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Portaria que estabelece diretrizes de preservação do Teatro Municipal de São Paulo é publicada

A  preservação do Teatro Municipal de São Paulo se relaciona com as metas 05 e 10 do PNC.

Regulamentação prevê poligonal de tombamento deste importante monumento nacional cravado no centro da capital paulista

Teatro Muncipal de São Paulo

Teatro Municipal de São Paulo, tombado pelo Iphan em 2014 (Foto: Victor Hugo).

Tombado pelo Iphan em 2014, o Teatro Municipal de São Paulo foi projetado por Domiziano Rossi e Claudio Rossi e construído pelo escritório de Ramos de Azevedo. O edifício, seu acervo e os jardins laterais na praça Ramos de Azevedo integram o bem tombado que, com a Portaria IPHAN nº8/2021, é objeto de delimitação de poligonal de entorno e estabelecimento de diretrizes de preservação.

A partir da publicação desta portaria, apenas os imóveis e logradouros localizados dentro dos limites dessa poligonal deverão ser objeto de análise técnica por parte do Iphan, assegurando, com isto, clareza do papel institucional do Instituto em sua missão de reconhecer e preservar este importante monumento nacional.

O processo de construção desta regulamentação considerou aspectos relativos à manutenção da visibilidade e ambiência histórica do bem, em especial os visuais obtidos a partir da praça do Patriarca, do Vale do Anhangabaú e do viaduto do Chá.

Considerando o contexto urbano consolidado onde se insere o bem, as diretrizes de preservação propostas foram construídas de modo a garantir a valorização do bem tombado, por meio do disciplinamento do mobiliário, equipamentos publicitários e sinalização urbana.

A poligonal de tombamento e entorno, além das diretrizes de preservação, podem ser visualizadas no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão – SICG, acessando o link https://sicg.iphan.gov.br/sicg/protecoes/mapa?pre_setor=686.

Dados gerais sobre o bem tombado

Nome: Teatro Municipal de São Paulo, incluindo o edifício, com seus bens integrados e o seu jardim lateral situados na Praça Ramos de Azevedo, no Município de São Paulo (SP).

Níveis de proteção:

  • Tombamento federal – processo 1349-T-95 inscrito no Livro do Tombo Histórico – Volume III, sob nº 629, folha 96, e no Livro do Tombo de Belas Artes – Volume II, sob nº 644, folha 80, em 30 de outubro de 2014.
  • Tombamento estadual – processo nº21752/81 CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico inscrito no Livro do Tombo Histórico nº158, pagina 34 no dia 28/01/1982.

 

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Sociedade pode se manifestar sobre o registro do Banho de São João

O registro do Banho de São João se relaciona com a meta 06 e 10 do PNC.

Realizada no estado do Mato Grosso do Sul, a manifestação está em processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil

Banho_de_Sol

O Banho de São João é uma manifestação religiosa que acontece na virada do dia 23 para o dia 24 de junho. Foto: Vânia Jucá/Acerco Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) publicou no Diário Oficial da União, na última quarta-feira (13/01), o Aviso de Tramitação da proposta de registro do Banho de São João, celebração realizada nos municípios de Corumbá e Ladário, ambos no Mato Grosso do Sul.

A publicação tem como objetivo tornar pública a intenção de registro da festa religiosa como Patrimônio Cultural do Brasil, e permitir que, em 30 dias, a sociedade civil possa se manifestar. Terminado esse prazo, a proposta será enviada para avaliação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que decidirá em reunião, com data a ser definida, se o Banho de São João será registrado pelo Instituto.

A solicitação de registro da celebração sul-mato-grossense foi apresentada pela Fundação de Cultura e Turismo do Pantanal e suas unidades vinculadas: Superintendência de Cultura e Superintendência de Turismo. Também teve apoio da Prefeitura Municipal de Corumbá e membros da comunidade, por meio dos festeiros de São João.

Banho de São João

O Banho de São João é uma manifestação cultural religiosa e festiva que acontece na virada do dia 23 para o dia 24 de junho. Um ponto de destaque da festa pantaneira é quando diversas procissões carregam andores até as margens do Rio Paraguai e banham a imagem de São João nas águas. Acredita-se que o rito transforma o rio em águas milagrosas do Rio Jordão, onde o santo teria sido batizado.

O encontro de devoção, júbilo e alegria coincide com o tempo das águas e marca o início de um novo ciclo da natureza no Pantanal, que conta com o aumento dos pastos e abundância de peixes. Com o ritual do Banho de São João, as águas se tornam a manifestação de algo divino, capaz de purificar e lavar os pecados. É um momento de integração das comunidades locais, que começa com os preparativos em suas casas, tem como ápice a festa pública – ato de dar banho no santo –, e termina com as festividades domésticas.

A interação entre a comunidade da região pantaneira e sua natureza é notável, e se expressa nas relações sociais, econômicas e turísticas da região, atraindo uma diversidade de visitantes em busca de belezas naturais. O Banho de São João é um dos momentos que demonstra este vínculo, destacando que, para além do ecossistema local, há um importante elemento humano nas tradições do Pantanal.

Registro do Patrimônio Cultural Imaterial

O instrumento legal que assegura o reconhecimento do Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil no âmbito federal é o registro, gerido pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, com apoio das Superintendências e Unidades Especiais do Instituto. Criado pelo Decreto nº 3551/2000 e regulamentado pela Resolução nº 01/2006, este instrumento completou 20 anos de existência em agosto de 2020. Por meio dele, o Iphan reconhece bens que constituem referências culturais para a sociedade brasileira e que devem ser salvaguardados, valorizando a diversidade cultural do país e reiterando a cultura como um direito essencial à vida e à dignidade humana.

 

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Obras em bens históricos revitalizam o centro de Goiânia (GO)

A revitalização de bens históricos no centro de Goiânia (GO) se relaciona com a meta 10 do PNC.

Antiga Chefatura de Polícia e Torre do Relógio são restauradas pelo Iphan

Restauração Antiga Chefatura de Polícia/GO

Antiga Chefatura de Polícia no estado de Goiás, o imóvel abrigou a primeira sede da Polícia Civil. Foto: Ana Renata Silva Santos

Duas obras de restauração chamam a atenção de quem transita pelo centro de Goiânia (GO): do prédio da antiga Chefatura de Polícia, na praça Cívica, e da Torre do Relógio da avenida Goiás. São ações promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no estado de Goiás (Iphan-GO) com objetivo de preservar bens que compõem o Patrimônio Cultural do local, valorizando a história da cidade.

Inaugurada na década de 1940, a antiga Chefatura de Polícia, imóvel público do estado de Goiás, abrigou a primeira sede da Polícia Civil. Com área construída de 1.916,86 m², o prédio é dividido em blocos A, B e C e, nos anos de 1980, passou por diferentes usos e transformações, mas desde 2015 estava fechado.

A restauração visa recuperar as características originais da edificação, como a volumetria da cobertura, os vãos das janelas e portas da fachada e o traçado interno da planta, valorizando as qualidades arquitetônicas e requalificando os espaços para melhor atender as futuras atividades do espaço. O prédio também está sendo adequado segundo as normas de acessibilidade e segurança.

Um detalhe marcante na edificação são as peças ornamentais nas janelas e os capitéis quadrados nas colunas da fachada, acentuando o estilo déco. Na obra, já foram finalizadas as instalações hidrossanitárias e o serviço de reforço estrutural. Está em andamento a execução dos pisos em granitina, a restauração das esquadrias (janelas e portas) e as instalações elétricas. Em fase de acabamento, a obra ainda prevê a pintura e o agenciamento externo. Para a restauração da Antiga Chefatura de Polícia, são investidos R$ 5,9 milhões

Torre do Relógio - Foto: Tatiane Vieira dos Santos

Torre do Relógio. Foto: Tatiane Vieira dos Santos

Outro ponto de referência em Goiânia é a Torre do Relógio. O monumento recebe ação de restauração que contempla o reforço estrutural, a recuperação do revestimento em pó de pedra, das áreas com fissuras e despendimento de reboco ocasionados pelo avançado estado de deterioração. A intervenção também vai garantir o restauro dos elementos geométricos arquitetônicos, restabelecendo seu estado de preservação e conservação. Ao final, o relógio será reativado. A obra está em fase inicial de execução do reforço estrutural da torre.

Para a restauração, o Iphan investe R$ 684 mil. A previsão é de que ambas as obras sejam entregues no mês de junho. “O prédio da antiga Chefatura de Polícia e o monumento da Torre do Relógio são grandes atrativos em Goiânia, por estarem em localização privilegiada na praça Cívica, marco inicial da capital, e na avenida Goiás, uma das primeiras a ser construída. As obras de restauração visam a conservação dos bens e a valorização do Patrimônio Cultural, além de contribuir com a revitalização do centro de Goiânia”, destaca o superintendente do Iphan-GO, Allyson Cabral.

Investimentos no Patrimônio Cultural do estado de Goiás

Com a proposta de preservar o Patrimônio Cultural e colocá-lo em evidência, o Iphan vem atuando em diversas frentes. Em fevereiro de 2020, o Instituto entregou a obra de restauração da Antiga Delegacia Fiscal que hoje abriga a Sede da Superintendência do Iphan em Goiás. Ainda no centro de Goiânia, o Coreto da Praça Cívica, ícone do art déco, recebeu obra de restauração; a Torre do Relógio da avenida Goiás, uma ação de conservação. Ambas foram entregues em maio de 2020.

Já em Trindade (GO), um dos principais destinos turísticos religiosos do Brasil, a Igreja Matriz do Divino Pai Eterno teve a estrutura das torres recuperada. A obra foi finalizada em junho de 2020.  Além dessas, o Iphan está à frente das restaurações do Theatro Sebastião Pompeu de Pina de Pirenópolis e do 6º Batalhão de Polícia Militar na cidade de Goiás.

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Chega ao fim a obra de conservação e manutenção da Casa do Erário (PB)

Construída em 1782, quando o então Largo do Erário era o epicentro da João Pessoa (PB) dos tempos coloniais, uma edificação permanece até hoje como testemunho dessa época. A cidade não é mais a mesma e o largo foi renomeado como Praça Barão do Rio Branco. Ainda assim, o monumento preservou a antiga alcunha do local: passou a ser conhecido como Casa do Erário.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) investiu aproximadamente R$ 48 mil em serviços de manutenção do monumento. O objetivo principal foi a revisão geral do telhado e a impermeabilização das calhas. Também foram executados pintura, limpeza e reparos gerais. Iniciadas em fevereiro de 2020, as obras acabam de ser finalizadas.

A Casa do Erário foi inscrita pelo Iphan no Livro do Tombo Histórico, em 1971. Trata-se de um dos poucos exemplares da arquitetura oficial produzida no século XVIII. Compõe-se de cunhais trabalhados em pedra calcária, vergas em arco abatido e portada central.

O casarão tem vocação para a mudança. Construído para funcionar como açougue, também já sediou um mercado público. Em 1869, passou a abrigar uma repartição dos Correios, que inaugurou a sucessão de departamentos públicos que marcou a história mais recente da edificação. Esse percurso inclui o período, a partir de 1981, em que foi restaurada para ser utilizada pelo Ministério da Fazenda e desemboca no marco mais recente, no ano de 2002, quando teve o uso cedido ao Iphan.

A partir de então, sob coordenação do Iphan, converteu-se em um espaço para promover e divulgar o Patrimônio Cultural. Nesse sentido, dispõe de arquivo físico e vasta biblioteca sobre o tema. O local também já foi amplamente usado para exposições e ações de educação patrimonial, bem como para atender estudantes e pesquisadores.

A presidente do Iphan, Larissa Peixoto, destaca: “É com enorme satisfação que o Instituto entrega as obras de manutenção deste monumento tão importante para a história da Paraíba e para o Patrimônio Cultural Brasileiro como um todo. A conservação dos imóveis tombados é fundamental para garantir que as edificações continuem a resguardar a identidade e a memória nacional para as gerações dos dias de hoje e do futuro”, completa.

O Largo do Erário

Na época de sua inauguração, o açougue abrigado pela casa do Erário se localizava próximo à Casa de Câmara e Cadeia, que fiscalizava a comercialização de carne no período colonial. O Largo do Erário concentrava a parte administrativa da então Capitania Real da Parahyba.

Como lugar de memória, o Largo não só registra as origens históricas da região como também nos remete às matrizes culturais brasileiras. Trata-se de um espaço que guarda hábitos antigos e acontecimentos grandiosos de uma cidade; bem como as dores e as alegrias dos indivíduos que ajudaram a compor a população do país.

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Ruínas de sítio arqueológico em Serra (ES) são inauguradas após restauro

Um museu a céu aberto que guarda memórias da luta e do sofrimento de negros escravizados no Espírito Santo:  este é o legado evocado pelas Ruínas de São José do Queimado. Localizadas em Serra (ES), o monumento se encontra na área do Sítio Histórico São José do Queimado, um sítio arqueológico cadastrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As ruínas receberam uma série de melhorias para proporcionar o acesso de capixabas e turistas a este símbolo da resistência à escravidão no estado. Todo o processo de restauração foi acompanhado pelo Iphan.

Reinaugurado nesta segunda-feira, 17 de agosto, Dia Nacional do Patrimônio Cultural, trata-se de um ponto de visitação inclusivo, pois tem acessos e ambientes adaptados de acordo com as normas de acessibilidade.

As obras se estenderam por pouco mais de um ano e somaram investimentos da ordem de R$ 1,3 milhão. Demanda antiga de toda a sociedade – especialmente do movimento negro capixaba – a restauração foi viabilizada por um acordo de cooperação técnica e financeira assinado entre a Prefeitura de Serra Sede e o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades). Responsável pela proteção ao Patrimônio Cultural a nível estadual, a Secretaria de Estado de Cultura do Espírito Santo também acompanhou os trabalhos. A execução ficou a cargo do Instituto Modus Vivendi.

Durante as intervenções, foi descoberta uma série de achados arqueológicos: a etapa da limpeza revelou estruturas arquitetônicas como a escada, o arco cruzeiro, o piso da nave, entre outros. Além de favorecer a percepção de como se apresentavam as edificações originais antes do arruinamento, esse trabalho ajuda a resgatar a própria história do período em que as construções foram erguidas. Memórias de indivíduos, vestígios de práticas sociais e modos de fazer da época ficaram marcados nas estruturas remanescentes.

A restauração revelou uma série de achados arqueológicos O local foi palco da Revolta do Queimado, ocorrida em 1849. O movimento eclodiu depois que negros escravizados não receberem a alforria prometida como compensação pelo trabalho de construção da Igreja de São José do Queimado. Entre outros combatentes, Elisiário, Chico Prego e João da Viúva são os protagonistas desta insurreição. Eles lideraram um grande levante que só foi reprimido após a chegada de reforços militares vindos do Estado do Rio de Janeiro. Após o fim da revolta, cinco negros foram condenados à morte, entre os quais se incluem os principais líderes do movimento. Apenas um deles, Elisário, conseguiu fugir: desapareceu nas matas do Morro do Mestre Álvaro.

O Patrimônio Arqueológico
Reconhecidos como parte integrante do Patrimônio Cultural Brasileiro pela Constituição Federal de 1988, os sítios arqueológicos são inscritos no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA). No âmbito da autarquia, o Centro Nacional de Arqueologia (CNA) é a Unidade Especial do Instituto voltada para a área de gestão do patrimônio arqueológico.

A Superintendência do Iphan no Espírito Santo acompanha e protege cerca de 550 sítios arqueológicos, localizados em vários municípios. Além deste amplo cenário, também fiscaliza empreendimentos com potencial de impacto em sítios registrados e ainda não identificados.

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Começa a segunda etapa da restauração da Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife (PE)

Nos últimos 300 anos, Recife passou por todo tipo de transformação. Edifícios substituíram antigos casarões; vias de terra foram pavimentadas; o cenário colonial deu lugar a uma metrópole urbanizada. Apesar de tantas mudanças, desde o século XVIII, uma parte da cidade se mantém praticamente inalterada: o conjunto arquitetônico formado pela Igreja de São Pedro dos Clérigos e o Pátio de São Pedro.

A fachada da igreja é famosa pela grande verticalidadeA fim de que este monumento religioso continue a compor a paisagem de Recife integrado ao cotidiano da população, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai investir aproximadamente R$ 7 milhões em serviços de restauração do bem cultural.

O valor inclui os R$ 3,2 milhões designados para as intervenções realizada entre 2013 e 2016, com foco na obra civil. Concentrados nos bens integrados, os novos serviços totalizam cerca de R$ 4,1 milhões e vêm complementar a restauração da edificação, considerada uma das mais monumentais do Brasil.

Trata-se de um dos primeiros bens tombados pelo Instituto, em 1938, um ano após a criação do Iphan. O conjunto arquitetônico foi inscrito nos Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes.

Nesta quarta-feira, 12 de agosto, às 12 h, a igreja vai sediar uma missa para registrar o início do serviço de restauração dos seus bens integrados, como forros da nave, nártex, sacristia e galeria. Para acompanhar não é necessário descumprir o isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medida para enfrentar o novo coronavírus, pois a Rádio Olinda transmitirá a celebração ao vivo.

Prevista para durar 16 meses, a restauração inclui serviços de desinfestação, limpeza, nivelamento, reconstituições de ornatos, entre outras intervenções. Uma etapa se destaca para os entusiastas do Patrimônio Cultural: a reintegração do douramento e policromia do forro da nave, que vai valorizar ainda mais a obra do mestre João de Deus Sepúlveda.

O célebre pintor do Brasil no período colonial buscou inspiração no barroco português para representar, em perspectiva, São Pedro abençoando clérigos e religiosos. Sepúlveda se debruçou sobre esta obra de arte entre os anos de 1764 e 1780. A contemplação da pintura cria a ilusão de adentrar um espaço formado por uma sucessão de balcões e arcadas. Assim, o efeito ótico gera sensação de movimento e de amplitude infinita.

Graças à integridade do monumento, caminhar pelas edificações nos desloca para a Recife de outros tempos. Do pátio é possível ter uma visão global da igreja, emoldurada por um casario antigo. O conjunto tombado é formado pelo templo, pátio e outras 63 edificações, entre casas térreas e sobrados.

A baixa estatura do casario ao lado realça a grande verticalidade do templo, o que ajuda a compor uma curiosa paisagem de contrastes. No interior, a disposição simétrica estabelece um jogo de espaços cheios e vazios. Já as torres esguias oferecem uma vista tão singular que, durante os séculos XVIII e XIX, eram utilizadas como pontos de orientação para pequenas embarcações.

Novas intervenções focam na restauração dos bens integrados

om planta idealizada por Manuel Ferreira Jácome, a construção da igreja teve início em 1728. A fachada apresenta proporções rigorosas, o que remete a uma possível influência da arquitetura clássica. Além disso, a edificação agregou traços estilísticos de expressões artísticas como o maneirismo, o barroco e o rococó.

Longe de ser um cenário passivo para a vida dos recifenses, este bem abriga manifestações de caráter popular e de tradição pernambucana. Durante todo o ano, apresentações com música e dança dos ciclos carnavalesco, junino, natalino; assim como da cultura negra e do movimento mangue reforçam o laço de pertencimento da população com esse espaço.

O Iphan em Pernambuco
Além da restauração completa da Igreja de São Pedro dos Clérigos, o Instituto também tem trabalhado em uma série de ações para o Patrimônio Cultural edificado em Pernambuco. Nos últimos anos, já foram mais de R$ 38,5 milhões investidos em obras em Recife, Olinda e Fernando de Noronha.

Em Recife, além da primeira etapa de obras da Igreja de São Pedro dos Clérigos, já foram concluídas as obras civis das Igrejas Matriz de Santo Antônio e Conceição dos Militares. Atualmente encontra-se em execução o serviço de restauração dos bens integrados dessa última.

Fonte: Iphan

Crédito das fotos: Braulio Moura

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