, do teatro, da música e até das artes plásticas”, relata.

Suzzy explica que a literatura não está somente nas prateleiras. “Também está traduzida em diversas linguagens artísticas bem exploradas no evento. A internet não pode ser vista como inimiga nesse momento, principalmente por seu potencial de democratização das mais diversas obras”, destaca a diretora geral, que compreende a literatura como chave para a construção do senso crítico.

Tal construção é evidenciada na linguagem da poeta Noélia Ribeiro. Natural de Recife, fez escala no Rio de Janeiro antes de passar a morar em Brasília, onde reside até a atualidade. Toda essa mudança de cidades contribuiu para o desenvolvimento de seu olhar criativo. Hoje, Noélia participa de diversos eventos literários ao longo do país. Nos últimos anos, ao lançar uma trilogia, a movimentação só cresceu.

“Gente e poesia são duas coisas que adoro. Minha poesia e minha maneira de recitar só melhoraram com essa troca”, revela a artista. Em relação às bienais que ocorrem nacionalmente, a poeta ressalta a importância dos mecanismos de apoio à cultura. “Mesmo diante das dificuldades, não podemos deixar que essas iniciativas se percam. A poesia tem de ocupar os espaços”, observa.

Serviço

19ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro
Data: de 30 de agosto a 8 de setembro de 2019.
Local: Palácio das Artes, no Riocentro, Barra da Tijuca, Zona Oeste do RJ.

12ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco 2019
Data: de 4 a 13 de outubro de 2019.
Local: Centro de Convenções de Pernambuco (Av. Professor Andrade Bezerra Olinda/PE).

3ª Bienal do livro de Contagem 2019
Data: 4 a 6 de outubro de 2019.
Local: a definir.

9ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas 2019
Data: a definir.
Local: a definir.

13ª Bienal Internacional do Livro do Ceará 2019
Data: a definir.
Local: a definir.

IX Bienal Internacional do Livro do Agreste de Pernambuco 2019
Data: a definir.
Local: a definir.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Belém ganha feira literária infantojuvenil incentivada pela Secretária Especial da Cultura

A Feira Literária Infantojuvenil do Belém (Flib) será realizada de 29 a 31 de março, na tradicional Livraria da Fox, que também promove, desde 2014, a Feira de Livros do Pará (acima) (Foto: Divulgação)

Primeira edição da Flib tem como tema o exercício da imaginação a partir das lendas e assombrações da região amazônica

Amazônia é uma mina de lendas que brotam da diversidade de culturas, como a da água, do índio, do caboclo e das florestas. São histórias sustentadas por gerações naquelas tradicionais rodas de conversas familiares montadas à porta de casa. Há séculos alimentam um imaginário potente. Aliás, é quase improvável estar em Belém e não ouvir as fábulas de encantamento do Boto, da Iara, da Vitória Régia e até da misteriosa Moça do Táxi que, mesmo depois de “morta”, adorava passear de carro pela madrugada da capital paraense.

É a partir desse universo mágico que nasce a primeira edição da Feira Literária Infantojuvenil do Belém (Flib), com programação intensa entre os dias 29 a 31 de março, na tradicional Livraria da Fox, que também promove, desde 2014, a Feira de Livros do Pará (Flipa). “Desde que surgiu a Flipa, acalentamos uma feira só voltada ao público infantojuvenil. Mesmo num mercado editorial em crise, ela surge graças ao incentivo do Edital de Feiras do Livro (lançado pela Secretaria Especial da Cultura em 2018)”, observa Deborah Miranda, sócia da Livraria da Fox e uma das curadoras da Flib.

R$ 3 milhões para feiras

A Flib é uma das atividades literárias selecionadas por meio do Edital de Feiras do Livro 2018, que aportou quase R$ 3 milhões em 16 feiras, jornadas, bienais e outros eventos literários em 11 unidades da federação: Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e em Santa Catarina.

Coordenadora-Geral de Leitura, Literatura e Economia do Livro do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB), Ana Cristina Araruna explica que é função estratégica da Secretaria Especial da Cultura promover a literatura brasileira e fomentar processos de criação, difusão, circulação e intercâmbio literário no país. “Nesse sentido, torna-se essencial o apoio às feiras e eventos literários para incentivar o hábito da leitura entre crianças, jovens e adultos brasileiros, possibilitando a aproximação entre o público, autores e literatura”, destaca.

Magia do livro

Com o tema Encantamentos, assombrações e visagens que contam histórias, a Flib traz ao centro da discussão a necessidade de retomar a tradicional contação de histórias como forma lúdica de aproximar o livro do futuro leitor. “Sou mãe de três filhos e os criei na rede, contando histórias e estimulando a imaginação de cada um. Hoje, entendo que é responsabilidade de uma livraria promover a leitura de um livro para uma criança para, juntos, entrarmos nesse universo mágico”, aposta Deborah Miranda, sócia da Livraria Fox, que abriga a Flib.

A partir desse universo fantástico, a Flib aposta na magia do livro físico para movimentar os pequenos leitores de Belém em torno do mercado livreiro nacional. Com oficinas, bate-papos, rodas de contação, shows e sessão de autógrafos, a feira dedica-se completamente a fomentar a literatura infantil dentro de uma livraria que se vocaciona a ser uma extensão da casa do leitor. “Aqui é um espaço de encontros e queremos mostrar ao jovem leitor o quão é maravilhoso ter esse universo do livro nas mãos”, aponta Deborah.

Criadores de sonhos

“As literaturas infantil e juvenil são dois gêneros fundamentais para construir uma identidade, uma ideia de pertencimento, exatamente por serem orientadas para crianças no momento de formação das suas fantasias”, destaca Daniel Munduruku

Essa potência encantadora do livro pode ser percebida pelo rol de criadores homenageados nesta primeira edição. São eles: o jornalista e escritor Walcyr Monteiro (PA), autor do best-seller amazônico Visagens e Assombrações de Belém; o professor e escritor Daniel Munduruku (PA), que resgata lendas de sua etnia indígena, a contadora de histórias Lenice Gomes (PE), pesquisadora da cultura popular nordestina, e o quadrinista Gildati Júnior (PA), autor dos quadrinhos Castanha do Pará, produzidos e publicados de forma independente. “As literaturas infantil e juvenil são dois gêneros fundamentais para construir uma identidade, uma ideia de pertencimento, exatamente por serem orientadas para crianças no momento de formação das suas fantasias”, destaca Daniel Munduruku.

Em comum, eles trazem o lúdico e o fantástico como motes narrativos. “Além de ser uma feira para público infantojuvenil, há um tempero especial que é a questão das nossas lendas e da imaginação. Nada melhor do que falar para esse público juvenil e infantil sobre literatura e arte e trazer as diferenças locais, dentro de autores homenageados que têm um foco voltado para criatividade, imaginação e para o lúdico”, comemora Gildati Júnior.

SERVIÇO

O quê:
Feira Infantojuvenil de Belém (Flib)

Onde:
Livraria da Fox (principais atividades). Tv. Dr. Moraes, 584 – Nazaré, Belém – PA, Telefone: (91) 4008-0007

Quando:
De 29 a 31 de março

Entrada franca

Programação

Sexta, 29

9h às 10h – abertura

  • Boas-vindas aos homenageados
  • Performance Teatral: Grupo LiterArt (com os personagens Dona Carochinha, Menino Maluquinho, Matinta Perera e Curupira)

10h às 11h30

  • Roda de conversa com os homenageados e sessão de autógrafos
  • Mediação: Salomão Larêdo, Edyr Augusto e Elizabeth Orofino

13h30 às 15h30

  • Oficina de Iniciação ao Desenho Grupo Argonautas, representado por Mário Zani

16h às 16h30

  • Espetáculo Teatral: O Jardim de Alice Projeto Camapu

17h às 18h

  • Sarau Palavra de Poetinha Movimento de Contadores de Histórias da Amazônia

18h30 às 20h

  • As Encantarias pedem Passagem Bate-papo com: Bel Fares, Juraci Siqueira e Carlos Aldemir Mediação: Paes Loureiro

Sábado, 30

9h às 10h30

  • Alfabetizar letrando com a Tradição Oral Oficina com: Lenice Gomes e Movimento de Contadores de Histórias da Amazônia

11h às 12h30

  • Oficina Síntese na Aquarela Gidalti Júnior

14h às 15h30

  • Fantasia e Suspense na Literatura Infantojuvenil, com Andrei Simões e Roberta Spindler e mediação de Francisco Neto (Sooda Blog)

17h30 às 19h

  • Bate papo sobre o Universo Geek + GEEK Pará: RPG, Cosplay, Games, HO

18h às 20h30

  • Romaria das Palavras – Cortejo (Livraria da FOX à Fundação Cultural do Pará) – Movimento de Contadores de Histórias da Amazônia e Instituto Ocara.

Domingo, 31

9h às 10h30

  • Farinhada Literária: Conversa com autores paraenses: Andersen Medeiros, Alfredo Garcia, Heliana Barriga, Daniel Leite, Telma Cunha, Paulo Maués, Juraci Siqueira, Rosinaldo Pinheiro, Joécio Carvalho, Alda de Cássia, Miriam Daher, Rita Melem, Nazaré Mello. Mediação: Prof. Dra. Elizabeth Orofino (professora do Laboratório Sertão das Águas- Clube de Leitura Tertúlias do Grão Pará-UFPA/IEMCI)

11h às 12h

  • Show Pirulítero Heliana Barriga

14h30 às 16h

  • Oficina HQ Turma do Açai, representado por Rosinaldo Pinheiro

16h30 às 17h15

  • Show Musical: Cantando e Aprendendo Eudes Fraga

18h às 19h

  • Espetáculo Infantil: Passeando em Outeiro

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

Fonte:Ministério da Cidadania/Secretaria Especial da Cultura

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“Livro não está em crise”, diz secretário especial da Cultura no lançamento da Feira do Livro de Brasília

Ministério da Cidadania apoia 16 eventos literários em onze unidades federais do País por meio de edital em 2019

Secretário especial da Cultura Henrique Pires destacou o aumento de vendas de livros no País. Foto: Ronaldo Caldas/Ministério da Cidadania

“O livro não está em crise”, afirmou o secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, durante evento de lançamento da 35ª Feira do Livro de Brasília, no Auditório da Biblioteca Nacional da capital federal, nesta terça-feira (12), data em que se comemora o Dia do Bibliotecário. Em discurso de abertura do encontro, organizado pela Câmara do Livro do Distrito Federal, Pires explicou que o que está em crise é o modelo comercial de venda de livro no Brasil, mas ressaltou que, apesar da crise envolvendo as duas maiores livrarias nacionais, há um aumento de vendas de livros no País. “Isso, para nós, é motivo de muita alegria.”

O número de eventos literários no País é um bom termômetro em relação à demanda do brasileiro por livros: segundo o Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria Especial da Cultura, são 222 em atividade em todas as regiões do País, sendo seis no Centro-Oeste, 12 no Norte, 39 no Nordeste, 70 no Sudeste e 95 no Sul. Destes, a Secretaria Especial da Cultura está apoiando com quase R$ 3 milhões, por meio do Edital de Feiras do Livro 2018, 16 feiras, jornadas, bienais e outras ações literárias em 11 unidades da federação: Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e em Santa Catarina.

O secretário ressaltou a importância destes eventos literários no estímulo à leitura, em especial a 35ª Feira de Livros de Brasília, que ocorrerá de 7 a 16 de junho. “Feira do Livro é importante em todo lugar do mundo por permitir que as pessoas tenham acesso a mais livros, a autores, a debates. É muito mais do que uma feira de venda de livros, é um evento da cultura, da preservação da memória, da divulgação da língua dos países. A leitura abre a mente das pessoas e fico muito feliz de colaborar para a Feira do Livro de Brasília, uma feira significativa no cenário nacional, tendo em vista que para cá convergem pessoas do País inteiro, e essa feira acaba se reproduzindo em outras feiras que acontecem nas 26 unidades da federação.”

Pires destacou também o papel do bibliotecário na preservação da cultura. “Saúdo a todos os bibliotecários pela importância da categoria na salvaguarda e na proteção da cultura do mundo.” Ele lembrou dos antigos bibliotecários da Biblioteca de Alexandria, que organizavam livros enrolados, feitos em couro, quando não havia nada impresso. “Lembro também daqueles bibliotecários que nos conventos, nos mosteiros, ao longo de tantos e tantos anos copiaram os livros e permitiram que a memória da humanidade fosse salvaguardada”, completou.

Livro no espaço público

A feira de Brasília, organizada pela Câmara do Livro do Distrito Federal e pelo Instituto Latinoamerica, reunirá cerca de 100 representantes do setor e um público de cerca de 250 mil pessoas. A novidade este ano é que, em vez de ser realizada dentro do shopping, como em anos anteriores, ocorrerá na área externa da Biblioteca Nacional, para ficar mais acessível à população.

“Pretendemos realizar um evento multicultural. Resolvemos sair do shopping e vir para o espaço público. Vamos montar aqui vários espaços para manifestações culturais. É através do livro e da leitura que podemos construir um mundo melhor”, disse o presidente do Instituto Latinoamerica, Atanagildo Brandolt.

Nesta edição, haverá dois homenageados: o poeta Maílson Furtado, de apenas 27 anos, ganhador do prêmio Jabuti de 2018, por sua obra “À cidade”; e a bibliotecária Maria da Conceição Moreira Salles, falecida em 2012, que dá nome à Biblioteca Demonstrativa de Brasília.

“Pela primeira vez, piso em Brasília, nesta terra, que já está em mim. Foi inventada por candangos, por JK, e incrivelmente pelas curvas da história, se esbarra na minha pequenina Varjota, lá no sertão norte do Ceará. Varjota foi um lugar inventado por operários como os candangos”, disse Furtado, também presente no lançamento da Feira. Ele destacou que “qualquer espaço para difusão de livros, da leitura, da literatura, é de fundamental importância para o crescimento do País, da sociedade em si”.

Durante o evento de lançamento da feira, foi lançado também o Movimento Brasília Capital da Leitura, que realizará diversos eventos pré-feira, durante a feira e após a feira, integrando estudantes e pais no fomento do livro e da leitura.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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BiblioArte LAB estimula leitura entre jovens com uso de tecnologias digitais

16.11.2018 – 13:05

Crianças e adolescentes de hoje falam e vivem o tempo todo ligados à cultura digital. Para desenvolver neles o hábito da leitura e o amor à literatura sem desapegar de recursos tecnológicos, a ONG Casa da Árvore tem conseguido atrair estudantes de escolas públicas para realizar atividades que unem o aprendizado de tecnologias digitais ao estímulo à leitura na cidade de Poços de Caldas, a cerca de 450 km da capital mineira Belo Horizonte.

Em torno de 900 crianças e adolescentes, entre 9 e 19 anos, participam do conjunto de atividades da ONG Casa da Árvore. Foto: Divulgação

Desde 2016, a ONG tem conseguido manter suas atividades participando e conquistando prêmios e apoio de entidades públicas e privadas. Em 2016, com o projeto BiblioArte LAB, a Casa da Árvore concorreu com 174 propostas de 11 países e foi uma das três iniciativas brasileiras premiados com US$ 21 mil (o equivalente, à época, a R$ 76 mil) pelo 4º Concurso de Ajudas do Programa Ibero-Americano de Bibliotecas Públicas (Iberbibliotecas).

O Brasil é representado no Iberbibliotecas pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), que integra o Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. Além do Brasil, compõem o Iberbibliotecas: Chile, Colômbia, Costa Rica, Espanha, México, Paraguai e as cidades de Buenos Aires (Argentina) e Medellín (Colômbia).

O Programa recebe investimento brasileiro anual de cerca de US$ 90 mil e tem como objetivo consolidar as bibliotecas públicas como espaços de livre acesso à informação e à leitura, de trabalhar pela inclusão social e de contribuir para a qualificação da educação e do desenvolvimento.  Com o prêmio, o projeto BiblioArte LAB passou a realizar ações não apenas na Biblioteca Municipal Centenário, como em mais 12 bibliotecas escolares de instituições de ensino estaduais e municipais em Poços de Caldas.

De acordo com o designer de inovação e cofundador da Casa da Árvore, Aluísio Cavalcante, em torno de 900 crianças e adolescentes, entre 9 e 19 anos, participaram do conjunto de atividades, incluindo o uso de robótica, produção de vídeos, de gifs, matérias em áudio, vídeo e reportagens para um canal no YouTube e para uma revista.

 

Produção

No Lab Robótica Poética, 18 jovens criaram uma espécie de um jogo de videogame, com um tabuleiro e personagens movimentados por um joystick. A história de fundo escolhida foi o clássico de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe. Os personagens da obra são os mesmo do jogo que se movem de um planeta para outro e tem missões a cumprir.

Outro exemplo de trabalho desenvolvido no laboratório foi o de “booktubers”. Cerca de 60 jovens leitores criaram canais ou produziram conteúdos no YouTube com gravações sobre os livros que leram e com sugestões de leitura.

Um grupo de cerca de 20 estudantes criou o que chamaram de “Gifs literários”. Eles aprenderam nas oficinas a criar uma campanha e uma série de gifs (da sigla em inglês para Graphics Interchange Format ou formato de intercâmbio de gráficos, em tradução livre, que são imagens fixas ou em movimento usadas para passar alguma mensagem). Os jovens usaram esse recurso para tratar do tema “desigualdade de gênero na leitura”. Um exemplo disso é a necessidade de escritoras usarem pseudônimos masculinos para publicarem, o estereótipo de personagens femininos e a diferença da quantidade entre autores e autores, entre outros temas.

Também foram desenvolvidos por outros alunos mapas digitais com referências poéticas. Foram realizadas oficinas com cerca de 70 crianças, entre 9 e 11 anos, em duas bibliotecas escolares e em uma biblioteca municipal.  Eles aprenderam sobre cartografia e levaram para dentro das bibliotecas a voz de parentes mais velhos, gravados em áudio e em vídeo ou ainda em textos ou desenhos, com relatos a respeito de lembranças que tinham de uma biblioteca e a relação deles com literatura. “A avó de um deles, por exemplo, lembrava que conheceu (a escritora) Cecília Meirelles na rua tal e o neto colocou isso no mapa de lembranças literárias”, exemplifica Cavalcante.

 

Laboratório

Em outra iniciativa, o Laboratório Viral da história, cerca de 50 alunos foram estimulados a criar perfis fictícios em redes sociais com personagens inspirados na literatura. Para poder compor os perfis, os leitores acabavam mergulhando na leitura e, ao mesmo tempo, aprendendo o uso de técnicas de mídias sociais.

Cerca de 60 jovens leitores viraram “booktubers”, produzindo conteúdos no YouTube sobre os livros que leram e com sugestões de leitura. Foto: Divulgação

A ideia, segundo Cavalcante, é formar influenciadores digitais mirins que instiguem pessoas da mesma idade a ler também. “Com esta programação, aumentou em 60% o público de jovens na biblioteca (Municipal Centenário). O número dos já leitores aumentou em quase 35% naqueles que fazem leitura literária sem obrigação”, comemorou.

“Outro indicador importante é que aumentou o nível de letramento digital dos alunos. Eles passaram a ser mais críticos no que leem, a entender como funciona os processos de construção da informação digital”, destacou.

Além disso, os alunos produziram conteúdo sobre leitura, comportamento, resenhas de livro e ensaios sobre literatura para a Revista Página 9 ¾ e para o canal na internet com o mesmo nome. A ideia central de todo o conjunto de ações da ONG é atrair leitores para dentro das bibliotecas, ampliar as habilidades deles em outras linguagens e articular com essas atividades uma rede de jovens influenciadores de leitura.

Esse conjunto de trabalhos da ONG foi finalista na categoria Inovação em Formação de Leitores do Prêmio Jabuti, na edição deste ano – um dos mais tradicionais prêmios literários do Brasil. “Ter sido finalista do Jabuti 2018 comprova o reconhecimento nacional de um projeto apoiado pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas”, ressalta coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas do Ministério da Cultura, Ana Maria da Costa Souza.

A atuação do laboratório comunitário de inovação em leitura e formação de leitores, desenvolvido pela ONG, também está entre os finalistas do Prêmio IPL – Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro (IPL), criado pela Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

Com três anos de existência, o laboratório da Casa da Árvore promoveu impacto social na Biblioteca Municipal Centenário e contribuiu para transformações de outras 12 bibliotecas, entre escolares e públicas. “Ganhar o Iberbibliotecas e ser indicado para esses prêmios nacionais são uma oportunidade de a gente levantar algumas discussões, incluir a gente neste mapa internacional, verificar que temos desafios comuns e mostrar que tem inovação sendo feita no interior do Brasil”, avaliou Cavalcante.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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