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Dia de combate à intolerância religiosa reforça respeito à diversidade

Para debater o tema, Fundação Cultural Palmares promove regularmente seminários, campanhas de conscientização e rodas de conversa. Também realizou mapeamento com todos os terreiros do Distrito Federal

(publicado: 21/01/2019 13h28, última modificação: 22/01/2019 15h21)

Desde 2007, 21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O tema é uma das principais bandeiras da Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania que tem entre suas atribuições disseminar a cultura de paz e pregar o respeito e a convivência entre os praticantes das mais diversas religiões no País. Para debater o tema, a Fundação promove regularmente seminários, campanhas de conscientização e rodas de conversa. Também realizou mapeamento com todos os terreiros do Distrito Federal, projeto que poderá ser estendido a outras unidades da Federação.

O 1º Mapeamento dos Terreiros do Distrito Federal constatou a existência de cerca de 330 terreiros na capital do País. Realizado por meio de emenda parlamentar, o mapeamento deverá ser estendido a outros estados do País, mediante convênios e parcerias. A metodologia foi desenvolvida em parceria com a Universidade de Brasília. Inicialmente, o foco foi apenas na questão cartográfica, mas o objetivo é que as demais etapas também identifiquem questões socioculturais e econômicas dessas comunidades.

Outra importante ação realizada pela Fundação Cultural Palmares foi a campanha Filhos do Brasil, que teve o objetivo de combater a violência e a intolerância religiosa. A campanha, que tinha o cantor e compositor Arlindo Cruz como embaixador, reforçou a necessidade de respeito às diversidades, às religiosidades e aos cultos de matrizes africanas, que têm um histórico de muita perseguição.

Diretora do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Carolina Nascimento ressalta que o combate à intolerância religiosa é um tema que sempre será prioritário na agenda da instituição. “É um assunto que não podemos tirar do radar. O que gera o preconceito? A ignorância. Então, quando as pessoas não conhecem, elas têm um pré-conceito de que aquilo que você acredita, ou que eu acredito, não tem nada de positivo para nos ensinar”, declarou.

Na avaliação da diretora, a ação mais efetiva é trazer informação, expor o que ocorre nos locais de culto. “Por que, por exemplo, as pessoas cultuam os seus orixás? A partir do momento que a gente leva a informação e põe fim à ignorância, isso reduz o preconceito e, naturalmente, também a intolerância”, avalia.

Carolina observa que, inclusive, o termo intolerância não é o mais adequado para descrever a questão do respeito à religiosidade. “Nós tínhamos que falar sobre a convivência respeitosa em relação a qualquer expressão religiosa que o nosso País tem. Quando você fala em tolerar, você não traz o respeito à tona, você apenas suporta. Mas quando a gente fala em convivência respeitosa, a sua fé e a minha fé, independente do que nós acreditamos, iremos conviver bem, iremos no respeitar”, argumenta.

A diretora lamentou que, a despeito de todos os esforços feitos para conscientizar a população, ainda sejam observados tantos casos de intolerância. “A lei que criou o Dia Internacional de Combate à Intolerância Religiosa serve como uma reflexão de como essa violência, de como o racismo religioso, causa danos inclusive à vida física de nossos líderes religiosos”, destacou.

 

Intolerância

Mãe Baiana destaca que o combate efetivo à intolerância religiosa deve ser fruto de uma política transversal de governos (Foto: Secretaria Especial da Cultura)

Diretora de Monitoramento Racial da Subsecretaria da Igualdade Racial do Governo do Distrito Federal (GDF) e ex-chefe da Divisão de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana de Oyó, sentiu na pela a intolerância religiosa quando seu terreiro de candomblé, o Ylê Axé Oyá Bagan, localizado na região administrativa do Paranoá, no Distrito Federal, foi totalmente incendiado em novembro de 2015. O atentado fez com que o Governo do Distrito Federal instituísse, na época, uma delegacia especializada no combate à intolerância religiosa.

Mãe Baiana destaca que o combate efetivo à intolerância religiosa deve ser fruto de uma política transversal de governos. “Estamos mais uma vez precisando que os nossos governos deem liberdade ao povo de terreiro para se manifestar, se defender, e que haja políticas públicas que contemplem essa diversidade religiosa”, afirmou.

Origem da data

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa remete a um dos mais marcantes casos de intolerância religiosa, ocorrido com a ialorixá Mãe Gilda, em Salvador. Ativista social de personalidade forte e grande participação em ações para a melhoria do bairro de Nova Brasília de Itapuã, teve a saúde fragilizada em decorrência de agressões morais ocasionadas por intolerância religiosa e veio a falecer em 21 de janeiro de 2000. Como forma de reconhecimento do trabalho da ialorixá, foi instituído, em 2007, o 21 de janeiro como o Dia de luta contra a intolerância religiosa.

 

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial da Cultura
Ministério da Cidadania

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MinC concorre ao Prêmio Jabuti com atlas econômico cultural

8.11.2018 – 16:20

O Ministério da Cultura concorre com a Coleção CEGOV – Atlas Econômico da Cultura Brasileira – metodologia I & II, no eixo Economia Criativa, ao Prêmio Jabuti, uma das maiores premiações literárias do Brasil. A cerimônia de entrega ocorre nesta quinta-feira (8), no Auditório Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP), e conta com a presença do secretário da economia criativa do MinC, Douglas Capela.

O secretário definiu o momento como “um reconhecimento e uma grande felicidade”. Capela explicou que o objetivo do Atlas é ser um marco referencial teórico e metodológico de como fazer uma aferição dos setores culturais e criativos. “Queremos deixar como legado essa possibilidade de poder fazer essa medição”, contou.

“Entender que esse livro é algo merecedor de ser ganhador de um prêmio, só em ter sido considerado em ser um dos candidatos, já é uma prova de que estamos no caminho certo. Com o livro, está documentado todo esse referencial teórico e metodológico. Isso vai auxiliar muito na aferição desses dados. Vai servir para sempre para muita gente”, afirmou Capela.

 

Atlas Econômico

Inédito no Brasil, o Altas é considerado fundamental para a compreensão da importância da cultura na composição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A brochura concorre ao Jabuti com outros nove títulos.

São eles: Ninguém é Perfeito e a Vida é Assim – a música Brega em Pernambuco; Design de Capas do Livro Didático: a Editora Ática nos Anos 1970 e 1980; Era o hotel Cambridge: arquitetura, cinema e educação; Jingle é a alma do negócio: a história e as histórias das músicas de propaganda e de seus criadores; Manual de Inovanças – Criações à Brasileira; Poder suave (Soft power); Serra da Canastra: Refúgio das Aves do Cerrado; Viagens, Vinhos, História; e Xingu – Histórias dos Produtos da Floresta.

 

Volumes

Os dois primeiros volumes, lançados em 2017, trazem o marco referencial teórico e metodológico que será usado para aferição dos dados. Ao todo, serão seis obras que pretendem, utilizando metodologia e critérios unificados de aferição, dimensionar o impacto da cultura na economia do País.

As duas primeiras unidades do Atlas esclarecem que o estudo será apoiado em quatro eixos: empreendimentos culturais, mão de obra do setor cultural, investimentos públicos e comércio exterior. O Atlas aponta ainda para algumas das cadeias produtivas que serão estudadas de forma prioritária: audiovisual, games, mercado editorial, música e museus e patrimônio.

Elaborado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Atlas conta com a colaboração de instituições como a Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

 

Prêmio

Em sua 60ª edição, a premiação realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) traz algumas novidades, como a reorganização das categorias em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação; a criação da categoria Formação de Novos Leitores, dedicada a ações de incentivo à leitura; as inscrições com preços mais acessíveis para autores independentes; e a premiação dos primeiros classificados de cada categoria, que receberão R$ 5 mil cada.

Além disso, haverá um grande vencedor do Jabuti, que poderá ser tanto de Ficção quanto Não Ficção. Concorrem ao prêmio de Livro do Ano, no valor de R$ 100 mil, os vencedores das categorias dos Eixos Ensaios e Literatura. A cerimônia também contará com uma homenagem ao poeta amazonense Thiago de Mello, que receberá prêmio “Personalidade Literária”, em reconhecimento ao conjunto de sua obra – referência da literatura regional do Brasil, conhecida internacionalmente e traduzida para mais de 30 idiomas.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Ouvidoria do MinC registra recorde de participação social

07.11.2018 – 14:25

O ano ainda não acabou, mas a Ouvidoria do Ministério da Cultura (MinC) já registrou um recorde no número de manifestações de acesso à informação: foram 2.021 solicitações, ante 1.906 de 2017 e 1.821 de 2016. De acordo com a unidade, 98,21% desses pedidos foram atendidos, sendo que o restante tramita em avaliação dentro do prazo de resposta.

“Estamos cada vez mais próximo do público, fomentando a participação social”, Carlos Alberto Batista (Foto: Ronaldo Caldas / Ascom MinC)

A Ouvidoria é um canal de comunicação com o cidadão, onde o usuário pode participar e exercer sua cidadania, com reclamações, dúvidas e sugestões para o órgão público. A unidade permite exercer controle social, buscar defesa de direitos, além de ser uma importante ferramenta qualificadora da gestão pública.

“No início de outubro, já superamos os números de 2016 e 2017, com um grau de resolutividade acima de 98%. Estamos cada vez mais próximo do público, fomentando a participação social”, pontua o ouvidor do MinC, Carlos Alberto Batista. De acordo com o ouvidor, em 2018, três grandes ações aprimoraram o serviço.

Inicialmente, foi realizado um mapeamento de todos os serviços que o MinC fornece, de acordo com a Carta de Serviços do órgão. Em uma segunda fase, levantou-se junto às secretarias quais desses serviços poderiam ser digitais e disponíveis de forma on-line, para reduzir a necessidade do deslocamento físico do usuário ao serviço público.

“A terceira fase, que é onde estamos, avalia as propostas dos usuários sobre esses serviços. Entre as áreas mais demandadas, destaca-se a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), até porque a entrega dela torna-se maior, devido à busca de informações sobre a Lei Rouanet”, explica.

A Sefic adotou, na ferramenta de solicitação, dentro do próprio processo de avaliação de incentivo fiscal, uma assistência remota para tirar dúvidas. Dessa forma, o usuário consegue ser atendido diretamente, diminuindo o número de demandas da secretaria de 56,66%, em 2017, para 40,37% das demandas totais, neste ano.

“Implantamos a funcionalidade ‘Minhas Solicitações’ no Salic, onde as requisições dos proponentes são registradas vinculadas ao projeto cultural. Isso permite a preservação de toda a evolução das tratativas, questionamentos e requisições encaminhadas ao MinC no formato digital, de forma seguro e transparente. Com isso, as respostas passam a ser tratadas com base na situação real que se apresenta o projeto cultural na evolução de suas situações”, aponta o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, José Paulo Soares Martins.

 

Consulta Pública

Entre agosto e setembro deste ano, a Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual, em parceria com a Ouvidoria do MinC, abriu prazo para que a sociedade civil se manifestasse sobre a habilitação da Interartis Brasil, da Diretores Brasileiros de Cinema e do Audiovisual (DBCA) e da Gestão de Direitos de Autores Roteiristas (Gedar) para a arrecadação de direitos autorais pela execução pública de obras audiovisuais.

Durante o processo, que durou 30 dias e terminou em 26 de setembro, foram recebidas 504 manifestações, que estão sendo qualificadas pelo ministério. A habilitação permitiu avaliar melhor a ferramenta da Ouvidoria e permitirá mudanças para aprimorar ainda mais as consultas públicas futuras do MinC.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Ministério da Cultura divulga municípios selecionados no edital das Cidades Criativas

19.10.2018 – 10:30

Foi publicado nesta sexta (19), no Diário Oficial da União, o resultado final do edital do Ministério da Cultura (MinC) que selecionou municípios para receber consultoria com o objetivo de desenvolver candidatura à Rede das Cidades Criativas da UNESCO.Foram contempladas 15 cidades, em cinco categorias: Diamantina (MG), Campinas (SP), Rio das Ostras (RJ), Pelotas (RS), Aracajú (SE) e Taubaté (SP), em música; Cataguases (MG), Niterói (RJ) e Novo Hamburgo (RS), em cinema; Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP), em gastronomia; Itaboraí (RJ), Imbituba (SC) e Santana de Parnaíba (SP), em artesanato e artes folclóricas; e Duque de Caxias (RJ) em artes midiáticas.

A rede tem o objetivo de promover a cooperação internacional entre cidades que investem na cultura e na criatividade como fatores de estímulo ao desenvolvimento sustentável.

 

Plano de desenvolvimento da candidatura

Para estender o apoio ao maior número de cidades possível, o MinC convocou todos os candidatos com nota igual ou superior a 60 (sessenta). Assim foram selecionados os 15 municípios que receberão a consultoria, contratada pelo MinC, para elaborar dossiê de suas candidaturas para a próxima seleção de Cidades Criativas da Unesco, prevista para 2019. A candidatura deve demonstrar de forma clara e prática a disposição, o compromisso e a capacidade do município em contribuir com os compromissos da Rede.

Deve apresentar um plano de ação realístico, incluindo detalhamento de projetos, iniciativas e políticas a serem executadas nos quatro anos seguintes à admissão ao Programa, além de identificar a área temática preferencial, que já seja significativa para a cultura e a economia locais. Os setores criativos possíveis são: artesanato e artes folclóricas, design, cinema, gastronomia, literatura, artes midiáticas ou música.

Além de auxiliar as cidades vencedoras na construção do dossiê, o MinC também busca estimular as cidades na elaboração de planos de desenvolvimento com o edital, que impulsionem a economia criativa, tenham a cultura como base e que contribuam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) previstos na Agenda 2030 da ONU. Com o encerramento do processo seletivo e a designação das categorias das cidades selecionadas, a previsão é de que as consultorias sejam iniciadas já em novembro.

 

Brasil e as Cidades criativas

Atualmente, 180 cidades de 72 países fazem parte da Rede. Oito cidades brasileiras já são consideradas Cidades Criativas pela UNESCO: Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ), no campo da gastronomia; Brasília (DF) e Curitiba (PR) no do design; João Pessoa (PB), artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA), música; e Santos (SP), cinema.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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MinC promove resgate das brincadeiras infantis tradicionais

10.10.2018 – 10:00

Jogos, brinquedos, brincadeiras. Muito além de um passatempo, as expressões lúdicas podem ser consideradas manifestações culturais e artísticas. Apresentam simbolismos e representam diferentes grupos sociais e étnicos e a realidade de diferentes infâncias. Para o Ministério da Cultura (MinC), brincadeira é coisa séria, é ferramenta de promoção do desenvolvimento infantil. E é reforçando a importância do brincar que a Pasta contribui para o Programa Criança Feliz, do governo federal. O programa, de caráter intersetorial, promove o desenvolvimento integral das crianças na primeira infância.

Um verdadeiro tesouro está escondido nas brincadeiras praticadas e difundidas nas culturas populares e tradicionais brasileiras e o MinC está documentando essa riqueza. Para tornar essas tradições disponíveis e à mostra para qualquer cidadão, o Ministério está percorrendo algumas regiões do Brasil para documentar a ludicidade presente no País. Esse documento irá subsidiar a elaboração de uma publicação do Programa Criança Feliz referente à infância, ludicidade, cultura, diversidade e território. Com esse documento em mãos, profissionais que atuam no programa serão capacitados e, por sua vez, irão difundir os benefícios da brincadeira.

É nos primeiros anos de vida, especialmente do nascimento até os três anos (a fase também denominada primeiríssima infância), que se estabelecem as bases do desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social da criança. E a primeira infância, que segue até os seis anos, tem sido considerada a fase mais importante do desenvolvimento humano. Por estar em uma etapa que ainda não possui a capacidade de abstração totalmente desenvolvida, a criança necessita de uma ferramenta concreta para seu aprendizado e interações – e é aqui que entra a ludicidade. Atenção, concentração, raciocínio lógico, memória, linguagem, regras, colaboração e confiança são alguns dos aspectos colocados em prática e desenvolvidos por meio de jogos e brincadeiras.

Segundo a secretária da Diversidade Cultural do MinC, Magali Moura, o Ministério está cada vez mais ciente dessa relevância e pretende promover o resgate das brincadeiras infantis nas comunidades, a partir da atuação no programa do governo federal. “A infância deve ser vista como a fundação do cidadão brasileiro. Vamos atuar repassando informações que possam beneficiar o desenvolvimento da criança por meio do brincar. Estamos fortalecendo as políticas públicas voltadas à infância”, afirma Magali. O público prioritário do Criança Feliz são as gestantes e crianças de até três anos de idade beneficiárias do Programa Bolsa Família, crianças de até seis anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e crianças afastadas do convívio familiar por medida protetiva (crianças abrigadas). Atualmente, mais de 2.700 municípios brasileiros já aderiram ao programa.

O Ministério da Cultura ainda vai articular estruturas físicas como os Pontos de Cultura e os Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) para formação de profissionais envolvidos no programa. Entre outras atribuições do MinC no Criança Feliz, estão: fortalecer o empoderamento cultural da criança, promovendo estimulação criativa no contato com a diversidade cultural de seu território e dos vínculos afetivos e interpessoais; e assegurar às crianças o direito de acesso à transmissão das crenças e culturas familiares.

 

 

Da televisão ao arco e flecha

Em visita ao município Ronda Alta, no Rio Grande do Sul, representante do MinC constatou que crianças indígenas estão trocando brinquedos e brincadeiras tradicionais por jogos eletrônicos e televisão. Além da questão da ludicidade, as crianças já encontram dificuldade em se identificar com sua etnia, a Kaingang – uma das três principais do estado, ao lado da Guarani e Charrua. Também praticam a língua materna na escola (por ser componente curricular) com resistência, já que as crianças crescem falando português.

A partir dessa realidade local, o Ministério da Cultura já reforça o resgate de jogos, brincadeiras tradicionais e demais aspectos culturais da etnia Kaingang, como estudo dos grafismos e marcas culturais, além da história do artesanato – especialmente a cestaria. A ação ocorre por meio do Centro Cultural Kanhgág Jãre, o primeiro Ponto de Cultura indígena do País, que já recebeu R$ 75,7 mil em investimento do MinC, por meio de convênio. Entre as brincadeiras tradicionais resgatadas pelo ponto de cultura estão o arco e flecha e o tiro ao alvo com zarabatana. Os Pontos de Cultura são grupos, coletivos e entidades de natureza ou finalidade cultural que desenvolvem e articulam atividades culturais em suas comunidades e em redes, reconhecidos e certificados pelo MinC por meio dos instrumentos da Política Nacional de Cultura Viva.

 

 

Conheça brincadeiras tradicionais indígenas

Criança indígena brinca de “Bola ao cesto” (Foto: Divulgação MinC)

 

Arco e flecha

Construídos pelas crianças, o arco e flecha são utilizados em jogos que utilizam alvo, ou encenação de caça.

 

Tiro ao alvo com zarabatana

A criança recebe uma zarabatana (antigamente cada criança construía a sua) e deve tentar acertar os “alvos” com sementes, derrubando-os. Os alvos são animais, como tatu e macaco, desenhados em papel e colados em isopor.

 

Bola ao cesto

As crianças ficam sentadas e um cesto é colocado em uma determinada distância que não seja tão longe. Uma bola é entregue para a criança, que é incentivada a arremessar para acertar dentro do cesto.

 

O tigre e a lebre

Dois jogadores dão-se as mãos formando a “toca” e o terceiro ficará entre eles e será a “lebre”. Do lado de fora ficam as lebres perdidas, crianças que ficaram “sobrando”, sem toca. A um comando, as tocas levantam os braços e todas as lebres devem ocupar uma nova toca. Quem não conseguir entrar fica no centro, esperando nova oportunidade. O elemento que confere ainda mais animação à brincadeira é o “tigre”, que age como caçador. Nesse caso, apenas um participante fica de fora. Ele deverá perseguir os coelhinhos durante a troca de tocas. O primeiro a ser pego passará ao posto de “tigre”, depois realizam novas trocas, sucessivamente. É uma variação de outra brincadeira tradicional, chamada “Coelhinho sai da Toca”.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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Uma brincadeira que gera negócios

27.9.2018 – 10:40

Em novembro, vai ser a hora de 28 equipes, de 14 cidades das cinco regiões brasileiras, brincarem em serviço. É que no dia 3 será realizada, no Rio de Janeiro, a final da Game Jam Plus – Olimpíada Brasileira de Desenvolvimento de Jogos (GJ+). Os participantes vão apresentar aos jurados os jogos que desenvolvem desde julho, quando participaram de uma maratona produtiva que durou 48 horas. O objetivo do evento é que os games produzidos possam se tornar negócios viáveis.

A fase final da GJ+ vai reunir 28 equipes de 14 cidades das cinco regiões brasileiras (Foto: Divulgação)

Além do desenvolvimento de jogos, a Game Jam Plus oferece mentorias às 28 equipes selecionadas para a fase final, a exemplo do que ocorre em muitos programas para o impulsionamento de startups. São oferecidos prêmios em diversas categorias, como melhor jogo para celular e tablet e o com maior impacto social, com objetivo de apoiar a perenidade das produções.

Em sua terceira edição, a GJ+ tem três etapas. Na primeira fase, realizada em julho, as equipes participaram das 48h da maratona de desenvolvimento, organizada simultaneamente nas 14 cidades participantes: Belém, São Luiz, Teresina, Fortaleza, Natal, Recife, Aracaju, Brasília, Patos de Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Ao final da maratona, foi selecionado um projeto de cada cidade, 14 no total.

As equipes com projetos não selecionados tiveram nova chance de concorrer a uma vaga na final. Elas disponibilizaram seus jogos em plataforma digital durante um mês, enquanto continuaram a desenvolvê-los. Ao final dos 30 dias, as propostas de cada cidade que receberam mais curtidas também passaram para a próxima fase.

Na segunda etapa, os 28 selecionados estão recebendo mentoria nos moldes do programa de aceleração Inovativa Brasil. O objetivo é que os projetos desenvolvidos não sejam perdidos e que consigam realmente se tornar viáveis comercialmente. De acordo com Ian Rochlin, um dos organizadores da GJ+, em geral, apenas 7% dos projetos produzidos em eventos desse tipo têm continuidade. “Nós queremos ajudar essas equipes a se tornarem empresas para gerar negócios, empregos, renda. Com o formato que demos ao evento, conseguimos uma taxa de continuidade de 45% na edição de 2017 e de 62% neste ano”, avalia Ian. A taxa é obtida pela razão entre o número de propostas inscritas e o total de propostas que são desenvolvidas até o fim da votação popular.

A terceira etapa é a premiação final e reúne os participantes selecionados e apoiados pelo projeto de aceleração em um evento no formato DemoDay (votação dos jurados) e exposição dos jogos para o público (votação popular). Neste ano, há as seguintes categorias: Prêmio Abragames, Prêmio Amazon Game Tech, Premiação Nacional Unicef, Prêmio Nacional WeDoLogos, Prêmio Nacional Escola Saga, Prêmio Nacional Games Mobile por TFG e Premiação Nacional Navegador Web por Nuuvem. Entre os prêmios oferecidos aos vencedores estão a participação em rodadas de negócio, o desenvolvimento de logomarca e conceito de material de papelaria e o acesso ao programa de pré-aceleração on-line da Amazon, entre outros.

 

Indústria Criativa

Um dos segmentos da indústria criativa, o setor de games tem apresentado resultados expressivos nos últimos anos. De acordo com o site Newzoo, em 2018, o mercado global de games chegará a uma receita de US$ 137,9 bilhões, sendo que 51% desse total virá de jogos para mobile (smartphones tablets); 24% para web e 25% para consoles. No Brasil, as receitas chegam a US$ 1,5 bilhão, com 75,7 milhões de jogadores. O site ainda revela que 50% dos homens e 51% das mulheres brasileiras jogam games para mobile, e que 83% dos jogadores, em todos os segmentos, consumiram algum tipo de bem virtual em seus jogos nos últimos seis meses. Entre 2012 e 2016, o mercado brasileiro de games cresceu 28,7%, e as projeções são de que cresça 16,5% entre 2017 e 2021.

“O potencial do mercado brasileiro é enorme, pois somos o quarto do mundo em consumidores, mas apenas o 13º em desenvolvimento. Nós consumimos mais do que produzimos e precisamos mudar isso. É por essa razão que cada vez mais temos que realizar eventos com a Game Jam Plus”, ressalta Ian sobre a importância da olimpíada virtual para a indústria criativa brasileira. “Nós precisamos fomentar a indústria nacional de economia criativa com novos jogos e empresas atuantes no setor. A ideia central da GJ+ é aliar esforços de diferentes polos desenvolvedores e mostrar a força do setor de games nacional, o potencial das desenvolvedoras e a qualidade dos jogos brasileiros”, conclui.

 

Histórico

O crescimento da Game Jam Plus mostra a vitalidade do mercado de games nacional. O evento foi criado em 2016 e contou com 80 participantes do Rio de Janeiro, no formato tradicional de maratona de desenvolvimento – com um fim de semana para desenvolvimento dos jogos e a premiação. Já a segunda edição, em 2017, quando ganhou o formato atual, com mais etapas incluindo a mentoria, foi realizada simultaneamente em seis cidades – Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo – e contou com 400 participantes, 80 voluntários (incluídos os mentores) e 25 organizadores. Por meio de um acordo com o Rio Criativo, escritório para fomentar a economia criativa da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, a final foi realizada nas instalações do Rock in Rio. Em 2018, o evento saltou de seis para 14 cidades, de todas as cinco regiões brasileiras, e reúne 500 pessoas, 200 voluntários e 80 organizadores. Para 2019, eles já se preparam para realizar a GJ+ em 20 cidades.

O baixo custo é uma característica do evento, que conta com parcerias e a vontade de voluntários e organizadores de impulsionar o mercado. “Nós acreditamos que as pessoas podem se unir para mudar o meio em que vivem e para empreender”, ressalta Ian. Sem o apoio financeiro de patrocinadores, a organização decidiu fazer a GJ+ com recursos próprios, além dos voluntários que investiram nas próprias passagens e alimentação para as mentorias da segunda edição. Para a deste ano, os organizadores decidiram cobrar um ingresso de R$ 50 dos participantes e reverter 100% do que foi ganho para a organização do evento. “Nós entendemos que somos os principais atores dos filmes de nossas vidas”, diz Rochlin, destacando o espírito empreendedor do setor.

 

Editais 

Para ajudar a impulsionar o mercado de games no Brasil, o Ministério da Cultura (MinC) desenvolveu a Política Nacional de Games, que vai investir R$ 100 milhões em diversas linhas: desenvolvimento de games; desenvolvimento e produção de conteúdo em realidades virtual e aumentada; produção de games; lançamento de games e aceleração de empresas. Também é parte da política incentivar mostras e festivais e investir em infraestrutura e tecnologia e em formação e capacitação. Está previsto para o mês de outubro o lançamento de editais para a área.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação / Ministério da Cultura

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