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Patrimônio Arqueológico: gravuras rupestres são descobertas no Paraná

Arqueólogos estudam em Capitão Leônidas Marques (PR) mais de 150 desenhos feitos há pelo menos 4 mil anos

(publicado: 14/02/2019 10h15, última modificação: 14/02/2019 10h17)

Arqueólogos descobriram mais de 150 gravuras rupestres em sítio arqueológico no sudoeste paranaense. Desenhos foram feitos há pelo menos 4 mil anos (Foto: Raquel Schwengber/Espaço Arqueologia)

 

O município de Capitão Leônidas Marques, situado na região sudoeste do Paraná, é habitado por pouco mais de 15 mil pessoas e tem chamado a atenção de pesquisadores e da imprensa nos últimos dias. Isso porque arqueólogos descobriram aproximadamente 150 gravuras rupestres em um sítio arqueológico. As gravuras estão distribuídas em três rochas e os pesquisadores estimam que elas foram esculpidas há pelo menos 4 mil anos. O local de descoberta do sítio já vem sendo estudado desde 2009, quando, por meio do licenciamento ambiental, o mesmo foi identificado e já cadastrado no banco de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania. O sítio arqueológico Vista Alta e outros sítios de diversas tipologias foram identificados durante as prospecções arqueológicas realizada nas áreas pretendidas para a implantação da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu.

Apesar de os estudos terem começado há dez anos, foi nos últimos dias que iniciou-se uma avaliação mais aprofundada da área. Em decorrência da importância do sítio, do potencial informativo para a comunidade e do fato de que a área estava sofrendo impactos decorrentes de outras atividades, o Iphan solicitou estudos mais detalhados e a verificação da possibilidade de transformar o sítio em um local de visitação, um museu a céu aberto. Neste momento, pesquisadores brasileiros e portugueses estão tratando em laboratório especializado fotografias feitas por drone, para a produção de material cartográfico, bem como modelos digitais de terreno e descrição do estado de conservação. As fotografias também servirão para subsidiar um modelo de gestão do sítio após as atividades de levantamento.

Todo o material que se encontra em estudo possibilitará produzir um vasto conjunto de informações sobre o sudoeste do Paraná, bem como dados interpretativos sobre o comportamento humano nessa região, tanto nos aspectos tecnológicos como simbólicos. O sítio é considerado de alta relevância e a sua localização privilegiada, em área não afetada diretamente pelo barramento, faz com que ele tenha grande potencial para ser preservado, estudado e visitado.

Os impactos ao meio ambiente causados por grandes projetos de infraestrutura, instalações industriais, entre outros, sempre estão vinculados aos aspectos culturais das comunidades onde essas obras são realizadas. É nesse sentido que o Iphan está presente nos estudos de impacto dos grandes empreendimentos, por meio do licenciamento ambiental, com objetivo de assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas em suas variabilidades físicas, bióticas, socioculturais e econômicas.

Desse modo, o licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente, compartilhada entre instituições federais, estaduais e municipais. Nos processos de licenciamento ambiental o Iphan é consultado preventivamente, para que um empreendimento ou atividade não venha a impactar ou destruir os bens culturais acautelados em âmbito federal.

 

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cidadania

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Plano Diretor define diretrizes de preservação do Parque dos Guararapes

Publicação é parte de ações para consolidar a gestão do parque e a regularização fundiária das áreas ocupadas por população de baixa renda.

(publicado: 15/01/2019 15h54, última modificação: 15/01/2019 19h09)

 

Parque Histórico Nacional dos Guararapes (Foto: Iphan)

Um dos mais emblemáticos palcos das lutas travadas entre Portugal e Holanda em solo brasileiro, o Campo das Batalhas de Guararapes, atualmente conhecido como Parque Histórico Nacional de Guararapes-PHNG, agora conta com diretrizes gerais para a gestão da preservação do bem cultural. A publicação do Plano Diretor no Diário Oficial da União, na segunda-feira (14), é parte das ações conjuntas entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, da Superintendência do Patrimônio da União, do Exército Brasileiro e da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes para consolidação da gestão do Parque dos Guararapes e a regularização fundiária das áreas ocupadas por população de baixa renda.

Histórico

Localizado no Município de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, o Parque Histórico Nacional dos Guararapes foi palco de um dos mais importantes episódios da história nacional: a Batalha dos Guararapes (1648 -1649), que consistiu em enfrentamentos entre as forças portuguesas e holandesas pelo controle de boa parte da região Nordeste do Brasil. Por essa relevância, “Campos das batalhas de Guararapes” foi apreciado e tombado em 1954, por meio do processo 523-T-53, e inscrito no livro de Tombo Histórico em 1961.

O parque foi criado em 1971 e conta com uma área de 3,63 quilômetros quadrados, sendo que parte desse território está sob responsabilidade do Exército. O local também é sede da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, templo barroco que guarda os restos mortais dos heróis das lutas travadas no local.

Em 1965, uma área de 224,4 hectares foi desapropriada pela União, com objetivo de criar um parque público. Em 1971, foi criado o Parque Histórico Nacional dos Guararapes, por Decreto Presidencial. A partir de 1998, cerca de 80 hectares do PHNG foram destinados à constituição de área militar e parque público, sob guarda do Ministério da Defesa, por meio da 7ª Região Militar. Desse modo, uma parcela da área objeto do tombamento federal encontra-se sob gestão do Exército e outra parte abrange assentamentos humanos de elevada densidade construtiva.”

 

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Ministério da Cidadania

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Ministério da Cidadania lança campanha de Patrimônio Cultural do Sul

Osmar Terra participou da cerimônia, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira (7)

(publicado: 07/02/2019 10h11, última modificação: 08/02/2019 14h33)

Lançamento de campanha apresentou calendário de atividades para a região (Foto: Mauro Vieira)

As atividades culturais prometem alavancar o turismo na região Sul do País, em 2019. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, lançou, nesta quinta-feira (7), em Porto Alegre (RS), a campanha “Patrimônio Cultural do Sul: Turismo Cultural como ativo para o desenvolvimento de cidades históricas”. O lançamento ocorreu no Palácio Piratini, localizado no centro histórico da capital. A campanha é promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cidadania.

Na ocasião do lançamento, o ministro aproveitou para reforçar que a cultura transborda questões estéticas, e promove transformação social. “A cultura tem várias oportunidades para a gente realçar: a beleza, o encantamento que a arte produz, mas também realçar a autoestima, ajudar no desenvolvimento econômico”. Segundo Osmar Terra, a união de cultura e turismo, com foco no desenvolvimento, fomenta a redução da pobreza, especialmente no caso de famílias mais vulneráveis. “Tudo o que estamos fazendo na área cultural, estamos casando com a geração de emprego e renda. O turismo e a área cultural tem um papel muito importante nestas ações”.

A riqueza cultural da região Sul integra mais de 150 bens tombados individualmente, 13 conjuntos urbanos e cinco bens arqueológicos, além do patrimônio imaterial registrado. Presente na cerimônia, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, destacou que a região será prioritária ao longo do ano: “Durante o ano de 2019, todas as ações do Iphan serão prioritariamente sobre esses três estados [do Sul]”. A presidente informou que o Iphan realiza políticas com foco em regiões específicas a cada ano, de forma itinerante. Em 2018, por exemplo, a região Norte foi contemplada. Já para este ano, Kátia reforçou que conta com parcerias para promover a aproximação com a área do turismo nos estados da região Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Para a presidente, “a promoção turística é fundamental para a preservação do patrimônio, que só se preserva se tiver uso e se ele for apropriado pelas pessoas com sentimento de pertencimento”.

O ministro da Cidadania destacou que as ações vão resultar, ainda, em mais conhecimento sobre a própria história: “Estas ações vão valorizar o patrimônio histórico, e a nossa gente vai ter a oportunidade de conhecer a nossa origem. Isso nos impulsiona para um futuro melhor”.

Semana de eventos

As ações voltadas ao patrimônio na região vão culminar em uma Semana de Eventos, prevista para ocorrer entre os dias 21 e 25 de outubro, em Porto Alegre. O calendário de atividades foi apresentado no evento de lançamento da campanha. Entre as atividades previstas está o Seminário Internacional Patrimônio + Turismo, que compartilha experiências exitosas de integração entre as duas áreas. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, agradeceu a escolha da capital gaúcha para sediar o encontro, destacando que a preservação do patrimônio, aliada ao turismo, é uma ferramenta de promoção do desenvolvimento local. “Gera empregos e extrai riquezas que ajudam a preservar o patrimônio e, ainda, devolve à população empregos e renda. Tenho certeza que o evento vai ser importante para discutir políticas públicas de preservação do patrimônio que nos orgulha muito”, avaliou.

Outra atividade prevista para semana é a entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Na maior festa do patrimônio cultural brasileiro, o governo federal vai reconhecer projetos que contribuem para a manutenção deste patrimônio, com ações de preservação. Além da visibilidade às comunidades envolvidas, o reconhecimento nacional promove a aproximação com novos parceiros e a possibilidade de continuidade de suas iniciativas. O prêmio é oferecido desde 1987, está em sua 32ª edição, e foi assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente do Iphan. Representa uma política pública realizada em parceria com a comunidade: anualmente, o evento revela simples ideias que transformam realidades.

O lançamento da mais recente edição da Revista do Patrimônio, uma das publicações institucionais mais antigas e respeitadas do País, também vai ocorrer na programação especial apresentada. A reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural também será sediada na capital gaúcha, em outubro. O conselho é o órgão colegiado de decisão máxima do Iphan, responsável pelo exame, apreciação e decisões relacionadas à proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro.

Patrimônio da região

Apesar de ser a menor região brasileira em extensão territorial, o Sul oferece um inventário plural de bens culturais que será divulgado, valorizado, promovido e debatido coletivamente pelo governo federal e seus parceiros, ao longo do ano. Trata-se de uma vasta lista de edificações, conjuntos urbanos, manifestações culturais, bens arqueológicos e ferroviários.

Apenas do Rio Grande do Sul, onde ocorre o lançamento da campanha, são 3.263 sítios arqueológicos cadastrados e diversos bens materiais tombados, incluindo sete conjuntos urbanos – localizados na capital Porto Alegre e nos municípios de Pelotas, Novo Hamburgo, Santa Tereza, Antônio Prado, Jaguarão e Vila de Santo Amaro do Sul.

Entre os bens imateriais registrados, estão as Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas. Bem casado, marmelada, quindim, pessegada, ninho, camafeu, figo em calda, amanteigado, ameixa recheada, abóbora cristalizada, bolo de noiva e tantas outras delícias fizeram com que a região ficasse conhecida como a “terra do doce”. Mais do que simples quitutes, eles representam um importante contexto histórico e cultural que elevam seu significado para além da função de alimento. E é exatamente o modo de fazer os doces locais que foi registrado no Livro dos Saberes do Iphan.

São Miguel das Missões

Ruínas de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RJ). Foto: Divulgação

Já na sexta-feira (8), no município São Miguel das Missões, o ministro visitará o Parque Histórico, onde assinará ordem de serviço para início da primeira etapa da obra de requalificação urbanística do entorno de São Miguel Arcanjo, um dos sítios arqueológicos que compõem o Parque Histórico Nacional das Missões. O Parque é composto ainda pelos sítios arqueológicos de São Lourenço Mártir, São Nicolau e São João Batista.

Osmar Terra participa também da cerimônia de entrega, ao povo Guarani, do certificado da Tava como Patrimônio Cultural do Mercosul. O certificado é o reconhecimento da presença ancestral deste povo indígena no local, considerado sagrado. O evento contará também com a presença de representantes do povo Guarani e da coordenadora-executiva da Comissão de Patrimônio Cultural do Mercosul, Gabriela Gallardo.

O investimento previsto para a primeira etapa da obra de requalificação de São Miguel Arcanjo é de R$ 3,05 milhões, por meio do PAC Cidades Históricas. Entre as melhorias previstas, estão o novo pavimento de pedra, ciclovias com pavimento rígido, calçadas com pavimento em concreto e telas de aço, acessibilidade, trilhas, paisagismo e requalificação de três praças. O projeto visa a melhoria da infraestrutura urbana do entorno do Sítio tombado, melhorando as condições de habitabilidade, drenagem e tráfego.

Para todo o estado, o PAC prevê o investimento total de R$ 154,43 milhões. São 29 obras previstas em quatro cidades do Rio Grande do Sul: Porto Alegre, São Miguel das Missões, Jaguarão e Pelotas. Do total, R$ 36 milhões já foram investidos em obras como a Restauração do Mercado Público, em Porto Alegre.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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Museus do Ibram em Goiás tiveram recorde de público em 2018

Os Museus das Bandeiras e de Arte Sacra da Boa Morte, na Cidade de Goiás, receberam 37.383 pessoas no ano passado, um aumento de 26% em relação a 2017

(publicado: 01/02/2019 14h53, última modificação: 01/02/2019 14h54)

O Museu de Arte Sacra da Boa Morte recebeu 13.726 visitantes em 2018, com visitação aquecida por diversas ações voltadas ao público escolar (Foto: Nabil Bonduk)

O Museu das Bandeiras (Muban) e o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, que integram a rede do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em Goiás, tiveram recorde de público em 2018. Em conjunto, os dois museus localizados na cidade histórica de Goiás (GO), foram visitados por 37.383 pessoas – um aumento de 26% em relação a 2017.

Para a direção dos museus, o aumento é reflexo de ações contínuas e forte diálogo com a comunidade local, que auxilia e fortalece as ações, sugerindo ideias e propostas, além de visitar e interagir com as atividades realizadas.

Ao longo de 2018, o Museu das Bandeiras promoveu diversos eventos, cursos, pesquisas e ações culturais e educativas voltadas a escolas e guias turísticos. Entre as atividades que ajudaram a aquecer a visitação ao museu estiveram a Semana Nacional de Museus e a Primavera dos Museus, o projeto Muban nas Escolas, a Semana das Crianças e o Muban Mambembe.

O Museu das Bandeiras recebeu, em 2018, 23.657 visitantes. Sediado no antigo edifício construído para ser utilizado como Câmara e Cadeia em 1766 na antiga Vila Boa de Goyaz, o museu foi aberto ao público como tal em 1954. Deste então, narra a ocupação da região Centro-Oeste, tendo como marco as entradas e bandeiras, e apresenta aos seus visitantes as memórias daqueles que ficaram presos na antiga cadeia, função que o prédio teve por quase 178 anos.

Já o Museu de Arte Sacra da Boa Morte recebeu 13.726 visitantes em 2018, com visitação aquecida por diversas ações voltadas ao público escolar. O museu está localizado no centro histórico de Goiás, em edifício construído originalmente para abrigar a Igreja de Santo Antônio de Pádua em 1792, abrigando obras sacras do escultor e dourador goiano Veiga Valle. O edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1951 e ganhou a função de museu em 1969.

 

Casa da Princesa

Após dois anos fechado para obras de restauro e processo amplo de reformulação, o Museu Casa da Princesa, que também integra a rede Ibram em Pilar de Goiás (GO), foi reaberto ao público em dezembro passado. Além de restaurado, o museu ganhou novo circuito expositivo. Saiba mais.

 

Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)
Ministério da Cidadania

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Igreja dos Reis Magos receberá obras para conservação

13.11.2018 – 12:18

Um dos bens culturais mais preciosos para o Espírito Santo ganhará do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura, mais uma obra de conservação. A Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida, no município da Serra, construída entre 1580 e 1615, receberá investimentos de aproximadamente R$ 720 mil. A ordem de serviço, que também contempla a residência, será assinada na próxima quarta-feira (14), às 10 horas, pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa, em cerimônia que contará com a presença do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, e do prefeito da Serra, Audifax Barcelos.

A Igreja dos Reis Magos foi construída entre 1580 e 1615 e é um dos símbolos da presença jesuíta no Brasil. Foto: Acervo Iphan

Serão realizadas ações no telhado, nas alvenarias, nas esquadrias, pisos, forros e substituição de equipamentos hidráulicos. Também será feita a recomposição de piso do pátio e da Igreja, a substituição de elementos elétricos e a realização de intervenções em elementos artísticos, como por exemplo, a higienização mecânica do quadro Adoração dos Reis Magos. A obra está prevista para ficar pronta em dez meses.

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, destaca que a igreja é um dos símbolos da presença jesuíta no Brasil. “Esta edificação secular, por sua excepcionalidade, está inscrita nos livros de Belas Artes e Histórico. Manter viva essa memória exige permanente atenção por parte de toda a comunidade e dos poderes públicos”, afirma.  A obra de conservação tem como objetivo garantir a manutenção e a proteção dos elementos arquitetônicos e artísticos do Patrimônio Cultural tombado pelo Iphan em 1943, para que o bem possa ser usufruído por toda a comunidade e pelos turistas que visitam a cidade.

O prefeito Audifax Barcelos destaca a importância do bem. “A Igreja e Residência dos Reis Magos é um dos mais importantes símbolos do Estado e da Serra. É o segundo ponto turístico mais visitado do Espírito Santo. Além de ajudar a contar parte da história da cidade, atrai visitantes e gera renda para o município. A conservação desse patrimônio é um marco e deve ser comemorada”.

 

Patrimônio Cultural conservado

No município vizinho, Anchieta, o Iphan também está com obras em andamento. O Santuário Nacional de São José de Anchieta será totalmente restaurado. O museu do Santuário do século XVI, um dos mais antigos monumentos católicos do país, irá passar por obras de acessibilidade e ganhar rampas, plataformas elevatórias, banheiro adaptado, além de sinalização em braile. A intervenção tem o propósito de democratizar o acesso às salas do museu, como a histórica Cela de São José de Anchieta. O local receberá projeto museográfico de organização do acervo, que contempla investimentos na climatização, telhado, iluminação, comunicação, sonorização e restauro de peças.

Na segunda etapa da obra, serão executados o restauro da Igreja, a montagem da sala de documentação e estudos e o paisagismo na área do entorno do Santuário. O projeto, contratado pelo Iphan, será executado pelo Instituto Modus Vivendi. A primeira etapa conta com patrocínio da Vale, que investirá R$ 5,6 milhões, via lei Rouanet.

 

Herança Jesuíta no Espírito Santo

No Estado, além do aspecto religioso, a passagem jesuítica teve significativo papel na educação e no empreendedorismo. Fundaram o Colégio de São Tiago (atual Palácio Anchieta), em Vitória, e as aldeias de Reis Magos, em Nova Almeida, e de Reritiba, em Anchieta, além das fazendas de Muribeca, em Presidente Kennedy, Itapoca, em Serra, e Araçatiba, em Viana.

As fazendas garantiam a subsistência do Colégio e a continuidade de seus trabalhos, assegurando-lhe independência autárquica, além da função específica de ensino. Elas tiveram importante influência na vida econômica da capitania ao se tornarem os mais importantes centros de produção da época.

A herança dos Jesuítas também é relevante no conjunto arquitetônico do patrimônio histórico no estado, sendo quatro os bens considerados Patrimônio Cultural Brasileiro: a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e Residência, em Anchieta; a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari; a Igreja dos Reis Magos e Residência, em Serra; e a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Viana.

Existem outros três bens tombados pelo Conselho Estadual de Cultura: a Igreja de São João de Carapina, em Serra; a Igreja de Nossa Senhora das Neves, em Presidente Kennedy; e o Palácio Anchieta, em Vitória. Contudo, dentre os vários aldeamentos jesuítas por todo o Brasil, a dos Reis Magos impressiona por ser um dos poucos conjuntos sem muitas alterações ao longo de quatro séculos.

O Pároco da cidade, Frei Diniz, destaca a importância que as obras de conservação representam para a população da Serra e convida a comunidade para participar da cerimônia. “Vamos celebrar essa iniciativa e demonstramos que valorizamos e estamos cuidando muito bem desse bem cultural que está em nossa cidade, mas é patrimônio do Brasil”, conclui.

 

Jesuítas e o Patrimônio Cultural Brasileiro

Criado em 1937, com a finalidade de promover a preservação do patrimônio cultural do Brasil, o Iphan incluiu o expressivo legado jesuítico em suas primeiras ações de proteção e conservação. Foram onze tombamentos logo em 1938, entre os quais a Catedral Basílica de Salvador (BA), o Seminário de Olinda (PE), a Capela de São Pedro d’Aldeia (RJ), o antigo Colégio de Paranaguá (PR) e as ruínas da igreja de São Miguel (RS). Paralelamente aos acautelamentos pioneiros, foram realizados detalhados estudos sobre a contribuição dos jesuítas nas artes plásticas e arquitetura.

 

Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / Ministério da Cultura

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FGV apresenta método para medir impacto econômico cultural

9.11.2018 – 10:1

Você sabe o impacto econômico que um evento cultural pode ter? Geração de renda, arrecadação de impostos e criação de empregos são alguns dos benefícios, que vão muito além do simples entretenimento. Com o programa Rio de Janeiro a Janeiro, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) desenvolveu uma metodologia que permitiu mensurar dados como esses e comprovar que o retorno financeiro de um evento cultural vai muito além do investido. Lançado pelo Ministério da Cultura no final do ano passado, o programa Rio de Janeiro a Janeiro visa contribuir para a revitalização econômica do estado por meio do apoio à realização de eventos capazes de atrair investimentos e turistas.

Representante da Fundação falou sobre o programa Rio de Janeiro a Janeiro, lançado pelo governo federal. Foto: Ronaldo Caldas (Ascom/MinC)

O tema foi abordado nesta quinta-feira (8) durante palestra no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), megaevento que está sendo promovido até este domingo (11), em São Paulo, pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Apex-Brasil. Ao longo do evento, o coordenador da Fundação Getúlio Vargas, Lauro Nobre, explicou a criação do programa, os objetivos, a metodologia utilizada e citou alguns resultados de eventos mensurados, como o Carnaval e o Réveillon. “Queremos mostrar que a cultura tem um viés econômico e que isso pode, sim, ser mensurado”, destacou.

A iniciativa do governo federal selecionou 154 projetos, que tiveram impacto de R$ 13,2 bilhões e geraram 351 mil postos de trabalho.  Cada real investido em eventos do programa Rio de Janeiro a Janeiro resultou em um retorno de R$ 13.  Ao longo do debate, Nobre lembrou ainda que a FGV realizou estudos específicos para a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), Carnaval, Réveillon, Anima Mundi e Game XP.

Nobre citou também alguns resultados específicos do Carnaval do Rio de Janeiro e da Game XP, que geraram, respectivamente, R$ 3,02 bilhões e R$ 53,9 milhões. “Esse pacote de metodologia está pronto e pode ser usado por outras instituições, é adaptável a outras realidades”, informou.

 

Oportunidade

O representante da FGV abriu a palestra falando sobre a criação do programa Rio de Janeiro a Janeiro, que surgiu para fomentar projetos de âmbito cultural, esportivo e turístico no estado do Rio de Janeiro em um momento de enfraquecimento econômico. “O Ministério da Cultura viu uma oportunidade de enxergar o setor cultural e eventos como algo que prova que vão além de entretenimento e que podem fomentar a economia do local”, explicou.

Em seguida informou o passo a passo de como foi implementado o programa, que exigiu delimitar o perfil de projetos, a forma de inscrição, elaborar a concepção de um banco de dados e de um regulamento, além de desenvolver um hotsite e uma metodologia de cálculo e avaliação. Também houve um acompanhamento pós-evento, que procurou comparar resultados estimados com os de fato registrados.

Em relação à metodologia de cálculo e avaliação, a FGV criou diversos parâmetros. Estabeleceu, por exemplo, o retorno sobre investimento público, que é tratado só sob a ótica do governo, e o índice de alavancagem econômica, que é o retorno sobre o investimento sob a ótica da sociedade. O primeiro, é medido pela divisão do retorno em tributos pelo investimento público e o segundo corresponde ao Impacto econômico total dividido pelo investimento total.

Para cada eixo do programa, que inclui temas como o impacto na geração do emprego, o impacto social e o potencial de continuidade e expansão, foram consideradas variáveis. Entre elas, número de edições anteriores, quando ocorreu a última edição, expectativa de novas edições, valor pleiteado, percentual de mão de obra contratada, e número de turistas brasileiros e estrangeiros.

 

Sobre o MicBR

O Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ocorre até 11 de novembro, em São Paulo. O megaevento reúne milhares de empreendedores brasileiros e de sete países sul-americanos em atividades de capacitação, rodadas de negócios e apresentações artístico-comerciais, além de um público geral de aproximadamente 30 mil pessoas. Dez áreas da produção cultural estarão envolvidas: artes cênicas, audiovisual, animação e jogos eletrônicos, design, moda, editorial, música, museus e patrimônio, artes visuais e gastronomia.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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